Sanatório de Mont'alto, também conhecido por "Sanatório de Valongo", situado na mesma latitude do Porto. Situa-se igualmente perto de São Pedro da Cova. A sua construção iniciou-se em 1932, mas só ficou concluído em 1958, tendo entrado em funcionamento no Outono desse mesmo ano. Quer isto dizer que demorou a ser inaugurado mais tempo do que aquele em que esteve em funcionamento... Foi, claro está, o último sanatório a ser construído em Portugal. Encerrou depois do período de 1974 - 1975.
Aspeto muito deteriorado do interior do Sanatório de Mont'alto ou "Sanatório de Valongo". Este corredor decerto correspondia à zona de isolamento dos casos considerados mais graves e mais contagiosos.
Escadaria central do Sanatório de Mont'alto ou "Sanatório de Valongo", onde surge o poço do elevador.
Capela privada do Sanatório de Mont'alto ou "Sanatório de Valongo".
Estado muito avançado de ruína da capela privada do Sanatório de Mont'alto ou "Sanatório de Valongo".
Magnífica vista ao entardecer sobre a cidade do Porto obtida nos anos 2000, a partir do terraço do muito arruinado Sanatório de Mont'alto ou "Sanatório de Valongo".
Antes do aparecimento dos antibióticos, a realidade do tratamento da tuberculose era feita, muitas vezes, de esperanças goradas. Na prática, esta doença não tinha cura ou, pelo menos, não se dispunha de um medicamento que atacasse diretamente o micróbio que a provocava. É verdade que já existia, desde a década de 20, a denominada vacina de B.C.G., mas esta era de carácter meramente preventivo, de eficácia nem sempre total. Por outras palavras, havia contribuído para um decréscimo no aparecimento de novos casos, mas de nada servia numa situação de doença efetiva diagnosticada.
Houve tempos em que "gordura era formosura"... No fundo e na verdade, não se tratava apenas de uma mera "moda", de um "capricho estético" ou de um "delírio estético" da parte de um "bando de analfabetos". Acreditava-se, de facto, que um corpo "bem alimentado", o que também podia significar "sobrealimentado", seria menos propenso a desenvolver certas doenças contagiosas, com destaque para a tuberculose, então, vulgarmente designada por "tísica" ou "tísica pulmonar". Ter um um "bom apetite" associado a um condizente corpo "roliço" ou "avantajado" era, segundo a opinião de muitos, como que uma "medida preventiva" relativamente à tuberculose. Por exemplo, uma mulher que tivesse um corpo como o da modelo principal da pintura acima visível ou mesmo um corpão, de formas bem fartas e bem rechonchudas, como o da modelo "PLUS SIZE" da foto logo abaixo deste parágrafo, era logo considerada, outrora, "saudável" e "robusta" pois "saltava à vista" que não estaria, decerto, tuberculosa... Por exemplo, dava mais "segurança" contratar criadas que fossem, ou melhor, aparentassem ser "robustas" e "possantes" do que as outras raparigas e mulheres que aparentassem o que se chamava então de "miséria física" estas, afinal, muito disseminadas devido à pobreza, miséria e fome que grassavam num país como Portugal. Houve muita gente, natural e, afinal, geneticamente econstitucionalmente muito magra ou esguia, que foi injustamente associada à denominada "predisposição para a tuberculose". Os que mais "sofriam" com este autêntico "estigma" eram, decerto, os que tivessem o "Síndroma de Marfan" que, ainda há não muitos anos atrás, eram também injustamente confundidos com "anoréxicos" e, pior ainda, com "seropositivos" ou "sidosos".
Nesses tempos, em que a tuberculose era um grave problema de saúde pública, pelo menos no que se refere aos países dos chamados "1º e 2º mundos", devido à grande contagiosidade desta enfermidade, adotava-se, como regra fundamental, a separação dos afetados dos sãos, de forma a não agravar a sua já grande disseminação. Começou-se por recorrer às zonas de isolamento dos hospitais. Para além disto, como se sabia que, em certas zonas geográficas, sobretudo junto ao mar e a grande altitude, a qualidade do ar, associada à exposição solar, tinha efeitos particularmente benéficos na evolução da doença, essas zonas foram escolhidas como as ideais para a construção de hospitais de isolamento especializados, a que se deu o nome de "sanatórios".
O famoso e então (1932) ultramoderno Sanatório de Paimio, na Finlândia, obra-prima do arquiteto finlandês Alvar Aalto (1898-1976). Hoje nele se encontra instalado um Hospital Geral. Um dos quartos do extinto Sanatório foi escrupulosamente preservado para fins museológicos.
De referir que Alvar Aalto (1898-1976), se encarregou da tarefa adicional de desenhar os espaços interiores desta, então (anos 20-anos 30), muito necessária instituição sanatorial e de conceber o seu próprio mobiliário, onde se incluía uma mundialmente famosa cadeira, pensada ergonomicamente para o bem-estar dos doentes tuberculosos, durante as necessárias horas de repouso.
Cadeira de Repouso Paimio (1931-1932), concebida por Alvar Aalto (1898-1976).
Desta forma, um pouco por todo o mundo, surgiriam, desde os últimos anos do século XIX até meados do século XX, tanto sanatórios de altitude, como marítimos. Estes últimos tinham a particularidade adicional de serem os ideais para o tratamento de uma variedade de tuberculose, a que era dado o nome de "mal de Pott". Era a tuberculose óssea, que deixava sequelas incapacitantes e afetava muitas crianças e jovens. Fotografias antigas ainda mostram pessoas convalescentes com partes do corpo envoltas em ligaduras. Quatro dos exemplos em terras portuguesas, foram o Sanatório Marítimo do Outão, o Sanatório Marítimo do Norte, localizado em Valadares, o Sanatório de Carcavelos e o Sanatório de Santana, este último localizado na Parede.
Sanatório Marítimo do Outão, inaugurado em 1900.
Sanatório Marítimo do Outão.
Quatro perspetivas do extinto Sanatório Marítimo do Norte, inaugurado em 1917.
Depois do seu encerramento e extinção, em 1978, o conjunto dos edifícios e anexos do Sanatório Marítimo do Norte esteve ao abandono e sujeito a um processo de lenta degradação. Após um longo e moroso processo de negociação ficou aqui ficou instalado, a partir de 2010, um Centro de Reabilitação Física do Norte.
Entrada para o atual Centro de Reabilitação do Norte, localizado em Valadares.
Duas perspetivas do Sanatório de Carcavelos.
Conjunto de parte dos edifícios que constituíam o antigo Sanatório de Santana, localizado na Parede.
No entanto, foram os maioritários sanatórios de altitude, ou em zonas remotas densamente arborizadas, aqueles que mais fama conquistaram e os que representam melhor o imaginário de toda uma realidade, felizmente passada, mas com qualquer coisa de mítico, que muitos das novas gerações nunca hão de compreender porque nunca a conheceram. Por outro lado, como é natural, muitos dos que contactaram diretamente com essa realidade, acabariam por remeter para os seus herméticos baús de memórias que, só a muito custo, são abertos. Foi um tempo de histórias e muitos dramas pessoais, só compreensíveis por quem os viveu de perto. A tuberculose, literalmente, fazia parte do "imaginário" desse tempo. Diversos hábitos e "tiques" do passado, hoje considerados estranhos, anacrónicos e mesmo caricatos, tinham por trás, precisamente, o medo, para não dizer o pânico, de contrair essa doença. Evitar falar e mesmo pensar nisso era, e ainda hoje é, uma forma de remeter essa doença e toda a sintomatologia a ela associada para o "passado remoto", sem esquecer os muito frequentes preconceitos e boatos que predominavam, mais do que muita gente, agora, poderá pensar. Houve também muita gente que sofreu injusta e desnecessariamente. Houve também muitos medos e receios, afinal, perfeitamente absurdos.
Sanatório das Penhas da Saúde - Sala de estar - Covilhã.
Sanatório dos Covões, também conhecido por "Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil", situado perto de Coimbra e inaugurado em 1935.
Sanatório dos Covões - Refeitório - Coimbra.
Sanatório dos Covões - Galeria de cura - Coimbra.
Sanatório dos Covões - Sala de cirurgia torácica - Coimbra.
Entrada principal do Hospital-Sanatório de Celas - Coimbra. Na década de 1970 e após algumas remodelações, nomeadamente a nível desta antiga entrada, seria aqui instalado o antigo Hospital Pediátrico de Coimbra, entretanto encerrado e transferido para o seu atual edifício.
Aqueles que tinham o grande azar de contrair essa doença iniciavam um longo calvário feito de incertezas, mas com determinação mantida a todo o custo. Tudo começava com um internamento hospitalar destinado, entre outras coisas, a fazer um diagnóstico mais preciso da situação e a preparar o encaminhamento para o tratamento sanatorial. Muitos só apareciam perante os médicos já numa fase em que a enfermidade caminhava em pleno, apesar de tantas vezes ser aconselhada uma detecção precoce, aos primeiros sintomas. Alguns ficavam mais algum tempo internados no hospital público, a fazer uma breve tentativa de fortalecimento para depois transitarem em definitivo para a sanatorização.
A partir daqui, iniciava-se uma verdadeira odisseia virtual em busca da cura, que podia durar vários anos e não surtir os resultados pretendidos. Não raras vezes, iam vários membros de uma mesma família. Do outro lado, ficavam os familiares e amigos numa permanente angústia, sempre aguardando notícias mais positivas. O tratamento era muito longo e, não raras vezes, dispendioso. Os enfermos eram obrigados a respeitar todo um esquema de tratamento rígido, não só em termos de horários, onde o grosso do tempo era ocupado na posição de deitado, quer nos respectivos quartos, quer nas galerias arejadas a contemplar a paisagem pretensamente relaxante. Apesar de tudo, era quase sempre um dia-a-dia algo duro de suportar, sobretudo por gente antes habituada a uma vida ativa. Os tratamentos não eram também pêra doce. A medicação disponível não era muitas vezes nada agradável, em especial quando uma parte substancial desta era administrada através de injeções dolorosas. Para encimar todo este quotidiano algo monótono havia a parte da alimentação. Esta deveria ser substancial, o que, em muitos casos, podia ser sinónimo de lautas refeições várias vezes por dia. Este detalhe era especialmente penoso para os enfermos atacados pelo muito frequente fastio, habitual numa doença consumptiva como era a tuberculose, também conhecida por tísica. Para tornar as coisas mais duras, havia os diversos desarranjos orgânicos, quer provocados pelas oscilações da doença, quer pelos efeitos secundários das terapêuticas, sem falar na componente psíquica que, quase sempre, estava negativamente afetada.
As “armas” de que se dispunha para lidar com esta enfermidade consistiam essencialmente em medicamentos sintomáticos, isto é, destinados a atenuar as manifestações físicas da doença e minorar os seus efeitos nefastos na qualidade de vida dos doentes. De qualquer forma, grosso dos medicamentos e elixires a que se recorria durante esses lentos e morosos meses ou anos de tratamento, eram destinados a fortalecer o organismo, tentando aumentar-lhe as resistências imunológicas, de forma a que este, por si, pudesse debelar gradualmente a doença. Entre estes suplementos, existiam as injeções vitamínicas e os "licores de carne", estes últimos fortemente ricos em proteínas e ferro, que eram os antepassados dos atuais suplementos proteicos de vários sabores. Havia ainda um tipo de injeções complementares, à parte, de preparados à base de cálcio, com o intuito, tanto de suprimir as frequentes perdas deste mineral essencial, como de acelerar a calcificação ou cicatrização das lesões tuberculosas.
Acima de todo o resto, há que dar o máximo destaque para uma coisa de que muitos já devem ter ouvido falar: ÓLEO DE FÍGADO DE BACALHAU. Antes do aparecimento dos antibióticos, este suplemento alimentar era visto quase como uma verdadeira "poção mágica" contra a, então, tão disseminada TUBERCULOSE. Muitos das gerações mais idosas decerto se lembrarão de ter de tomar várias colheradas deste líquido "cor de ouro" por dia!
Para além do mais, a atual "promoção" para incentivar o consumo de leite e seus derivados, teve a sua raiz durante a conjuntura, felizmente já passada, em que a TUBERCULOSE grassava por aí em níveis verdadeiramente epidémicos e constituía uma autêntica SENTENÇA DE MORTE para quem a contraísse.
Quando o repouso, a alimentação e os “bons ares”, complementados pela terapêutica medicamentosa disponível, não estivessem a dar o resultado pretendido, havia que recorrer a outros métodos mais drásticos. Estes recursos adicionais eram bastante complicados, dolorosos e não isentos de perigo. Alguns deles eram mesmo mutiladores e deixavam marcas físicas para toda a vida. E claro, para quem tinha de lidar com estas situações de perto, quer do lado dos médicos, quer do lado dos pacientes, também eram assustadores. O menos impressionante destes métodos físicos, era uma prodigiosa descoberta médico-tecnológica, descoberta na segunda metade do século XIX: o pneumotórax artificial ou terapêutico.
Este tratamento baseava-se na ideia fundamental de que uma das razões porque a tuberculose pulmonar era tão difícil de tratar e tão frequente, se devia ao facto de o sistema pulmonar estar permanentemente em movimento e, desta forma, o órgão doente não conseguir o repouso necessário para as lesões se curarem por elas próprias.
Desta forma, o pneumotórax terapêutico consistia em injetar um gás entre a pleura e o pulmão propriamente dito, de forma a colapsá-lo, ficando este mais encolhido e estático. Ficaria, de facto, provado que este método auxiliava as lesões cavitárias a fecharem e a cicatrizar por elas mesmas, reduzindo-se as áreas afetadas e propiciando-se o tão desejado processo de cura. No entanto, mesmo facilitado, este podia ainda chegar a durar alguns anos.
O aparelho destinado a administrar este tratamento, fora o resultado de uma prodigiosa criação do médico italiano Carlo Forlanini (1847-1918), nome pelo qual os primeiros protótipos deste aparelho ficaram conhecidos. O ano da sua invenção foi exatamente o mesmo em que Robert Koch descobriu o bacilo da tuberculose: 1882. Os exemplos acima visíveis resultaram dos diversos aperfeiçoamentos que este invento foi tendo ao longo dos anos com o intuito de se tornarem mais portáteis, resistentes e fáceis de manusear. O seu funcionamento básico manteve-se mais ou menos inalterado. As insuflações eram controladas por um manómetro, por sua vez regulado por água. Estas eram induzidas por uma pêra de borracha e introduzidas no tórax do paciente, através de uma grande agulha devidamente esterilizada.
Tratava-se de uma operação algo delicada e que necessitava de ser executada por médicos com larga experiência e perfeito conhecimento da morfologia do aparelho respiratório. Era também essencial o acompanhamento de uma radiografia do paciente. Mesmo assim, não era totalmente isento de riscos e tinha os seus detratores. Mas era, de todos os métodos de colapsoterapia, o menos invasivo.
Quando esta terapêutica, apesar de mais algo morosa, não apresentasse os resultados desejados, havia outros métodos mais radicais, sempre com a intenção de tentar colapsar o órgão afetado. Era aqui que entravam os métodos cirúrgicos.
Pneumotórax da autoriadeManuel Bandeira (1886-1968)
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Respire.
……………………………………………………………………….
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado. — Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax? — Não.
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Uma das principais razões que comprometia a eficácia do pneumotórax, residia num dos efeitos secundários da própria tuberculose: a pleurisia. Esta provocava derrames na pleura, que originavam a formação de aderências ao pulmão, que anulavam qualquer tentativa de o comprimir. Desta forma, haveria a hipótese de se recorrer ao corte de aderências. Caso não fosse possível eliminar as aderências ou quando estas eram muito disseminadas, só existiria uma solução absolutamente radical: a toracoplastia. Consistia esta na remoção cirúrgica de costelas, para obrigar o lado afetado a ficar comprimido definitivamente. Em suma, retiravam-se algumas partes, para salvar a vida de todo um organismo. De qualquer forma, deixava marcas físicas (e mesmo psíquicas) para toda a vida futura do paciente.
Contudo, para que estes dois exemplos de operações fossem possíveis, havia que tomar em conta a resistência e o estado físico do doente. Senão seria pior a emenda que o soneto... No entanto, mesmo quando se pensava que os pacientes estariam preparados para tais operações de alto risco, não eram raros os casos em que estes faleciam tanto durante as longas horas de cirurgia contínua, como no pós-operatório. Também a própria doença se podia agravar e nada mais a deteria no seu caminhar para o temido desfecho final...
Também havia outras formas, algo originais, para tentar imobilizar, quer parcial, quer totalmente, o órgão afetado, como a introdução na cavidade pleural de óleo, bolas de parafina sólida e mesmo bolas de ping-pong, como atesta esta imagem radiográfica.
Com a chegada gradual dos antibióticos, a partir da segunda metade dos anos 40, estes métodos algo temíveis de tratamento começaram a ser abandonados. Os tratamentos básicos de repouso, alimentação, terapêutica reconstituinte e bons ares, eram cada vez mais complementados com os novos medicamentos tuberculostáticos, primeiro a estreptomicina, depois o P.A.S. e a izoniazida. Com este primeiro trio descoberto, estava constituída a primeira grande frente de ataque contra o bacilo de Koch. As estadias sanatoriais começaram a ser cada vez mais curtas, mas também a ser menos necessárias, pois esta nova terapia antibiótica também contribuía para tornar os casos declarados de tuberculose muito menos contagiosos.
Atual Hospital dos Covões, em Coimbra.
Foi também o iniciar de uma lenta decadência do domínio dos sanatórios, que começaria a ganhar força com o seu progressivo encerramento a partir dos anos 50. Portugal também não escaparia a esta onda muito positiva. Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, praticamente todos os sanatórios que ainda existiam, muitos deles quase sem nenhum doente internado, acabariam por encerrar. Alguns seriam reconvertidos em novas unidades hospitalares, como o Hospital da Guarda e o Hospital dos Covões, em Coimbra. A maioria, sobretudo os que estavam longe dos grandes centros, seriam votados a um completo abandono, que ainda hoje se arrasta.
Fotografia do Grande Sanatório do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do do Grande Sanatório do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do do Grande Sanatório do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Grande Sanatório tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia da antiga Casa de Saúde da Serra do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia da antiga Casa de Saúde da Serrado Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia da antiga Casa de Saúde da Serrado Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia da antiga Casa de Saúde da Serrado Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia da antiga Casa de Saúde da Serrado Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Santa Maria do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do do Sanatório Santa Maria Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do do Sanatório Santa Maria Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Salazar do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Salazar do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Salazar do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia de um antigo sanatório não identificado do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Bela Vista do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Bela Vista do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Bela Vista do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Central do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Sameiro do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Sanatório Salazar do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia de sanatório não identificado do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Fotografia do Caramulo tirada por mim, Sérgio Namorado, no dia 28 de Agosto de 1995.
Cesário Verde (1855-1886).
Aubrey Beardsley (1872-1898).
Aubrey Beardsley (1872-1898).
Aubrey Beardsley (1872-1898).
Aubrey Beardsley (1872-1898).
Aubrey Beardsley (ca. 1894).
Aubrey Beardsley (ca. 1897-1898).
Aubrey Beardsley (ca. 1897-1898).
António Nobre (1867-1900).
António Nobre (1867-1900), estudante em Coimbra.
António Nobre (1867-1900), estudante em Paris(1893-1894).
António Nobre (1867-1900) (à direita) em Cascais.
António Nobre (1867-1900) em Nova York.
António Nobre (1867-1900) num sanatório na Suíça, em busca da "cura" que nunca chegaria.
António Nobre (1867-1900), em busca de "novos ares" na Madeira.
Uma das últimas fotografias de António Nobre (1867-1900).
Casa onde António Nobre (1867-1900) faleceu vitimado pela tuberculose.
Em tempos que já lá vão (felizmente!), esta lindíssima, doce, delicada e romântica rapariga seria comparada a alguém que sofresse de tuberculose...
José Duro (1875 - 1899).
Referência para o tema "Menina e moça" gravado em 1927-1928. Não foi possível trazê-lo para aqui. Há que ir ouvi-lo na versão original neste disco.
Políbio Gomes dos Santos (1911-1939).
Políbio Gomes dos Santos (1911-1939) e Joaquim Namorado (1914-1986). O meu tio-avô Joaquim... (Nota do Autor).
Já há muitos anos, têm aparecido, por entre o vasto mercado de edições em CD de baixo preço, diversas colectâneas de Rod Stewart que não mais terão contribuido do que para lançar alguma confusão entre quem pretende ter um conhecimento mais profundo da carreira deste artista. Não é que elas sejam desinteressantes - aliás os erros que dentro delas surgem constituem alguns dos mais cómicos episódios do mercado discográfico actual e, por outro lado, poderão ser reveladores de algumas situações não tão pouco frequentes como se julgue.
Todas estas colectâneas têm uma apresentação chamativa ao mostrarem uma fotografia inequívoca de Rod Stewart no seu melhor, mas que não corresponde em nada à época em que ele terá gravado as versões originais de muitos dos temas que aí surgem. Pode-se usar como paradigma a colectânea referida em baixo, dado que quase todas as outras pertencentes ao universo "low-price" incluirão os mesmos temas ou até excluem alguns.
O essencial dos temas aqui incluidos, provém de uma outra colectânea de baixo custo, lançada por volta de 1976, "A Shot Of Rythm And Blues", quando Rod Stewart já era uma figura consagrada mundialmente e, contra a qual, na altura, ele se terá insurgido. Estes temas haviam resultado de algumas sessões de gravação, decorridas no Verão de 1964, após Stewart ter assinado um contrato com a Decca Records e com o intuito de gravar o seu primeiro single a solo - "Good Morning Little Schoolgirl"/"I'm Gonna Move To The Outskirts Of Town". De referir que a colectânea acima visível, não inclui este seu primeiro single. Com a óbvia excepção dos dois temas incluídos no single, todos os outros ficariam inéditos até 1976, quando surgiu a referida colectânea nos Estados Unidos. Os temas seriam sujeitos a um verdadeiro tratamento de choque, denominado "reforço instrumental", de forma a dar-lhes um som mais "moderno" e adquirir uma sonoridade estereofónica, visto que na sua versão de 1964, só existiam em “mono” e continham apenas um “naipe” básico de músicos.
Neste vídeo acima, encontram-se as demos de 1964 a que se faz aqui referência, juntamente com os singles "The Day Will Come" de 1965, "Shake" de 1966 e a versão experimental de "Little Misunderstood" gravada por volta de 1967-1968. Todos os temas encontram-se com o seu som original. Os vídeos seguintes permitem fazer uma melhor comparação entre as versões originais e aquelas onde houve as alterações referidas.
Rod Stewart - "Bright Lights, Big City" (1964 - 1976). Este é um exemplo das referidas "demos" gravadas em 1964, aqui já com o acrescento instrumental e som stéreo para o seu lançamento em 1976, inicialmente contra a vontade de Rod Stewart. A versão original tem um som muito mais simplificado e, por isso, genuíno.
Desta forma, à revelia de quem os havia concebido e interpretado, entre outros aspectos, são gravados “por cima” novos instrumentos adicionais, reforçado o som da bateria e, inexplicavelmente, truncado o início instrumental de alguns dos temas. Esta “revisitação” de um material que se poderia considerar sem utilidade para todo o sempre, poder-lhe-á ter dado uma nova vida e actualidade, mas, segundo muitos críticos, desvirtuou-os completamente.
Para além dos remisturados temas inéditos de 1964, esta colectânia inclui na integra os temas dos dois outros singles gravados a solo: o primeiro, "The Day Will Come"/"Why Does It Go On", editado em Novembro de 1965 e o segundo, "Shake/I Just Got Some", editado em Abril de 1966.
Rod Stewart - "The Day Will Come" (1965). Neste exemplo, em cima, ouve-se a versão original de 1965. Em baixo, é o mesmo tema, mas com o tal referido "tratamento" instrumental e sonoro para o seu re-lançamento em 1976.
Rod Stewart - Why Does It Go On (1965). Rod Stewart - Why Does It Go On (1965-1976).
Rod Stewart - "I Just Got Some" (1966).
Rod Stewart - "I Just Got Some" (1966-1976).
Nenhum deles teve êxito na época da sua edição original. Na colectânea acima referida, surgem sujeitos ao mesmo tratamento criticável de "reforço instrumental" e "estéreofonização", de forma a iludir a sua "idade" verdadeira. Durante este período de 1965/1966, Rod Stewart integrou também, ao lado de Long John Baldry, Julie Driscoll, Brian Auger e outros, um grupo de blues denominado "TheSteampacket". Desta breve aventura, são seleccionados dois temas, ambos covers, de dois clássicos "Can I Get A Witness" e "Baby Take Me". Estes também foram sujeitos ao já referido "tratamento de choque" da remistura.
Steampacket - Baby Take Me (1965).
Profundamente remisturado e sonoramente actualizado, surge também aqui o histórico dueto entre Rod Stewart e P.P. Arnold, proveniente de uma sessão de gravação produzida por Mick Jagger, no ano de 1967: "Come Home Baby".
Rod Stewart & P.P. Arnold - "Come Home Baby" (1967).
"Just A Little Misunderstood", é a demo do tema que seria o lado A do seu quarto single, editado, depois de alguns meses de adiamento, em Março de 1968: "Little Miss Understood/So Much To Say (So Little Time)". Esta versão experimental surge aqui, tal como muitos dos outros temas escolhidos, sem a parte instrumental do piano com que originalmente abria.
Rod Stewart - "Just A Little Misunderstood",a demo de "Little Miss Understood" (1967), tal como era originalmente.
A mesma demo anterior, mas sem a parte instrumental com que originalmente começava e com algumas alterações sonoras.
Por fim surgem vários temas "misteriosos", mas muito conhecidos de quem alguma vez experimentou comprar uma das muitas diversas colectâneas de baixo preço sobre Rod Stewart. São eles: "Sparky Rides", "Red Ballroom" e "Wide Eyed Girl On The Wall". São três exemplos de que um erro estúpido cometido uma única vez, poder-se-á, por vezes, perpetuar e multiplicar para todo o sempre. Por outro lado, estes erros poderão ter explicação numa outra situação que valerá referir mais adiante.
Rod Stewart - Sparky Rides.
The Small Faces - Wham Bam Thank You Mam (1968-1969).
The Small Faces - Donkey Rides, A Penny, A Glass (1968).
O tema "Sparky Rides", na verdade, é a canção "Wham Bam Thank You Mam", que surgiu no lado b do último single do grupo SmallFaces, lançado no começo de 1969, quando o seu líder Steve Marriott já tinha abandonado esta banda, para depois ir formar os Humble Pie com Peter Frampton. O tema surge aqui com som mais "potente" do que na sua edição originalmente lançada em 1969, graças, de novo, a uma forte dose do já referido tratamento de "reforço instrumental". O estranho título "Sparky Rides", deriva de uma má leitura do título abreviado de um outro tema também dos Small Faces: "Donkey Rides, A Penny, A Glass". Este último era o título do lado b do penúltimo single oficial dos Small Faces, lançado em finais de 1968.
Rod Stewart - "Red Ballroom".
O tema "Red Ballroom" é a repetição de um outro tema já também referido: "Come Home Baby". A única diferença reside no facto de esta "versão" ter sofrido um menor tratamento de "reforço instrumental" e, desta forma, apresentar um som muito mais próximo da versão originalmente gravada em 1967. O título "Red Ballroom", sem qualquer relação com a letra da canção, resulta também da má leitura do título de outro tema, também dos Small Faces, denominado "Red Balloon".
The Small Faces - Red Balloon (1968-1969).
Tratava-se de uma versão desta banda de um tema original de Tim Hardin (também autor de "Reason To Believe"), que havia ficado inédito quando os Small Faces se desfizeram no começo de 1969. O tema "Red Balloon" seria, meses mais tarde, recuperado no último, mas "póstumo", álbum duplo dos Small Faces "The Autumn Stone". Os dois temas atrás referidos surgem, nesta colectânea, sob a autoria errada de Rod Stewart.
O terceiro exemplo de tema "misterioso" é "Wide Eyed Girl On The Wall", tema dos SmallFaces e não de Rod Stewart. Aqui, a autoria está correcta, visto que o tema a que se refere é da autoria da dupla Steve Marriott e Ronnie Lane, ou seja, os dois principais compositores e elementos da banda Small Faces. Acontece que o tema que aqui surge sob este título, apesar de ter a mesma autoria, é de novo "Wham Bam Thank You Mam", embora numa versão de estúdio anterior à final editada e sem o tratamento de "reforço instrumental" que recebeu sob o título de "Sparky Rides". O verdadeiro "Wide Eyed Girl On The Wall" é um tema instrumental, provavelmente inacabado, também incluído no álbum final dos Small Faces, "The Autumn Stone".
The Small Faces - Wide Eyed Girl On The Wall (1968-1969).
A razão para estes erros sistemáticos, prender-se-á com todo um conjunto de circunstâncias ocorridas entre 1967 e 1970, que tinham um denominador comum : a Immediate Records.
Esta editora independente havia sido criada pelo famoso e antigo produtor e manager dos Rolling StonesAndrew Loog Oldham, em 1965. Por esta editora discográfica passaram muitos nomes da música dos anos 60, muitos deles hoje esquecidos, apesar de também se incluirem cantores e grupos que teriam sucesso, em especial logo depois de terem feito aqui a sua estreia. Todos aqueles que queiram ter um conhecimento melhor deste período da história da música, não poderão ignorar, pelo menos, as diversas colectâneas actualmente existentes no mercado, onde surge o grosso do temas, sobretudo em single, que foram gravados para a Immediate Records.
Esta editora acabaria por ser extinta em 1970, devido sobretudo a problemas financeiros provenientes de uma má gestão. Muitos dos seus artistas não veriam, pelo menos durante longos anos, a cor do dinheiro das suas "royalties". Entre estes estavam os Small Faces, cujos elementos sobreviventes só conseguiram ver esta situação injusta resolvida há muito pouco tempo atrás.
Rod Stewart, depois do fim da aventura falhada dos Shotgun Express, em Janeiro de 1967, decide investir de novo na sua carreira a solo e após um período de incerteza, decide assinar um contrato com a então muito reputada Immediate Records. Em paralelo, havia ingressado, como vocalista principal no "Jeff Beck Group", onde se começaria verdadeiramente a fazer notar junto do grande público. Para respeitar o contrato com a sua nova editora decide iniciar as gravações do já atrás referido single, "Little Miss Understood"/"So Much To Say (So Little Time)".
Rod Stewart - Little Miss Understood (1967-1968).
É numa destas sessões que surge a tal versão experimental do tema do lado A, que é utilizada em muitas colectâneas de baixo preço, quase sempre com a parte do inicio do piano (inexplicavelmente) truncada. Logo de seguida, desenrolar-se-ia a sessão de gravação produzida por Mick Jagger, de onde sairia o dueto com P.P. Arnold"Come Home Baby".
Acontece que nesse mesmo ano de 1967, os Small Faces, tendo rescindido o seu contrato com a Decca Records, também assinariam um novo contrato com a Immediate Records. Nesta editora gravariam, pelo menos, dois dos seus melhores álbuns, um deles o incontornável "Ogden's Nut Gone Flake" de 1968, para além de uma série de singles interessantes, antes de se dissolverem no começo de 1969.
The Small Faces - Lazy Sunday (1968).
The Small Faces - "Afterglow" e, sobretudo, "Long Agos And Worlds Apart" (1968).
Esta editora era um pequeno mundo, onde quase todos os seus protagonistas se conheciam uns aos outros, pelo menos de vista. Sendo Rod Stewart já uma figura peculiar e de elevado perfil e os Small Faces um dos mais famosos grupos da Immediate Records, não seria de espantar que os seus caminhos se cruzassem com frequência, tanto no estúdio como nas digressões. Por outro lado, as suas influências e referências musicais, nomeadamente a nível do blues, eram mais do que semelhantes.
Para além disto, a voz de então de Rod Stewart, apesar de inconfundível, tinha algumas sonoridades muito próximas com a de Steve Marriott (em cima), o líder e a voz principal dos Small Faces. Não admiraria que um ouvinte com menor cultura musical e pior ouvido (e nunca houve falta de gente assim), tendesse a confundi-los, por vezes. Por outro lado, o desgaste progressivo das fitas de gravação tenderia a apagar o brilho do som das suas vozes e, decerto, tornar mais fácil a confusão. Esta aparente similaridade entre as vozes de Stewart e Marriott, seria também um factor que incentivaria os outros três membros dos Small Faces a convidar o primeiro para lider do grupo que lhes sucederia, os Faces.
The Faces, com Rod Stewart (1º à esquerda) e Ronnie Wood (ao centro).
Acrescente-se a isto o facto de, após a dissolução dos Small Faces no começo de 1969, os laços de convívio e até de amizade entre os três membros restantes e a banda Jeff Beck Group, com Rod Stewart como vocalista principal, se haviam estreitado muito. Além disto, foi frequente, nesse período de 1969/1970, a sua participação conjunta em projectos musicais de curta duração, nomeadamente o há poucos anos descoberto Quiet Melon.
Quiet Melon - Engine 4444 (1969). Esta breve formação incluía Rod Stewart, Ronnie Lane, Ian McLagan, Kenny Jones, Ronnie Wood e, como líder, o seu irmão Art Wood (que, anos antes, havia fundado a banda de rock-blues "The Artwoods", onde, entre outros, se encontravam o teclista Jon Lord (depois nos Deep Purple) e o baterista Keef Hartley).
Paralelamente, dá-se a extinção da Immediate Records em 1970. Na sequência disto, houve que tomar a árdua tarefa de decidir o que fazer com o respectivo património, muito do qual terá sido vendido para tentar amortizar as muitas dívidas então pendentes. Por outro lado, é preciso não esquecer o elemento fundamental do muito material gravado proveniente dos diversos artistas e grupos que haviam sido editados pela Immediate ao longo daqueles breves cinco anos. É certo que, durante esse período confuso e incerto, muitas gravações, entre demos e masters, terão passado por diversas mãos, nem sempre as mais idóneas.
Entre estas terá estado quem terá visto nestas tapes uma possivel fonte de lucro, lançando compilações de critério duvidoso e sem o devido rigor. A colectânea de Rod Stewart supra-citada é um exemplo de uma de muitas das que foram convertidas para formato CD. Quem primeiro organizou a selecção básica, terá decerto também recorrido ao precioso filão da Immediate Records e acabaria por incluir nas gravações escolhidas algumas pertencentes ao repertório dos Small Faces, confundindo a voz de Steve Marriott com a de Rod Stewart que se havia tornado no vocalista principal do grupo Faces, sucessor da outra banda. Muito provavelmente, fitas relativas ao mesmo período estariam armazenadas no mesmo sítio (ou caixote) e numa desorganização completa, que era o que estava a acontecer com os bens pertencentes à Immediate Records. Isto terá facilitado, para um compilador pouco cuidadoso, a troca de títulos de vários temas. Para mais, esse mesmo compilador não terá conseguido entender a caligrafia de quem escrevera esses títulos nas etiquetas das caixas das respectivas tapes e acabou inventando, pelo menos, dois novos temas para o vasto repertório de RodStewart - os já referidos "Sparky Rides" e "Red Ballroom". Há erros para a eternidade...
Felizmente, uma editora muito competente, a Sanctuary Records, através da sua Castle Communications, acabou por ficar, gradualmente, com a posse de muito desse precioso material da Immediate Records, tendo, com alguma regularidade, editado diversas compilações bastante interessantes e essenciais.
A primeira fase da carreira artística de Rod Stewart tem passado um tanto quanto ao lado de muitos, mesmo incluindo fãs. Quando se lança um olhar para os tempos anteriores a 1970, muitos não vêem mais do que um denso nevoeiro onde se distinguem apenas algumas formas enigmáticas. A sua carreira de cantor começou a dar os seus primeiros passos ainda no tempo do liceu, ao formar grupos musicais de ocasião com alguns colegas e amigos que partilhavam os mesmos gostos musicais, com predomínio para o “skiffle”, que então fazia moda em terras britânicas. Ao abandonar a escola ingressou em diversos trabalhos de curta duração, tendo, pelo meio, feito várias tentativas para fazer carreira no futebol, outra das suas grandes paixões. Algum tempo depois, decide investir no seu talento para a música e integra, pelo menos, uma de diversas bandas então existentes que tocavam jazz e blues, para além de viajar e fazerem diversos espectáculos dentro e fora das ilhas britânicas. Numa destas ocasiões, é preso por “vagabundagem” e repatriado para Inglaterra. A partir daqui, Stewart começa a tentar a sua sorte, igualmente, pelo circuito dos bares e pequenas casas de espectáculo. Começa a ser convidado a participar como mais um elemento convidado em algumas dessas bandas obscuras que actuavam, esporadicamente, nesses locais. Acabará mesmo, por essa altura, por participar na gravação de um “single”, de um grupo que não teria qualquer impacto comercial. É numa dessas ocasiões que começa a chamar a atenção de um cantor branco de blues, que já era mais ou menos conhecido nos circuitos musicais britânicos: “Long” John Baldry. Este convidá-lo-ia a ingressar no seu grupo de então, “Hoochie Coochie Men”, onde chegaram a partilhar a voz principal, e isto constituiria o seu verdadeiro “pontapé-de-saída” no começo da sua longa carreira musical que perduraria até hoje. Rod Stewart tornar-se-ia uma presença cada vez mais notada nos diversos espectáculos de “rythmn’n blues” que se realizaram em Inglaterra, nesse começo de 1964, apesar de, inicialmente, devido à sua natural timidez, sofrer de um certo “stage-fright”, ou seja, receio de actuar em público. Este contacto mais directo com o panorama musical de então, vai-lhe abrir as portas do estúdio onde ele gravaria o seu primeiro verdadeiro disco “single” a solo, no Verão de 1964. No lado A estava o tema “Good Morning Little Schoolgirl” e no lado B “I’m Gonna Move To The Outskirts Of Town”. No entanto, estes dois temas eram apenas uma selecção feita a partir de uma série de “demos”, essencialmente constituídas por “covers” de temas já existentes de blues, da autoria de nomes consagrados, como Jimmy Reed e Willy Dixon. Só os dois temas incluídos nesse seu primeiro “single” a solo, receberiam o tratamento e os arranjos finais devidos, tendo os restantes ficado inéditos e inalterados por vários anos. Acabariam por surgir, por volta de 1976, numa colectânea de baixo custo editada por uma editora pequena. Por esta altura, em meados da década de 70, já Rod Stewart era um cantor consagrado.
Foi apenas com a sua posição de cantor principal no “Jeff Beck Group”, que Rod Stewart começou a ser verdadeiramente conhecido do grande público. Foi, decerto, devido à sua peculiar voz e à sua muito pessoal forma de interpretar temas de rock e blues, que os dois álbuns lançados por este grupo, em 1968 e 1969, foram um êxito muito expressivo nos dois lados do Atlântico. No entanto, uma reunião tão perfeita de vários talentos musicais, acabaria por desencadear um óbvio confronto de personalidades, o que esteve, com certeza, implicado na dissolução deste grupo, ao fim de apenas quase dois anos de reunião. Dissolvido o “Jeff Beck Group”, Rod Stewart pode dedicar-se definitivamente à sua carreira a solo, com a gravação do seu primeiro álbum, saído no Outono de 1969. Este álbum seria primeiro lançado nos Estados Unidos, sob o título óbvio de “The Rod Stewart Álbum”, mas teria um título diferente na sua edição britânica, escolhido a partir de um dos seus temas: “An Old Raincoat Wouldn’t Let You Down”. E aqui começaria uma história de sucesso e consagração, já muito conhecida do público em geral.
Em termos de reprodução, os mamíferos podem-se dividir em três grupos básicos: os placentários, que constituem a maioria esmagadora, os marsupiais e os monotrématos. Os monotrématos constituem um grupo à parte na vasta família dos mamíferos. Como o próprio nome indica, apenas possuem um orifício, ou cloaca à semelhança das aves. A sua outra característica fundamental é o facto de serem ovíparos, isto é, nascerem a partir de ovos chocados no exterior. Estes dois aspectos constituem um elemento fundamental para caracterizar os monotrématos como um grupo de mamíferos primitivos. De facto, encontram-se mais próximos do elo evolutivo, que liga os mamíferos aos seus antepassados répteis e pertencem a uma vasta família cuja maioria dos seus membros já se extinguiu há muitos milhões de anos. Desta forma, os monotrématos existentes podem ser considerados mais um exemplo de “fósseis vivos”, para além de serem um dos mais pequenos grupos em termos de espécies animais incluídas. Nos monotrématos incluem-se, fundamentalmente, apenas duas: os ornitorrincos e os equidnas. Estas duas espécies são endémicas tanto na Austrália, como na zona da Nova-Guiné, embora diversos fosseis encontrados noutras partes do globo, façam crer que já estiveram mais disseminados em tempos remotos.
O ornitorrinco é um animal cujo corpo se encontra perfeitamente adaptado à vida aquática, não só devido às pregas existentes nas suas patas, como ao seu focinho que termina num bico algo semelhante ao pato. O seu aspecto aparentemente inofensivo é contrariado pelos esporões defensivos que ele possui em cada uma das patas traseiras, que segregam um veneno bastante doloroso.
O seu aspecto algo bizarro deu origem a que, durante algum tempo, se considerasse um completo embuste as suas primeiras referências, feitas pelos primeiros colonos ocidentais a chegarem ao continente australiano.
O equidna também se destaca pelo seu aspecto algo peculiar, embora seja por vezes confundido com o ouriço-cacheiro, devido aos longos espinhos que cobrem o seu dorso e ao facto de também se enrolar sobre si mesmo quando ameaçado. O seu focinho termina num longo bico, que lhe dá igualmente uma fisionomia algo semelhante a um pequeno tamanduá.
Ao contrário do semi-aquático ornitorrinco, o equidna prefere as zonas mais secas e densamente florestadas, principalmente ao nível da vegetação rasteira, onde ele encontra os insectos que constituem a base da sua alimentação, com destaque para as formigas.
Este animal era conhecido tanto por "lobo da Tasmânia" como por "tigre da Tasmânia". Estes nomes deviam-se, no caso do primeiro, à sua leve semelhança com um canídeo selvagem e, no caso do segundo, às riscas existentes na maior parte do seu dorso e da tonalidade do pêlo não muito diferente da do tigre verdadeiro. Mas as comparações com aqueles dois carnívoros ficavam por aqui, pois este animal não tinha qualquer parentesco com eles.
O "tigre da Tasmânia" era um marsupial carnívoro, autóctone, claro está, da Tasmânia, que é uma vasta ilha a Sul da Austrália. Desta forma, só tinha um muito distante parentesco com os outros marsupiais existentes por estas coordenadas, entre os quais se encontram os cangurus, os vombates e os qualas. Era um animal que caçava preferencialmente depois do anoitecer, sendo, pelo contrário, algo esquivo durante a luz do dia. Tinha a característica de ser um predador bastante voraz e a particularidade, algo engraçada, de conseguir abrir as suas mandíbulas num ângulo muito superior à maioria dos outros carnívoros actualmente conhecidos.
Devido ao facto de caçar pela calada e ter estado implicado nos ataques a diversos animais de criação introduzidos nessas terras pelos colonizadores, foi considerado danoso para a economia local e encarado como um alvo a abater. Tarde demais, descobriu-se que esta culpa exclusiva era, muitas vezes, atribuída, injustamente, ao "tigre da Tasmânia". Na verdade, existiam também outros predadores implicados na morte e desaparecimento de galináceos e gado ovino, em especial o "dingo", este um descendente selvagem dos cães domésticos.
Dingo.
Foi vítima, entre o fim do século XIX e o princípio do século XX, de perseguições indiscriminadas e implacáveis por parte sobretudo de fazendeiros, criadores de gado e grandes proprietários. Para agravar as coisas, muitos deles foram incentivados, pelos governos centrais e locais, com a possibilidade de receberem prémios avultados por cada exemplar morto, inclusive se se tratasse de ninhadas completas. Há registos fotográficos, alguns revelando requintes de crueldade, onde surgem esses caçadores mostrando, com orgulho desmedido, os exemplares mortos, tanto com o fim de receberem o dinheiro prometido, como de mostrarem alguma valentia e ousadia.
Esta visão do “tigre da Tasmânia” como uma praga a combater até ao extermínio, perdurou, mesmo à revelia de recomendações oficiais em sentido contrário, até à década de 1930. Nesta altura, o essencial dos “tigres da Tasmânia” que existiam vivos, praticamente só eram vistos em cativeiro.
A maioria destes agora raros exemplares acabaria por ir morrendo aos poucos, por vezes devido a doenças contraídas, quer durante o transporte, quer já no próprio cativeiro, quando não à simples negligência dos respectivos tratadores.
O último exemplar conhecido vivo sobreviveu vários anos num jardim zoológico em Hobart, na Tasmânia. Acabou por ficar conhecido pelo nome de “Benjamin” e constitui o protagonista de quase todos os poucos filmes que chegaram até nós deste animal peculiar. Ainda hoje, não se sabe ao certo se este animal era macho ou fêmea. Acabaria por morrer em 7 de Setembro de 1936, marcando esta data, segundo se presume, o momento da extinção de mais esta espécie animal.
Oficialmente, este animal encontra-se extinto, embora tenham surgido, de tempos a tempos, relatos não confirmados de ter sido visto um ou outro exemplar. No entanto, nunca foi comprovada a sua veracidade, supondo-se mesmo tratarem-se de boatos e encenações. Nalguns casos, as supostas testemunhas chegaram a tirar fotografias, mas aquilo que era possível visionar ou não seria suficientemente elucidativo ou tinha muitos contornos de montagem. Mesmo assim o mistério mantém-se aceso. A proliferação destes relatos pouco verosímeis resulta, em grande parte, de uma promessa de recompensa monetária importante, para quem conseguir localizar ou, melhor ainda, capturar um exemplar vivo e em bom estado. Acontece que, dada a natureza comportamental deste animal, só uma equipe devidamente apetrechada conseguiria fazer uma captura dentro dos requisitos exigidos.
Houve o caso de alguns caçadores de prémios pretenderem recorrer ao método mais simples de captura, a armadilha, o que, devido aos óbvios danos físicos que isto causaria aos animais, foi expressamente proibido nas zonas onde estes pudessem ser encontrados. Desta forma, a existência actual, ou não, do “tigre da Tasmânia” continua a ser um assunto em aberto.
Outra forma de tentar fazer renascer este animal supostamente extinto, segundo alguns especialistas em genética, seria através da clonagem, recorrendo a material de ADN proveniente de diversos exemplares conservados em muitos museus de História Natural existentes no mundo. Chegou mesmo, há poucos anos, a ser constituída uma equipa de trabalho, cuja missão é trazer de novo à vida o “lobo da Tasmânia”. Recorrer-se-ia à clonagem dos materiais genéticos recolhidos, tal como já havia sido feito, com algum sucesso, com a famosa ovelha “Dolly”. O exemplar utilizado como ponto de partida foi um feto relativamente bem conservado. Após algumas paragens momentâneas, este complexíssimo processo ainda está em curso. No entanto, os detratores desta ambiciosa missão, referem, com algum conhecimento de causa, que o DNA disponível se encontra em muito mau estado devido, entre outros aspectos, ao longo tempo decorrido desde a morte do exemplar escolhido. Mesmo assim, devido aos fabulosos progressos que têm sido conseguidos no campo da clonagem e da engenharia genética, é de supor, até certo ponto, uma possibilidade de sucesso.