sábado, março 20, 2021

Kaleidoscope ou Fairfield Parlour? A capacidade de saber evoluir ou duas faces de uma banda.

Esta banda é daquelas de que se pode dizer: "dela não se fala, ouve-se!".




No tempo dos "Sidekicks".

Em 1965, mudaram o nome para "The Key".

Logo em Janeiro de 1967, entram em contacto com uma nova editora e mudam o nome para "Kaleidoscope".

Com esta mudança, em princípios de 1967, os Kaleidoscope apanham o "comboio" dos, então, nascentes psicadelismo e "flower power" no momento certo e iniciam as gravações daquele que seria o seu primeiro LP "Tangerine Dream". As gravações, seguindo as novas "correntes", duram de Fevereiro a Setembro de 1967. Durante este tempo, conseguem absorver todas as influências desse período tão crucial da história da cultura.

Kaleidoscope - Tangerine Dream (1967).


Kaleidoscope - Kaleidoscope (1967).

Kaleidoscope.

Da esquerda para a direita: Steve Clark (1946-1999), Danny Bridgman (1947), Eddie Pumer (1947-2020) e Peter Daltrey (1946).

Kaleidoscope - Please Excuse My Face (1967).

Kaleidoscope.

Kaleidoscope - Mr Small, The Watch Repairer Man (1967).

Kaleidoscope.

Kaleidoscope - Dear Nellie Goodrich (1967).

Kaleidoscope.


Kaleidoscope - Jenny Artichoke (1968).

Kaleidoscope - A Dream For Julie (1967).

Kaleidoscope.




Kaleidoscope - Faintly Blowing (1969).

Kaleidoscope.

Kaleidoscope.

Kaleidoscope - Poem (1969).

Kaleidoscope

Kaleidoscope - If You So Wish (1969).

Kaleidoscope.

Kaleidoscope - Balloon (1969).

Kaleidoscope.




Fairfield Parlour - From Home To Home (1970).

Fairfield Parlour.

Fairfield Parlour - Emily (1970).

Fairfield Parlour.

Fairfield Parlour.

Fairfield Parlour.

Eddie Pumer .

Eddie Pumer

Paul McCartney e Eddie Pumer.

Eddie Pumer e Danny Brigdman.

Danny Brigdman e Eddie Pumer.


Peter Daltrey .

Peter Daltrey.

Peter Daltrey .

Peter Daltrey .

Peter Daltrey.

Peter Daltrey e a capa do primeiro LP dos Kaleidoscope "Tangerine Dream" (1967).

Peter Daltrey.


sábado, março 13, 2021

Bitter Sweet Symphony e Vindaloo: o original e a paródia


The Verve - Bitter Sweet Symphony (1997). Richard Ashcroft em modo "Juggernaut". Desconcertante!!!... E também algo cómico, de certa forma... Nesse ano (1997) o vocalista e líder dos The Verve chegou a ser comparado a Mick Jagger. Não é de espantar, pois este tema deriva de uma versão instrumental do clássico dos Rolling Stones de 1965 "The Last Time", o qual, cronologicamente, antecedeu imediatamente o seu memorável "(I Can't Get No) Satisfaction" (1965). 
 
The Andrew Oldham Orchestra - "The Last Time" (1966). Eis a tal versão instrumental do clássico dos Rolling Stones, a que os The Verve foram recorrer para formar a "base" do seu "Bittersweet Symphony" de 1997. Na altura, chegou a causar polémica... O que também contribuiu para aumentar o seu sucesso e, ironicamente, incentivar a reedição (finalmente!) deste "The Rolling Stones Songbook", até então completamente esquecido nas vagas implacáveis do tempo. A polémica acabou por durar muito menos tempo do que, então, se esperava... O "Bittersweet Symphony" é agora um clássico incontestável do chamado "som dos anos 90", que bem merece. E, desde então, o pior que os detentores dos direitos de autor e conexos (sobreviventes) deste tema dizem relativamente ao suposto "roubo" dos The Verve é: "bollocks!!!". 

Fat Les - Vindaloo (1998). Este tema acabou por ser um dos hinos da Inglaterra durante o Mundial de 1998.


segunda-feira, março 01, 2021

Roberto Carlos - o seu melhor tema e a sua melhor versão

 De maneira nenhuma sou fã do cantor Roberto Carlos, ainda que admire a sua (muito difícil) história de vida. Esta é que é a melhor e irrepetível versão deste tema clássico ("Quero Que Vá Tudo Para O Inferno"). Foi gravada em 1966 num programa da  RTP, (acho que era) o "Som & Ritmo", apresentado pelo saudoso Henrique Mendes ("Ponto de Encontro" e outros), quando Roberto Carlos veio a Portugal. Um arranjo simples e direto. Apenas guitarra, baixo e bateria. O som gasto pelo tempo dá-lhe um sabor muito especial... 

Para mim, uma versão que seria espetacular seria piano, baixo ou contrabaixo e bateria. Deita por terra qualquer outra que dela se tenha feito e venha a fazer! Inclusive a que ficou no seu primeiro LP de 1965, e com mais instrumentos (cuja parte instrumental introduz este vídeo), e mesmo a que uns muito nossos conhecidos GNR (de cujo repertório eu gosto) lançaram em no Verão de 2006. Esqueçam os primeiros 32 segundos deste vídeo e passem-nos à frente...

Roberto Carlos - Quero Que Vá Tudo Para O Inferno (versão ao vivo em Portugal de 1966). 

Falei numa possível versão deste tema de Roberto Carlos, utilizando apenas piano, baixo ou contrabaixo e bateria. Ficaria algo como este outro emblemático tema de um outro grupo brasileiro histórico, os Tamba Trio, aqui com a participação especial de outro nome importante da música brasileira: Edu Lobo. O tema é "Borandá" gravado e lançado em 1964.

Tamba Trio (com Edu Lobo) - Borandá (1964).


E, já agora, a talhe de foice, mais um pouco desse memorável "Som & Ritmo" de 1966:

Roberto Carlos - "Não Quero Ver Você Triste" (1966). Também esta é a minha versão preferida deste outro tema.

Tá bem, tá bem... Vá! Eu não me esqueci de pôr aqui o seu clássico "O Calhambeque"... Eis também a sua "versão Som & Ritmo" de 1966.

Roberto Carlos - "O Calhambeque (Road Hog)" (1966).

E, só mais isto...

Roberto Carlos - "História De Um Homem Mau" (1966).

Roberto Carlos - "Pega Ladrão" (1966).

Roberto Carlos - "Parei na Contramão" (1966).


John D. Loudermilk (1934 - 2016) - "Road Hog" (1962). Esta é a versão original de "O Calhambeque", popularizada por Roberto Carlos, por volta de 1965, entre os públicos de língua de expressão portuguesa. Para satisfazer a curiosidade de alguns...


terça-feira, fevereiro 23, 2021

LES BAROQUES: Língua - INGLÊS; Nome - FRANCÊS; Nacionalidade - HOLANDESA

 


Les Baroques - "Such A Cad" (1965).


Les Baroques - "Working On The Tsjing Tsjeng" (1966).


segunda-feira, fevereiro 01, 2021

Marble Phrogg... dos Marble Phrogg

 

Há não muito tempo, foi lançado em CD mais um desses álbuns que há muito estavam, literalmente, perdidos para sempre (e, afinal, a grande maioria dos discos gravados e lançados ao longo dos tempos e internacionalmente, dos mais variados formatos, incluem-se neste vastíssimo grupo).

O nome do álbum é "Marble Phrogg...", foi editado em 1968 e o enigmático grupo que o executa respondia pelo nome de "Marble Phrogg".

Todo este álbum é enformado por covers de temas de cantores e grupos, então (1968), já consagrados, por exemplo: Cream (de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker) ("I'm So Glad" e "Strange Brew"); Steppenwolf ("Born To Be Wild"); Jimi Hendrix ("Fire"); Byrds ("I Feel A Whole Lot Better"); Donovan ("Season Of The Witch"); Rolling Stones ("Connection"); Iron Butterfly ("Fields Of Sun"); The Animals (então sob o nome de "Eric Burdon & The (New) Animals") ("Sky Pilot").

Estas versões têm uma qualidade variável mas, neste caso, a minha preferência vai para os originais. Não é que eu seja purista! Há por aí versões de temas conhecidos e mais obscuros que chegam a ser melhor do que os originais e têm, muitas vezes, o condão de tirar do anonimato os seus autores e intérpretes originais (por vezes, já tarde demais, quando estão mortos...).  Por exemplo, Bob Dylan que, apesar de todo o seu valor enquanto compositor e intérprete genuíno, nos começos da sua carreira saiu do seu anonimato inicial graças às versões de outros cantores e grupos, então, seus contemporâneos. Muitos destes, são hoje menos lembrados do que o "mestre" e Prémio Nobel. Quantas vezes ainda hoje se fala em "The Association", "Manfred Mann", "Peter, Paul & Mary", "13th Floor Elevators", "The Kingston Trio", "The Hollies", "Steve Howe", "Grateful Dead", "Golden Earring", "Fairport Convention" ou mesmo os "The Band", com quem Bob Dylan gravou, num período difícil e de quase reclusão, as famosas "Basement Tapes"??? 

Obviamente, alguns dos que lêem estas palavras terão aqui ouvido falar nestes nomes pela primeira vez...

À partida, o que pode haver de interessante em obter esta reedição em CD? Puro colecionismo? O facto de ser, exatamente, mais uma banda quase ignorada, parecer um objeto único e raro, senão um "achado", porque a generalidade dos cantores e grupos que foram sendo ignorados, raramente tem o "privilégio" de ser reeditado em CD? O facto de ser um álbum antigo e lançado em 1968, ano que, ainda hoje, muitos consideram "mítico"?

É verdade que, segundo fiquei a saber, o LP original é um dos mais procurados por colecionadores e está cotado, nesse mercado selecto, em valores exorbitantes. Mas é também verdade que, à generalidade desses colecionadores, o que interessa é o objeto em si, pois muitos deles nem sequer se atrevem a pô-lo num gira-discos com receio de o estragar e deteriorar ainda mais e, assim evitar a sua eventual "desvalorização". 

O que aqui falamos é na sua reedição em CD, no seu conteúdo musical! Também existe um crescente mercado de CDs raros, à venda a preços astronómicos, mas este ("Marble Phrogg...") ainda não atingiu esse estatuto. (Pode ser, daqui a umas décadas...)

Pessoalmente, eu não consideraria, à partida, um bom investimento comprar um álbum todo ele feito de versões de outros e de qualidade meramente aceitável ou, no máximo, banal. 

Todo? Não!

Logo, em segundo no alinhamento original, surge um tema que deve ser, de facto, o único original desta banda e que nos faz concluir que, se esta banda tivesse apostado mais em temas originais, este álbum seria de muito maior qualidade e valor. O tema é "Love Me Again". Muitos, eventualmente, lembrar-se-ão de um grande êxito, mais recente (2013), do cantor John Newman. Acontece que este (de 1968) não tem nada a ver com o que muitos estarão a pensar... 

É o tema que "salva" este álbum e acaba por, afinal, mais do que justificar a sua compra. Até passamos a ouvir (mais estas) versões de temas, já muito conhecidos, sob outra luz e com maior receptividade. Mas, aqui, é fundamental conhecer os originais que, na minha opinião, são bem melhores e imbatíveis e permitirão fazer um juízo mais fundamentado das capacidades destes Marble Phrogg. É claro, que não será fácil encontrar este CD à venda em Portugal...

Vamos então ao tal tema...

Marble Phrogg - "Love Me Again" (1968).

quarta-feira, janeiro 27, 2021

"It's All Meat"! ESTE TEMA DIZ TUDO!!!

 Falei, em posts anteriores, na temática do "BLUES". Eis um tema onde surge expressa a profundidade deste género musical. Pode soar datado, pois foi composto e lançado nesse ano (ainda hoje algo enigmático...)  que foi 1967. (Lembre-se tudo o que houve, nos mais variados campos, por essa altura.)

Este tema provém de um álbum com um título, então (1967), com muito significado: "WINDS OF CHANGE". 

Mas é o último tema do lado B... Portanto, nunca vem nas coletâneas e é sempre ignorado pela generalidade dos ouvintes... Mas encerra e bem, o respetivo álbum!

É muito curto, pois dura pouco mais do que 2 minutos, mas É DIRETO E CERTEIRO!!! E SEM RODEIOS!!! Como deve ser!!!...

(O facto de durar pouco, ainda pode provocar, nalguns ouvintes, a vontade de carregar várias vezes seguidas no botão que faz voltar os temas ao princípio...)


IT’S ALL MEAT

 

The sound of Muddy Waters and the voice of Jimmy Reed

When Ray Charles moans

It's all meat on that same bone

It's all meat on just one bone

 

When Miles Davis blows his horn,

When Ravi Shankar plays

It's all down home

But it's all meat on the same bone

It's all meat on just one bone

 

When Erkel Darbies (???) walks,

When Eric Clapton talks

There's only one place it can come from

And it's all meat on the same bone

All meat, same bone,

Do it!

 

Don't you listen to none of them jive hip squares

Try to tell you where the blues is from

'Cause the blues is from the whole wide world

Deep within the souls of men.

 

When Muhammad Ali gets mad

When an Irishman drinks

It's all for a woman

It's all for his home

It's all meat on the same bone

It's all meat, same bone

It's all meat, same bone

Same bone, same thing

It's all soul, It's all meat!


Olhando para a letra, muitos de certo pensarão: "Deve ser longo e arrastado!". Muito pelo contrário!!! Eu acho que é demasiado curto!!!

E, agora, o mais importante:

Eric Burdon & The (New) Animals - "It's All Meat" (1967). A fantástica execução da guitarra é de Vic Briggs (o segundo à direita na imagem) ou de John Weider (o primeiro à direita). Eric Burdon, a voz principal e o líder, está no meio (muito bem acompanhado... Seria a sua namorada de então?). 
Quando Eric Burdon decidiu, em 1966, formar os (New) Animals e foi para os Estados Unidos, reuniu-se de um grupo de músicos de eleição. Estes são, na imagem, da esquerda para a direita: Danny McCulloch (baixo e 2ª voz), Barry Jenkins (bateria e percussão) - o único elemento de uma versão anterior dos Animals, ainda em Inglaterra, Vic Briggs (guitarra), vindo também de Inglaterra, e John Weider (guitarra, violino e outros instrumentos).

Eric Burdon & The (New) Animals. Era este o aspeto do grupo por alturas do lançamento do LP "Winds of Change" (1967).

Eric Burdon & The (New) Animals - "Just The Thought" (1967-1968). Tema proveniente do segundo LP "The Twain Shall Meet", gravado no final de 1967 e lançado em Maio de 1968. Neste disco, os arranjos instrumentais são reveladores de uma crescente complexidade, e as letras tornam-se mais esotéricas, revelador de um mergulho mais fundo no psicadelismo, então, corrente. É um disco de adesão um pouco mais difícil do que o anterior, mas não menos interessante e contém alguns dos temas mais estranhos do repertório desta banda, inclusive este "Just The Thought". A voz principal não é a de Eric Burdon, mas sim do baixista Danny McCulloch. Eric Burdon é a outra voz que recita os versos. De referir que este Danny McCulloch, mais tarde, num livro lançado poucos anos antes do seu falecimento, em 2015, afirmará que ter sido membro dos Animals, foi o maior erro da sua vida...

No ano seguinte (1968), a formação original sofreria importantes transformações. De início, o número de elementos aumentaria com a chegada de um certo Zoot Money (que também respondia pelo nome de George Bruno), que iria ocupar os teclados. De seguida, saem Danny McCulloch e Vic Briggs e chega, mesmo a tempo de participar nas gravações do disco final "Love Is" (finais de 1968), um certo guitarrista, também britânico, chamado Andy Summers... Este último, anos mais tarde, integraria, com Sting e Stuart Copeland, a sempre relembrada banda Police... Vale a pena ainda referir que esta banda, só durante o ano de 1968, lançou 3 álbuns! Coisa reservada a poucos... Apesar de tudo, quando o último foi lançado, em Dezembro de 1968, a banda tinha-se já desfeito abruptamente e o resto é História...

sexta-feira, janeiro 15, 2021

Paul Butterfield Blues Band e East-West: duas obras-primas de seguida e indissociáveis


Paul Butterfield igual a si mesmo... Mesmo antes de revelarem quem é o verdadeiro "Paul Butterfield", a gente já percebe quem é...


Paul Butterfield (1942 - 1987) e Mike Bloomfield (1943 - 1981): dois bluesmen da cabeça aos pés, um na harmónica, o outro na guitarra. Quando este Mike Bloomfield decidiu sair da banda de Paul Butterfield, para não mais voltar, a "Butterfield Blues Band" nunca mais foi a mesma. Aliás, a morte prematura destes dois músicos de alto nível, mas não reconhecido, constitui duas das maiores tragédias ignoradas da história da música ocidental do século XX. Direta ou indiretamente, sobretudo no caso de Mike Bloomfield, eles foram vítimas do esquecimento a que foram votados, em consequência de o blues ter perdido muito da sua importância, sobretudo a partir da década de 1970. Pode-se dizer que o "nicho" que este tipo de música ocupava, foi sendo gradualmente ocupado pelo chamado "heavy metal", nos seus mais diversos tipos. Tal como tem acontecido com o "heavy metal", também o blues-rock é um género de música que, mesmo nos seus tempos áureos, raramente beliscava os lugares mais inferiores dos "hit-parades". Ambos são dois géneros musicais intrinsecamente anti-mainstream e, sobretudo, anti-comerciais. Todavia, tal como o referido "heavy metal", o blues tem sempre mantido um núcleo de fans, adeptos e seguidores dos mais solidamente fiéis, quase como acontece nos clubes de futebol.

Documentário essencial onde ouvimos o veterano bluesman Son House e o, então, jovem Mike Bloomfield exprimirem as suas perspetivas acerca do que é, realmente, interpretar e, sobretudo, sentir o "verdadeiro" Blues. Mike Bloomfield, não se considera idêntico ao veterano Son House, apesar de o venerar. A distingui-lo dos, então na sua grande maioria, bluesmen negros, ele salienta, pelo menos, dois fatores: "Eu sou judeu!" e "Eu nasci numa família abastada". Mesmo assim, ele reconhece que o Blues, tem qualquer coisa de "místico". Ao ser "apanhado" por esta "mística", Mike Bloomfield "viveu" também o Blues à sua maneira: "Acabei por também levar muita "porrada"! Neste vídeo, a determinada altura, Mike Bloomfield fala dessa "figura" chamada Paul Butterfield, onde faz uma referência elogiosa ao seu, então, colega de banda. Algo como: "Ele é único! Ele é inimitável! Ele nasceu para o blues! Ele é um bluesman na sua mais profunda essência!". A encerrar, ouvimos Paul Butterfield e a sua "Blues Band", com Mike Bloomfield na guitarra principal, no Festival de Newport, em 1965. Foi nesta mesma edição do Festival, que Bob Dylan provocou "escândalo" ao tocar guitarra elétrica, acompanhado, precisamente, por esta "Blues Band". De referir ainda que Bob Dylan, no seu álbum "Highway 61 Revisited" (1965), contou com a participação de Mike Bloomfield e, por diversas vezes, a guitarra deste "brilhou". Tomemos como exemplo o tema que eu considero o melhor do "Highway 61 Revisited": "Tombstone Blues".

Bob Dylan - "Tombstone Blues" (1965). A letra é um perfeito exemplo de exercício de inspiração no máximo. É quase um romance surrealista transformado em canção. Destaque para a guitarra de Mike Bloomfield.

The Paul Butterfield Blues Band - Born In Chicago (1965). O tema de apresentação de Paul Butterfield. Há quem diga que, de facto e naquele tempo, ele andava armado, não só com a sua harmónica... Mike Bloomfield, mais tarde, afirmará que, quando conheceu Paul Butterfield, este lhe causava medo... Este último, pelo menos, manteria uma admiração por aquele, até à sua morte prematura...

The Paul Butterfield Blues Band - Shake Your Moneymaker (1965). Neste tema, Mike Bloomfield é o rei, aos comandos da sua inconfundível guitarra. Sugestão: escutar com o som bem alto!


The Butterfield Blues Band - Walkin' Blues (1966). De novo, Paul Butterfield e Mike Bloomfield na linha da frente, ainda que com novos elementos na banda.

The Butterfield Blues Band - Mary, Mary (1966). A versão original. A harmónica e a voz de Paul Butterfield e as guitarras de Mike Bloomfield e Elvin Bishop (também conhecido por "Pigboy Crabshaw") são únicas. A seguir ao álbum "East-West", Mike Bloomfield saiu repentinamente do grupo e Elvin Bishop passou a ser o guitarrista principal. 

The Monkees - Mary, Mary (1966-1967). A versão que teve mais êxito e ficou mais famosa. Conta-se que, quando esta versão foi lançada, houve protestos aqui e ali de fans de Paul Butterfield e não só. Estes achavam que a, então, recém criada banda The Monkees tinha "roubado" o tema e o adulterado. A versão "pop" desta canção pode ser criticável mas, na verdade, o tema não foi "roubado". O seu autor era, precisamente, Mike Nesmith, um dos elementos dos The Monkees (é, no video, o guitarrista). Acontece que este, uns meses antes, quando ainda a sua banda ainda não era famosa, ele ofereceu o tema ao grupo de Paul Butterfield, que fez uma interpretação genuína, como era de esperar... A única coisa, digna de registo, da versão dos Monkees é a parte rítmica, que ficou a cargo dos bateristas Hal Blaine e Jim Gordon, já então músicos de estúdio veteranos e muito requisitados. Hal Blaine tocaria bateria, por exemplo, em diversos temas dos The Mamas & The Papas. Jim Gordon, para além de ter sido "session musician", chegaria a integrar o super-grupo Derek & The Dominoes, liderado pelos guitarristas Eric Clapton e Duane Allman (1946-1971) (este último membro-fundador dos Allman Brothers Band) e que teria como seu maior êxito o tema "Layla" em 1970.

quinta-feira, janeiro 14, 2021

Peppermint Trolley Company: nascidos para a música


Temas provenientes do álbum "Beautiful Sun". 




The Peppermint Trolley Company - I've Got To Be Going (1968).

The Peppermint Trolley Company - Baby You Come Rollin' 'Cross My Mind (1968).

The Peppermint Trolley Company - Reflections (On A Universal Theme) (1968).

The Peppermint Trolley Company - Trust (1968).


sexta-feira, janeiro 08, 2021

Book A Trip: Uma dose a dobrar de psicadelismo

 Book A Trip - Volume 1


This Side Up - Book A Trip (1967).



The Shanes - Chris Craft Nº 9 (1966).


Chris & Craig - I Need You (1966).


Fargo - Robins Robins (1968).


Summer Snow (feat. The Peppermint Trolley Company) - Flying On The Ground (1967).


Moorpark Intersection - Yesterday Holds On (1967).


Sidewalk Skipper Band - Seventeenth Summer (1968).


Book A Trip - Volume 2

Raw Edge - October Country (1967).

Ellie Janov - Portobello Road (1967). Ellen Janov, que na sua adolescência foi também atriz de séries juvenis, estreava-se como cantora, interpretando aqui uma cover de um tema original de Cat Stevens que, no ano anterior (1966), também se havia estreado como cantor e compositor com temas como "I Love My Dog" e "Matthew And Son". Uma frase muito repetida ao longo da canção é "Growing old is my only danger". Ironia ou não, Ellie Janov, quando já tinha abandonado a sua carreira artística e iniciado a sua atividade profissional na área da psicoterapia, seguindo as pisadas do seu famoso pai, encontrou a morte com apenas 22 anos num incêndio... De referir que o autor da canção, Cat Stevens, também acabaria por ter a sua vida em risco, em 1969, quando descobriu que tinha uma tuberculose (!!!) e que, segundo os prognósticos dos médicos, poderia não sobreviver... Esta doença acabaria por implicar uma suspensão na sua carreira artística ainda que por menos tempo do que ele temia... Logo em 1970, regressaria aos escaparates um "novo" Cat Stevens, claramente "renascido". Este momento muito crítico na sua vida havia-o levado a ponderar, muito a sério, a sua carreira de então e explica, entre outras coisas, a mudança evidente de estilo musical para um registo mais acústico e introspetivo, claramente afastado das suas "grandes produções", muito orquestradas e, por vezes, "pomposas", de 1966-1968.

Michael Blodgett - Fire Engine Sky (1967).

Robbi Curtice - When Diana Paints The Picture (1968). Esta canção é pura poesia! Na ficha técnica deste tema surge dito que este tema não ficaria mal no emblemático álbum dos Zombies "Odessey And Oracle" (gravado em 1967/lançado em 1968). Eu também acrescentaria o "Pet Sounds" dos Beach Boys (gravado desde 1965 e lançado em 1966). Este vídeo constitui também uma homenagem aos principais elementos intervenientes neste tema. De facto, eles surgem, em ordem aleatória, em épocas diferentes da sua vida. Este último detalhe ainda lhe atribui um sentimento adicional... O tempo passa... As pessoas envelhecem... Vão desaparecendo...

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The Pink Cloud (feat. David Lucas) - Midnight Sun (1967).

James Flemming - Alone, Alone (1967).

domingo, dezembro 27, 2020

A imagem de Nuremberga


Uma das entradas na "Cidade Velha" de Nuremberga antes dos bombardeamentos da 2ª Guerra Mundial.

                  
Fotografia a cores de Nuremberga antes dos bombardeamentos da 2ª Guerra Mundial. Reparar no edifício que surge à direita. Era um moinho de água. Vai aparecer mais adiante numa foto obtida a seguir ao final da Guerra... 










Nuremberga. Ponte coberta (1935-1940).



A cidade de Nuremberga é frequentemente referida na História como o cenário principal dos famosos julgamentos de muitos (não todos) principais líderes e colaboradores nazis, que tiveram lugar a partir de 1945. 





Tal referência tão valorizadora, também teve como efeito a sua redenção, enquanto cidade histórica, relativamente ao facto de ter sido, durante anos, uma das cidades mais importantes do movimento nazi na Alemanha, senão a sua verdadeira “capital”, título que geralmente era atribuído a Munique. 




Estão gravados na História Universal os frequentes e megalómanos desfiles de tropas e forças paramilitares do regime de Hitler, sempre com a presença assídua do mesmo, sobretudo antes do rebentar da 2ª Guerra Mundial. Basta referir que aí foi construído, em tempo record, o maior parque de desfiles da Europa, destinado precisamente ao ponto culminante das celebrações nazis, que também incluíam desfiles pelas ruas de Nuremberga, onde os jogos cénicos eram essenciais. 

À direita, a secção Oeste dos edifícios da Câmara Municipal ("Altes Rathaus") enfeitada com bandeiras nazis.




Desfile nazi na grande praça Hauptmarkt. À direita, vê-se parte do conjunto dos edifícios que originalmente existiam no espaço hoje ocupado pela Nova Câmara Municipal ("Neues Rathaus") de Nuremberga. 


Terá residido aqui uma das principais razões que levaram a escolher esta cidade para acolher os principais julgamentos dos dirigentes e políticos, sobretudo entre 1945 e 1946.

Outra razão terá sido o facto de, no final da Guerra, não haver, no núcleo de localidades seleccionadas, incluindo Berlim, nenhum edifício suficientemente grande que oferecesse condições logísticas para a realização um evento, de tão elevada importância, num curto espaço de tempo. Esta circunstância devia-se ao facto de, nas cidades propostas, mais de três quartos dos seus edifícios estarem completamente destruídos ou seriamente danificados. 



No centro da imagem observa-se, quase irreconhecível, a praça Hauptmarkt, em 1945. Nesse local, o único elemento que permanecia salvaguardado, dentro de um bloco de betão, era a fonte Schöner Brunnen.

Fotografia sobre as margens rio Pegnitz que atravessa Nuremberga, depois da Guerra. Em primeiro plano, surgem os restos de um moinho de água, onde se vê um soldado americano, já referido numa foto que surge no começo desta postagem.


O edifício muito arruinado, que se vê à esquerda, é o antigo armazém de carne medieval, conhecido pelo nome de Fleischhaus. A ponte que surge mais no meio da imagem é a Fleischbrucke. No extremo direito da foto, vê-se parte dos destroços do moinho de água referido na foto anterior.

Perspetiva sobre a Cidade Velha de Nuremberga, de Norte para Sul, obtida a partir da praça Egidienplatz, onde existe ainda hoje uma estátua equestre, a que se fará referência mais adiante.


Entrada do exército americano em Nuremberga, em 1945. O edifício que se vê, muito danificado, no centro da imagem é o antigo armazém medieval "Mauthalle".

O referido edifício "Mauthalle", visto da mesma perspetiva, nos primeiros anos da Guerra.

O referido edifício "Mauthalle", em chamas.

Não se poderá dizer que Nuremberga estivesse de alguma forma intacta, muito pelo contrário. A sua Cidade Velha estava destruída numa dimensão na zona dos 90% e, fora deste núcleo urbano, a situação não era melhor. 

O referido tribunal ("Justizpalast") de Nuremberga, onde decorreram os principais julgamentos em 1945 e 1946. Por trás observa-se o semicírculo da prisão anexa.

No entanto, foi encontrado, exactamente no extremo Oeste da sua "Cidade Velha", o seu mais amplo tribunal, o "Justizpalast", dotado de prisão anexa, que surgia como o mais próximo do ideal pretendido. À data da sua selecção, este edifício não estava propriamente em condição pristina. 



Imagens das obras de restauro e adaptação do referido tribunal.


Também havia sofrido alguns danos, embora apenas de proximidade, mas não havia sido atingido pelo fogo, ao contrário do que se encontrava espalhado pela respectiva urbe. Aliás, este tribunal fazia parte de um complexo de vários edifícios construído junto a uma via principal de ligação entre Nuremberga e a pequena cidade próxima de Fürth. Mas, como os efeitos dos abalos dos bombardeamentos próximos não tinham afectado a sua estrutura, salvo algum estuque rachado e desprendido, a sua escolha foi feita sem hesitação.




Imagens do exterior do tribunal de Nuremberga, no decurso dos julgamentos.

De facto, no meio da destruição circundante, um edifício desta envergadura ainda de pé, destacava-se logo de imediato. Nuremberga foi, desde o começo da Guerra, um alvo previsível de bombardeamento. Não só pelo seu interesse industrial, mas também pelo simbolismo que ela carregava, embora, à partida e teoricamente, Munique surgisse mais destacada. De qualquer forma, e ainda hoje assim acontece, Nuremberga apenas tinha à sua frente, na região da Baviera, a cidade de Munique, quer em termos de tamanho quer em termos de importância histórica. É preciso não esquecer que os limites geográficos do que é vulgarmente designado de “Baviera” (“Bayern”) eram, antes de 1945, um pouco diferentes dos atuais. O mesmo se aplica a quase todos os outros ditos “estados federados” da Alemanha actual.




Várias imagens da grande praça Hauptmarkt de Nuremberga. Destaque para a fonte "Schöner Brunnen". A imagem inferior é de 1943 e mostra a referida fonte envolvida numa proteção de betão contra os já cada vez mais frequentes bombardeamentos. 

Nos primeiros tempos da Guerra, a única nação com a qual a Alemanha teria de contar, em matéria de ataques aéreos, era a Grã-Bretanha. Isto delineou desde logo, o possível destino de Nuremberga. Foi, desde logo, uma das poucas cidades da Alemanha a ter um sistema defensivo antiaéreo próximo do que era considerado o melhor naquele país, cujo paradigma era um pequeno punhado de localidades onde surgiam à cabeça Berlim e Hamburgo. Logo na Primavera de 1940 e por ordem expressa do “Führer” Adolf Hitler, foi das primeiras cidades a construir um sistema de abrigos antiaéreos de complexidade notória e, parte das suas zonas subterrâneas, foi seleccionada para armazenar bens culturais da mais diversa ordem, provenientes não só dessa localidade e de outras da Baviera, como Munique e Augsburg, como também de outros lugares mais afastados do solo germânico. No que se refere a este último pormenor, a cadência e o volume não parariam de aumentar ao longo do desenrolar do conflito.

De qualquer forma, inicialmente, as coisas não se processaram em Nuremberga exactamente como se previa.

            Esta cidade, bem como as outras desta região, estavam localizadas numa área demasiado a Sul para o alcance das formações dos bombardeiros britânicos então disponíveis. A R.A.F., quando começou a Guerra estava, em muitos aspectos, atrás das forças germânicas. A força aérea germânica, a Luftwaffe, era das mais avançadas e modernas da época. A Guerra Civil Espanhola, que tinha terminado há pouco, foi o palco onde exibiu a sua faceta mais temível, parecendo mesmo invencível. A Grã-Bretanha percebeu logo a natureza do inimigo que tinha em frente, e o esforço de propaganda da Alemanha nazi, onde muito se destacou Joseph Goebbels, até ao inicio das hostilidades, encarregar-se-ia de propalar essa imagem de, afinal aparente, invencibilidade. Perante um inimigo desta natureza, só havia dois comportamentos a adoptar: ou esperar sentado pela sua chegada, como quem espera uma morte certa, rezando para que não seja muito dolorosa, ou recorrer a todos os meios, recursos e estratégias possíveis, fazendo um esforço concertado máximo e numa corrida contra o tempo, sem ter qualquer certeza concreta de uma possível vitória. Os Aliados podiam ser derrotados mas, até que um tal desfecho ocorresse, não poupariam esforços para se manter em luta até ao fim. O seu potencial verdadeiro não tardaria a se revelar com cada vez maior certeza e evidência. As dúvidas iniciais não cessariam de se evaporar ao longo do decorrer do conflito.

            Todavia, de início, a R.A.F. não dispunha de um avanço tecnológico muito animador, no final do Verão de 1939, apesar de estar a tentar, já há algum tempo, fazer um esforço de modernização. De referir que, em matéria aeronáutica, o seu potencial não era de menosprezar. A sua Royal Navy, surgia como uma força temível, frente à Kriegsmarine alemã, esta durante muito tempo estagnada por imposições do Tratado de Versalhes. A R.A.F., apesar de parecer mais frágil, era já uma peça fundamental de auxílio à Royal Navy. Os investimentos da Coroa Britânica haviam sido, neste campo, preferencialmente em matéria defensiva. Para além disso, esta nação era pioneira no campo da tecnologia do radar, mais do que os seus potenciais inimigos julgavam.

            No entanto, no que respeita a uma força de bombardeiros, a situação da R.A.F. estava longe de ser animadora ou promissora. Os seus aparelhos eram bimotores e com limitada capacidade de voo, o que lhe dava um alcance reduzido. Era, na prática, uma força secundária, relativamente ao seu “Comando de Caças”, onde já se destacavam modelos de aviões como o Supermarine Spitfire e o Hawker Hurricane, que se revelariam essenciais na defesa das Ilhas Britânicas, e havia sido subestimado pelos seus inimigos, mais preocupados com a sua poderosa Marinha.

Neste quadro, a situação ficou ainda mais complicada após a operação de retirada de Dunquerque, na Primavera de 1940. As linhas defensivas antiaéreas germânicas, onde se incluíam as estações de radar, que não só detetavam os movimentos da aviação inimiga, como orientavam as esquadrilhas atacantes da Luftwaffe, estendia-se até aos limites costeiros da França e da Holanda.

Havia, por isso, uma grande distância de ida e volta, a percorrer sobre espaço aéreo inimigo, o que obrigava a manobras de diversão complicadas, da parte das formações de bombardeiros aliadas que, ainda tinham dificuldade em encontrar os seus alvos. Este problema das longas distâncias a percorrer sobre solo inimigo, seria, todavia, progressivamente colmatado, pelos progressos tecnológicos da parte dos Aliados, onde também ultrapassariam o Eixo. A conquista progressiva de terreno, incluindo a Itália e, mais tarde, a França, acabaria por colocar toda a área do Reich ao alcance das forças aéreas aliadas.

Nuremberga revelou-se, logo desde início, um verdadeiro “osso duro de roer” para as esquadrilhas de bombardeiros aliadas. Para além da já referida distância, esta cidade era difícil de localizar em voos nocturnos devido, acima de tudo, às suas condições geográficas. Para além disto, possuía uma defesa antiaérea das mais difíceis de transpor, em grande parte devido ao estatuto que tinha dentro do 3º Reich. O próprio castelo medieval do Burg, uma zona elevada no extremo Norte da cidade, era usado como bateria antiaérea.

O facto de uma formação de bombardeiros não conseguir encontrar o alvo da sua missão é sempre uma boa notícia para a cidade em questão. Contudo, já não o é para a zona que a rodeia. Ainda que Nuremberga, inicialmente, não fosse fácil de encontrar, a sua área geográfica foi crescentemente bombardeada ao longo da Guerra. Isto levava a que outras localidades próximas, incluindo Fürth e diversas aldeias, acabassem por sofrer danos. Por mais do que uma vez, diversos bombardeiros confundiram essas localidades com Nuremberga e várias de entre aquelas receberam cargas desproporcionadamente fortes para a sua extensão.

Imagem subsequente a um dos bombardeamentos realizados contra Nuremberga, durante o ano de 1943.

Mesmo assim, Nuremberga não foi poupada a destruições, ainda que episódicas, aqui e ali, sobretudo a partir de 1942. Pode-se afirmar que esta localidade foi sendo alvo de uma guerra aérea de desgaste, mas os bombardeiros aliados, durante quase todo o conflito, nunca haviam conseguido nesta cidade um resultado de destruição de assinalar, ao contrário do que já vinha acontecendo com outras localidades, em especial logo durante esse ano decisivo de 1943. Inclusive, foi num ataque aéreo a Nuremberga, cuidadosamente planeado para ser uma operação devastadora, não só pelo número de bombardeiros envolvidos (totalizavam 779), que a R.A.F. sofreu a sua maior perda de sempre em matéria de aparelhos e tripulações. Foram abatidos 96 bombardeiros e tudo isto numa só operação, tendo a cidade de Nuremberga sofrido apenas alguns danos “leves” – nunca tal tinha acontecido ao Comando de Bombardeiros britânico. Foi na noite de 30 para 31 de Março de 1944 e, chegou a causar uma grande celeuma dentro das mais altas patentes dos Aliados. Chegou a desconfiar-se de atos de espionagem e fugas de informação. Um excelente livro de Martin Middlebrook, “The Nuremberg Raid”, conta ao detalhe muito da situação deste desaire sofrido pelo Comando de Bombardeiros britânico.

Terá sido na sequência desta operação falhada que a R.A.F., por enquanto, passaria a investir em força, durante 1944, noutras localidades. Há que ter bem presente que, a partir da primavera de 1944 começaram, num esforço hercúleo e notável, os preparativos para aquilo que seria a “Operação Overlord”, como ficou designado o decisivo desembarque na Normandia, em Junho de 1944. O Comando de Bombardeiros, foi chamado a colaborar num esforço conjunto com a força aérea dos Estados Unidos, em ataques de maior precisão contra alvos estratégicos e vias de comunicações consideradas vitais para o 3º Reich, muito para o desagrado de alguns, como Sir Arthur Harris, que continuava a advogar a continuação do bombardeio sistemático dos centros urbanos germânicos e seus aliados.

Isto fez com que a generalidade das cidades alemãs atravessasse um período de maior acalmia, durante a primavera e grande parte do verão de 1944. A partir do final de Agosto de 1944, com a libertação consolidada da França, o objectivo da parte dos Aliados era acabar vitoriosamente com o conflito, até Dezembro desse ano, por todos os meios possíveis. Residiria aqui um dos elementos motivadores para um novo recrudescer, nesses oito meses finais, do bombardeamento dos centros urbanos da Alemanha. Nesta fase, a R.A.F. e a U.S.A.F. estiveram em consonância quase perfeita.

Contudo, devido quer à resiliência do inimigo germânico, na defesa de pontos estratégicos do seu território, como as suas fronteiras e o importante Reno, quer a súbitos contra-ataques da parte daquele, como a Invasão das Ardenas e a derrota de uma importante missão de paraquedistas aliados na Holanda (operação “Market Garden”, em Arnhem), o objectivo de terminar a Guerra até Dezembro de 1944, fica posto de parte. Mas, mesmo assim, a situação já estava definitivamente a favor dos Aliados. Era só uma questão de tempo.

Perspetiva sobre a rua "KönigsstraBe", situada na parte Sul da Cidade Velha, antes da Guerra, onde se destacam o antigo armazém medieval "Mauthalle" (à esquerda) e as duas torres principais da igreja St. Lorenzkirche (ao fundo).

O mesmo local, no final da Guerra. 

O edifício "Mauthalle" em 1945. O seu telhado original já havia sido destruído em 1943. O edifício foi rapidamente restaurado com um telhado provisório, que alterou a forma originalmente triangular dos frontões, antes de ser ainda mais gravemente danificado em 1945.  

O interior da igreja St. Lorenzkirche, antes da Guerra.

O interior da igreja St. Lorenzkirche, após um bombardeamento.

Perspetiva sobre o lado Oeste do conjunto dos edifícios que compunham originalmente a Câmara Municipal ("Altes Rathaus") de Nuremberga, antes da Guerra.

O Salão Principal da Câmara Municipal ("Altes Rathaus") de Nuremberga, antes da Guerra.


Duas imagens a cores do interior do Salão Principal da Câmara Municipal ("Altes Rathaus") de Nuremberga, antes da Guerra.


A parte Oeste da Câmara Municipal ("Altes Rathaus") de Nuremberga, depois da Guerra.

Aspeto dos incêndios subsequentes a mais um bombardeamento noturno.


A casa de Albrecht Dürer, onde ele também tinha um dos seus principais ateliers, depois da Guerra.

O muito destruído edifício "Fleischhaus" (armazém de carne medieval) depois da Guerra.

Perspetiva sobre a zona da ponte de pedra renascentista "FleischBrücke", antes da Guerra. À esquerda, vê-se parte do edifício medieval "Fleischhaus", com o seu portão lateral encimado pela estátua de um boi, o "Ochsenportal", que dava o nome a este local. Mais ao centro, vê-se um pouco da grande praça Hauptmarkt, onde esta rua desembocava.

Logo no dia 2 de Janeiro de 1945, Nuremberga foi alvo de um esmagador bombardeamento, que muito contribuiu para o estado em que se encontrava no final do conflito. Com a Luftwaffe desorganizada e as defesas aéreas no terreno fragmentadas, não foi difícil para os Pathfiders da R.A.F., fazer uma marcação de alvo de uma precisão até então inédita, no caso desta cidade, do seu centro urbano. Como é possível verificar na imagem seguinte, a força de aproximadamente 500 bombardeiros centrou o seu ataque bem sobre a Cidade Velha. Chegou a gerar-se, em vários locais, um fenómeno denominado "tempestade de fogo" ("firestorm"). Trata-se de um efeito medonho provocado pela concentração uniforme de vários incêndios numa vasta área. É algo similar a um tornado, onde o fogo parece ganhar vida, produzindo um vento próprio com capacidade para arrastar até grandes volumes para o interior da conflagração e criando uma área de autêntico "microclima" onde as temperaturas atingem valores à volta dos 1000 graus centígrados e os materiais inflamáveis entram em combustão quase por magia. Diversos artigos falam ainda sobre os efeitos que este tipo de fenómeno provoca no corpo das vítimas, que têm o azar de ser os protagonistas de uma situação de "tempestade de fogo"... A destruição conseguida em Nuremberga foi da ordem dos 90%. Foram precisos vários dias para extinguir todos os incêndios.

As áreas coloridas representam a destruição provocada pelo devastador bombardeamento de 2 de Janeiro de 1945.

Ainda haveria alguns bombardeamentos adicionais até ao final do conflito. Foi ainda sobre Nuremberga que as forças que restavam à Luftwaffe, ainda conseguiriam infringir ao Comando de Bombardeiros britânico uma das suas últimas perdas em aparelhos na noite de 16 de Março de 1945. Nesta fase do conflito, já era corrente as formações aéreas aliadas executarem missões de bombardeamento em vários alvos no mesmo dia. Já não era só iniciar um bombardeamento num alvo escolhido ao acaso para confundir as defesas antiaéreas alemãs acerca de qual seria o verdadeiro alvo de cada missão em concreto. As formações de caças germânicas já não tinham a certeza de nada e quase agiam de acordo com cada situação em concreto.

Nessa noite, 16 de Março, o alvo verdadeiro da R.A.F. contra todas as expectativas germânicas, foi Würzburg. Esta cidade, como tinha sido raramente alvo de ataques aéreos ao longo de todo o conflito, excluindo os falsos alarmes, era das menos preparadas para uma eventualidade dessas. Foi destruída a mais de 90% num bombardeamento maioritariamente incendiário. 

Um aspeto de Würzburg antes de 1945.









A defesa de caças germânicos julgou tratar-se de mais um ataque de diversão e que o alvo principal era Nuremberga. De facto, uma formação menor de bombardeiros destacada da força principal, lança um ataque, afinal secundário, contra esta cidade. Como Nuremberga era, para os nazis, mais importante do que Würzburg, uma força restante de caças germânicos recebeu-os com uma eficiência já quase impossível, nas sua condições de então. Mas nesta cidade, ao contrário da outra mais a Norte, já havia pouco para destruir.

A muito feroz Batalha de Nuremberga, que decorreu entre 16 e 20 de Abril de 1945, finda a qual o exército americano conquistou a cidade, acabaria por destruir ainda mais o pouco que havia restado dos bombardeamentos anteriores.



Perspetiva sobre o rio Pegnitz, depois da Guerra, onde são visíveis, no canto inferior direito, o que restava do moinho de água já referido atrás. Na metade esquerda da imagem, descortinam-se as torres da igreja St. Sebalduskirche.

Na imagem, surge a rua "KönigsstraBe", depois de um bombardeamento. A silhueta que se observa através do fumo, é da igreja St. Lorenzkirche.

Perspetiva muito elucidativa da realidade em Nuremberga, depois da Guerra, com gente a tentar sobreviver no meio das ruínas. Ao fundo, à esquerda, surge a silhueta do Burg (castelo) e, no centro, as torres da igreja St. Sebalduskirche.

Perspetiva sobre uma zona muito arruinada de Nuremberga, depois da Guerra. Na metade esquerda da imagem, observam-se a igreja St. Sebalduskirche e parte da fachada da igreja Frauenkirche. Ao fundo, mais à direita, descortinam-se as torres do Burg (castelo).



Imagens de Nuremberga no pós-guerra.


A Nuremberga que hoje nós encontramos, é uma cidade que ao longo dos anos vai tentando manter viva a sua tradição e história, valorizando tudo aquilo que a afaste de qualquer conotação com o nazismo. Tendo sido um dos principais locais onde este foi liquidado a partir de 1945 (ainda que mais simbolicamente, porque ainda existe um pouco por todo o Mundo), cabe-lhe precisamente esse papel. Temos de reconhecer que Nuremberga tem desempenhado bem esse dever. Aliás, durante a sua reconstrução, houve uma política arquitectónica bem inteligente que impôs como regra, em especial dentro da área da chamada Cidade Velha, a construção de edifícios que não ofendessem a imagem histórica da sua imagem passada, resultando isto na bem-vinda ausência de arranha-céus e de edifícios funcionais dentro do estilo “plattenbau”, como aconteceu num grande número de cidades germânicas onde a Guerra deixou a sua destruidora pegada.

A Cidade Velha de Nuremberga, vista a partir do Sul. Ao fundo, numa zona elevada, vê-se o conjunto dos edifícios que compunham o seu castelo, também conhecido por "Burg".

Pode-se afirmar que o “skyline” secular de Nuremberga foi na sua maior parte preservado. Todavia, deve-se ter bem presente que o que se encontra pelas ruas de Nuremberga é, na sua maioria, uma réplica aproximada do que aqui existia antes da Guerra. Poderão aqui e ali aparecer réplicas e restauros mais ou menos fiéis ao original, mas houve a necessidade também de adaptar as reconstruções e o delineamento das ruas às exigências de uma cidade moderna. Tentou fazer-se um compromisso entre um Passado fragmentado e um Futuro urgente, pois havia uma carência óbvia de alojamentos, que terá levado a que algumas ruas tenham um delineamento e uma largura um tanto diferentes das antecessoras e terão outras ruas mais estreitas mesmo desaparecido. Neste último caso, fez-se o que era esperado na generalidade das cidades da Alemanha que urgia reconstruir. No entanto, Nuremberga entraria em consonância com outras cidades, no que respeita à contenção de custos, umas vezes maior outras vezes menor, pois surgiam sempre, aqui e ali, outras prioridades na gestão de uma urbe. Daí se explicam os casos em que a recuperação de certos edifícios e monumentos, tenha ficado muito aquém das expectativas. 

Nuremberga. O edifício Pellerhaus, já durante  a Guerra (1943), mas antes da sua destruição.

Tal como aconteceu com a histórica “Pellerhaus”, antes que antes combinava elementos arquitectónicos da Renascença. Este edifício do século XVII, constituía, pela sua quase única fachada, um verdadeiro ex-libris de Nuremberga. A sua reconstrução foi feita num estilo mais simples e funcional, de acordo com um projecto de meados da década de 1950. Não havia verbas disponíveis nem prazo suficiente para a reconstruir na sua forma original. O resultado, como era de esperar, desagradou, e ainda hoje desagrada, a muitos habitantes e conhecedores da história de Nuremberga.

 

Nuremberga. O edifício Pellerhaus, tal como ficou depois da sua pouco consensual reconstrução.

Este edifício havia tido várias funções ao longo da sua história, como a de ter sido a residência de Martin Peller (negociante de Nuremberga), mandada construir por ele próprio, por volta de 1600, e que seria a habitação desta família por mais de 200 anos, de onde lhe veio o nome (“Peller”). De referir que, quando Martin Peller a construiu, originou-se um conflito aberto com os seus vizinhos da Egidienplatz, pois estes não gostaram do destaque que esta fazia no conjunto desta praça, alegando que desrespeitava uma certas “Leis de Nuremberga” relativas à construção de edifícios nesta cidade. Em várias ocasiões, a casa chegou a ser ameaçada de demolição pelos poderes centrais. Ironicamente, tornar-se-ia um dos grandes ex-libris da Cidade Velha de Nuremberga, ao ponto de a Câmara Municipal desta a ter comprado no final da década de 1920. Quando se iniciou a Guerra, era um edifício destinado a armazenar arquivos, mas igualmente com funções museológicas, graças não só à sua fachada, como também ao seu interior ricamente decorado, onde se destacavam os empanelamentos em madeira trabalhada e pintada à mão, sem falar nas suas outras secções, como um pátio interior dos mais interessantes de toda a Europa, o denominado “Pellerhof”. Originalmente combinava vários estilos arquitectónicos, nomeadamente da Renascença e do Gótico Tardio, sem esquecer alguns elementos aqui e ali de Barroco. 

O pátio interior "Pellerhof" original. 

Até à sua destruição, estava quase inalterada relativamente ao projecto inicial de Martin Peller. Esta ocorreria a partir de um bombardeamento diurno da aviação americana, em Outubro de 1944, onde ficaria estruturalmente danificada por impacto direto de bombas explosivas. A sua destruição final dar-se-ia na sequência do já referido bombardeamento da R.A.F. em 2 de Janeiro de 1945, em que arderia até aos alicerces. No dia seguinte, as suas paredes exteriores entrariam em derrocada e da sua fachada só restaria a parte do piso térreo. A “Peller Haus” tal como era conhecida, desapareceria literalmente no amontoado informe de escombros em que a Egidienplatz, bem como muitas outras partes da Cidade Velha de Nuremberga, se havia transformado, onde só faziam diferença as paredes exteriores da próxima igreja barroca St. Egidienkirche e o monumento equestre fronteiro do imperador Wilhelm I.


Duas perspetivas opostas do pátio interior “Pellerhof”, tal como se encontrava após a Guerra.

O pouco que restava da fachada da “Pellerhaus”, após 1945.


Estátua equestre do imperador Wilhelm I. fronteira à "Pellerhaus". após os bombardeamentos da Guerra.


A igreja barroca St. Egidienkirche (à direita), o monumento equestre do imperador Wilhelm I. e as ruínas restantes da Pellerhaus (à esquerda).

O interior da igreja barroca St. Egidienkirche, antes da Guerra.

O interior da igreja barroca St. Egidienkirche, tal como se encontrava no final da Guerra.


Perspetiva sobre praça Egidienplatz onde se destacam as ruínas da "Pellerhaus" (ao centro) e da igreja St. Egidienkirche (à direita).


Logo a partir de 1950, e na sequência das diversas reconstruções que já vinham ocorrendo desde 1945, decide-se elaborar um plano para a reconstrução da praça Egidienplatz, abrindo-se, desde logo, uma série de concursos relativamente a quem seria destinada tal empreendimento. Um elemento incontornável era sempre a “Peller Haus”, que ocupava um lugar de destaque no conjunto dos edifícios que constituíam o pano de fundo desta praça, para além da já referida St. Egidienkirche, cujos trabalhos de recuperação já haviam começado.

Nuremberga. O "Pellerhof", pátio interior do edifício Pellerhaus, após a conclusão das obras de restauro, já neste século.

Já no século XXI, é posta em prática a ideia de reconstruir o pátio interior daquele edifício, o sempre recordado “Pellerhof”, uma obra ambiciosa e extremamente onerosa, mas de grande valor histórico. Devido ao apoio financeiro conseguido a partir de doações da parte de particulares, foi possível levar avante, durante anos, este projecto ambicioso, que acabaria por ser inaugurado em 2018. Esta obra fez renascer, na mente de todos os que a incentivaram, a esperança de verem finalmente reconstruída a fachada original da “Pellerhaus”.

Nuremberga. Fachada do edifício Pellerhaus, antes da Guerra.

Foi como consequência de caminhos gravemente errados seguidos em épocas de muito má memória pelos dirigentes do seu país, que Nuremberga foi uma das cidades do Mundo que maiores danos sofreu no seu património. Apesar de ser uma cidade incontestavelmente viva em matéria de cultura, tradição e turismo, a Nuremberga de hoje é, literalmente, uma sombra daquilo que foi em termos arquitectónicos. Em boa parte porque muito da sua silhueta urbana actual segue vagamente os contornos da sua skyline de vários séculos.

Perspetiva sobre a "Cidade Velha" de Nuremberga, obtida a partir da torre Norte da igreja St. Sebalduskirche. Na parte inferior da imagem, à esquerda, observa-se a praça Albrecht-Dürer-Platz. 


Na imagem acima e de na em baixo, duas perspetivas dos edifícios originais do Museu Nacional Germânico ("Germanisches Nationalmuseum") de Nuremberga, junto à parte Sul da muralha da "Cidade Velha", tal como se encontravam pouco antes da Guerra. 


Exemplo de uma rua de Nuremberga, antes da Guerra, onde é possível observar e perceber a antiguidade original das fachadas dos edifícios que antes existiam na "Cidade Velha" e que, nos nossos dias, muito raramente se encontra.


Rua situada na encosta do Castelo ("Burg") de Nuremberga, de onde é possível observar parte dos seus edifícios, com destaque para a Torre Sinwell ("Sinwellturm"), antes da Guerra.

De qualquer forma, se se fizer a comparação com fotografias históricas, sobretudo coloridas, que se conservaram e vão sendo redescobertas nas últimas décadas, a diferença salta à vista, nomeadamente na quase ausência total daquela tonalidade que caracteriza o antigo e secular.

Perspetiva sobre a denominada "Cidade Velha" de Nuremberga, após se terem efetuado as principais obras de reconstrução (ca. 1970). Apesar da skyline original ter sido respeitada, nomeadamente proibindo a edificação das muito disseminadas "torres de betão", muitos elementos arquitetónicos originais não foram recuperados e foi alterado o traçado de diversas ruas, para as tornar mais adequadas ao transito automóvel.

Em suma, Nuremberga é um bom exemplo de um lugar único no Mundo, que sofreu subitamente um desvio de uma longa linha de séculos de História, para incorporar, durante um breve período de tempo, o nazismo em muito da sua essência, sofreu as consequências diretas e indiretas desse caminho escolhido, simbolizou o fim desse horrível trajeto ajustando, dessa forma, contas com a História que havia renegado e soube recuperar e também reconstruir a sua identidade.

O famoso "Mercado de Natal", que se realiza todos os anos em Nuremberga.