domingo, junho 29, 2008

O bombardeamento de Roterdão


Vista aérea sobre a cidade de Roterdão antes da Guerra.
Outra perspectiva sobre Roterdão, antes da Guerra.

A zona anterior, vista de outro ângulo. Repare-se no moinho, à direita, que aqui surge mais visível. 
Outro local do centro de Roterdão, antes da Guerra.
Exemplo de edifícios existentes em Roterdão, antes dos ataques dos Nazis.

Antes da Guerra, a cidade de Roterdão era plena de locais pitorescos. Muitos deles ainda do tempo de Erasmo.
Apesar das cada vez mais claras ameaças de um possível ataque germânico, a Holanda e a Belgica, não haviam tomado as medidas preventivas necessárias. A sua posição era neutral apesar de claras simpatias pelo lado aliado. A Holanda não conhecia a face da guerra há vários séculos e, tal como acontecia com a Bélgica, o seu poderio militar era pouco mais do que simbólico.

A invasão acabaria por acontecer a 10 de Maio de 1940. Hitler havia decidido para esse dia uma invasão em simultâneo da Bélgica e da Holanda, utilizando a, então, revolucionária técnica de ataque que ficaria conhecida por "Blitzkrieg" e que havia sido já utilizada, com um sucesso retumbante, na Polónia, no ano anterior. Os meses de relativa acalmia que se haviam seguido à rendição da Polónia, não foram mais do que o minucioso preparar das forças militares germânicas para uma nova campanha a iniciar na Primavera seguinte. Foi tudo preparado em segredo, mas as potências aliadas, previam que seria certamente um ataque para Ocidente. Só não havia a certeza de quais seriam, com precisão, os próximos alvos.


Tropas pára-quedistas germânicas em plena acção. 

Os aviões trimotores de transporte de tropas pára-quedistas, sobrevoavam o espaço aéreo holandês em vagas sucessivas. 
Os grandes contingentes de tropas pára-quedistas germânicas, foram fundamentais para quebrar a resistência holandesa, que defendia o seu país com determinação e resiliência, apesar da clara desvantagem bélica.   
Um grupo de soldados pára-quedistas alemães aguarda ordens para avançar.
Só a 10 de Maio seguinte se ficaria a saber tratar-se da Bélgica e da Holanda. Estes dois países seriam surpreendidos por um movimento esmagador, mas muito bem organizado, da parte da Wehrmacht. Os seus exércitos impreparados para uma invasão em tão larga escala, apesar de estarem a combater num solo que muito bem conheciam, estavam a ser derrotados com uma rapidez surpreendente. Aliás, Hitler previa que bastaria mais ou menos um dia para conseguir subjugar estas duas nações. Na prática, as coisas não se processaram exactamente desta forma, pelo menos em termos de calendário.
Ponte demolida na zona de Maastricht.
Patrulha germânica a atravessar de barco um curso de água.
No que respeita ao caso holandês, apesar da sua inferioridade numérica e material, a surpresa inicial, não impediu que se formasse uma resistência que começaria a atrasar o avanço germânico. Uma das suas medidas mais ousadas foi o demolir de diversas pontes que existiam nos cursos de água que formavam uma importante rede de acessos e o inundar de diversas zonas, o que obrigaria o exército germânico a recorrer à criação de pontões improvisados, tropas transportadas por barco e sobretudo a vários esquadrões de pára-quedistas. Para além disso, tinha de recorrer à sua, então, temível e poderosa força aérea, para tentar eliminar os diversos focos de resistência que os combatiam heroicamente.
Soldados do exército holandês, com armamento escasso e, muitas vezes, obsoleto, numa das diversas trincheiras construídas à pressa, para fazer frente a um invasor material e numericamente muito superior. 
Soldados holandeses junto a um canhão ligeiro Howitzer. Alguns usavam capacetes semelhantes aos do exército britânico. Isto fez com que, ao serem capturados pelos invasores germânicos, fossem confundidos com tropas inglesas verdadeiras e, inicialmente, tratados com especial violência.
Um dos pontos mais importantes, do ponto de vista estratégico, era a cidade de Roterdão, com o seu grande porto fluvial e uma série de pontes sobre o rio Maas. Constituia a barreira mais avançada do que ficou designado por "Fortaleza Holanda". O principal responsável pela defesa desta cidade tão importante era o Coronel Scharroo, oficial holandês já então muito prestigiado no seu país.
Coronel P. W. Scharroo (1883 - 1963). Entre os seus méritos pessoais, estava o seu importante contributo na organização dos Jogos Olímpicos de Amesterdão, realizados em 1928. Ele próprio era membro do Comité Olímpico Internacional.
Apesar das diversas tentativas dos pára-quedistas para tentarem quebrar estes pontos de resistência que insistiam em se opor ao seu avanço, a verdade é que o exército germânico quase foi travado na manhã de 14 de Maio. A situação chegou, então, a um impasse. Começam a surgir sinais de impaciência por parte do Comando Central germânico em Berlim. A dita "Batalha de Roterdão" estava a demorar "demasiado tempo".

Apesar de todo o seu empenho na defesa de Roterdão e de saber que a capitulação deste porto estratégico representaria a queda de toda a nação holandesa, o Coronel Scharroo estava plenamente consciente da inferioridade numérica e material das forças militares à sua disposição. Apesar de algumas baixas que haviam, mesmo assim, provocado nos invasores germânicos, a sua capacidade bélica tinha chegado ao limite. Já não podiam fazer mais nada. Daí para a frente, só era esperada uma guerra de desgaste, cuja vantagem pendia claramente para os invasores germânicos. O exército germânico podia, facilmente, aniquilar as forças holandesas, que só conseguiriam, com um custo muito elevado de baixas, atrasar o desfecho de uma batalha cujo final era mais do que evidente. O invasor germânico, sentindo-se em clara vantagem, envia um ultimato ao comando do exército holandês, onde estava sub-entendida a intenção de tomar "medidas drásticas", nomeadamente o recurso ao bombardeamento aéreo, caso este não cessasse as "hostilidades" a curto prazo. O Coronel Scharroo e outros oficiais holandeses estavam a viver o pior dilema das suas vidas. Qual o caminho a tomar? Apesar da ideia de uma derrota e eventual perda de independência por parte do seu país, começa-lhes a parecer mais oportuno tentar evitar mais perdas de vidas desnecessárias, nomeadamente entre a população civil. O arrastar da situação já não parecia ser a solução mais sensata.
O Coronel Scharroo entre dois emissários, um holandês, outro alemão, durante as conturbadas negociações relativas ao desfecho da chamada "Batalha de Roterdão".
Logo no dia 14 de Maio, os comandantes das forças holandesas, representados pelo Coronel Scharroo, decidem iniciar conversações com as forças germânicas, no sentido de tentar negociar um fim pacífico da contenda, mesmo que isso implicasse uma rendição efectiva. Todavia, as negociações não decorriam ao ritmo desejado pelos oficiais em Berlim, embora os comandantes no terreno, nomeadamente os generais Student e Schmidt, estivessem mais optimistas e confiantes de que a resistência holandesa cessaria de vez, pelo menos no que respeitava a Roterdão. Mesmo assim, para os holandeses, tanto civis como militares, a derrota seria algo difícil de aceitar.

Conscientes da sua supremacia, mas impacientes pelo desfecho favorável da sua campanha, Hitler e os seus oficiais germânicos, tentam pressionar as forças holandesas a capitular. Decidem, por isso recorrer, mais uma vez, à sua força aérea.
Com o pretexto de tentarem aniquilar os esquadrões que permaneciam acantonados nos principais acessos à parte Norte de Roterdão, onde se localizavam as principais pontes sobre o rio Maas, é decidido um ataque aéreo de precisão com caças-bombardeiros de mergulho sobre esses locais estratégicos.
Um aspecto de duas pontes sobre o rio Maas, antes da Guerra. Em primeiro plano, uma ponte viária e ao lado, à esquerda, uma ponte ferroviária.
Outra ponte viária, com barricada, já durante a Guerra.
Outro aspecto de uma ponte viária sobre o rio Maas, a ser atravessada por tropas de nacionalidade indefinida (holandesas? germânicas?).
Acontece que os caças-bombardeiros inicialmente previstos, são substituídos por vulgares bombardeiros "Heinkel" (em baixo), passando o ataque a ser menos preciso e centrado mais na saturação de cargas explosivas. Todavia, estes bombardeiros pareciam mais coincidir com a "medida drástica" que o referido ultimato às forças holandesas preconizava...
Bombardeiros bimotores germânicos "Heinkel 111".
Perspectiva do interior da carlinga envidraçada da parte dianteira de um bombardeiro bimotor "Heinkel", onde estava uma das metralhadoras defensivas.
A verdade era que havia uma grande impaciência do lado dos principais oficiais germânicos em Berlim, incluindo Göering, chefe principal da Luftwaffe, em "arrumar de vez" com o problema holandês. No terreno, durante ao começo da tarde de 14 de Maio, já se começavam a engendrar os termos da rendição das forças holandesas. Mesmo assim, não foi possível cancelar o ataque aéreo. Permanece a questão polémica se o que aconteceu a seguir foi intencional ou não. Há quem fale em falhas de comunicação entre as partes envolvidas, mesmo entre o comando central em Berlim e os seus exércitos no terreno. Todavia, o ultimato enviado pela Alemanha nazi, não punha de parte a adopção de medidas mais drásticas, incluindo o recurso a uma força de bombardeiros, caso o lado holandês insistisse em prosseguir uma resistência já vista, por ambas as partes, como fútil. De qualquer forma, no momento em que os aviões germânicos começam a aparecer sobre Roterdão, a rendição já era só uma questão de tempo.
Os bombardeiros "Heinkel" começam a bombardear Roterdão. 
As bombas caem sobre a cidade portuária, desencadeando-se incêndios em vários locais.
Os incêndios a alastrarem muito rapidamente pelo porto de Roterdão. Diversos barcos que se encontravam aportados ou de passagem pela cidade, são também apanhados pelo bombardeamento.
Um dos navios atingidos, foi o cruzeiro "Statendam", que havia, por azar, aportado em Roterdão pouco antes do início das hostilidades.
O cruzeiro "Statendam", irremediavelmente danificado, depois de ter sido apanhado no ataque aéreo germânico.
Apesar de algumas bombas terem atingido os alvos “teoricamente” escolhidos (as barricadas junto às pontes), a verdade é que a maior parte da carga mortífera caiu em plena cidade, sobretudo na sua zona portuária, onde se situava o seu verdadeiro centro histórico. Esta parte antiga de Roterdão era constituída por casas muito antigas, algumas delas datadas do período medieval, e pelas igrejas mais emblemáticas desta cidade. Era também atravessada por um número apreciável de canais onde era possível passear de barco, fazendo lembrar, em alguns sítios, cidades como Veneza e Hamburgo.
O fumo dos incêndios a cobrir a cidade.
O fogo acabou por se espalhar incontrolável pelas ruas apinhadas, muitas delas estreitas, do centro de Roterdão, tendo ganho especial ferocidade na área circundante de uma fábrica de margarina que havia sido atingida no bombardeamento prévio. As equipas de anti-fogo e defesa civil pouco ou nada puderam fazer, devido inacessibilidade de diversos locais, quer por causa da já grande quantidade de destroços que bloqueavam muitas das ruas e da destruição das ligações entre-canais, quer pela própria violência das chamas. Houve mesmo necessidade de recorrer a ajuda por parte de outras localidades próximas de Roterdão, mas esta só chegou quando a situação já se encontrava fora de controlo.
Ao fim do dia 14 de Maio, os incêndios já lavravam com grande ferocidade.
Um aspecto dos incêndios durante a noite.
Pintura representando o centro de Roterdão em chamas pela noite adentro.

Durante a noite, era este o cenário observado em muitos recantos da cidade.

Pormenor de um edifício em chamas com a fachada a ruir.

No dia seguinte, a cidade continuava a arder em diversos locais.

A cidade de Roterdão a amanhecer com o seu centro em ruínas.

Os cidadãos de Roterdão, a tentarem fazer uma vida normal, apesar dos incêndios ainda deflagrarem.
Coluna militar germânica a entrar em Roterdão, com os incêndios ainda no auge da ferocidade destruidora.
Tropas germânicas que sitiavam Roterdão, a observarem o resultado do bombardeamento, do lado oposto, numa atitude descaradamente vitoriosa.
Foram longas horas de drama e pânico, visto que o bombardeamento havia ocorrido ainda na tarde de 14 de Maio, tendo os incêndios continuado a deflagrar pela noite seguinte adentro e na manhã seguinte ainda havia diversas zonas a arder. Só foi, portanto, durante o dia seguinte que se conseguiu fazer o rescaldo da destruição. O resultado final saldou-se em 800 mortos (na época falou-se em números muito superiores) e milhares de desalojados.
Aspecto bastante elucidativo do grau de destruição na zona atingida.

Linha férrea urbana completamente destruída.
Estação de comboios destruída. 

Exemplo de edifício comercial destruído.
Igreja destruída, no meio da devastação.

Os habitantes desalojados, tentando retomar as tarefas do quotidiano, no meio das ruínas.


Imagem onde se observam, provavelmente, operários de uma das diversas empresas destruídas no bombardeamento.
Elementos da defesa civil e cidadãos anónimos tentam tornar as ruas do centro de Roterdão minimamente transitáveis e encontrar vítimas eventualmente soterradas nos escombros. Muitos perderam todos os seus haveres pessoais, para além dos seus familiares.

A vida, apesar de tudo, tenta seguir o seu rumo natural. De referir que esta zona surge ainda intacta nas primeiras imagens deste artigo. O moinho surge aqui como o elemento referencial. 

Pormenor de cratera provocada por bomba.
Um aspecto do caos e da destruição, numa rua da cidade portuária holandesa.
A consequência imediata deste bombardeamento foi a imediata cessação de qualquer resistência por parte das forças holandesas, receosas de novos ataques aéreos sobre outras localidades, nomeadamente Utrech. A família real holandesa, que se encontrava em Haia, foge para Londres. A rendição total, que já vinha sendo negociada, acabou por se dar logo no dia seguinte, a 15 de Maio de 1940, iniciando-se, a partir daí, um período de quatro anos de ocupação dramáticos para o povo holandês. O Coronel P. W. Scharroo considerou esta capitulação uma derrota pessoal. Para além disto, o trágico desfecho de toda aquela situação, afectá-lo-ia grandemente. Segundo relatos de quem com ele estava durante aqueles dias de acesos combates, o Coronel Scharroo, logo que tomou conhecimento do bombardeamento sobre Roterdão, sentou-se pesadamente numa cadeira, curvando-se sobre si mesmo e metendo a cabeça entre os braços, num gesto de profunda impotência perante a inevitabilidade dos acontecimentos, como que encarnando a queda do seu país, pelo qual tanto havia feito. Recusou estar presente na reunião onde se assinaria a rendição da Holanda ao invasor germânico. Depois da Guerra, abandonaria definitivamente a carreira militar, apenas concretizando uma decisão irreversível já há muito tempo tomada e dedicando-se à agricultura até ao fim da vida. Nunca recuperou do seu sentimento de culpa, ainda que bastante injusto, na derrota da Holanda. Para qualquer outro oficial de alta patente, também não haveria outra solução possível ou válida, perante a eminência do seu país ser destruído sem dó nem piedade, por um inimigo exponencialmente mais poderoso do ponto de vista militar.
Imagem de soldado holandês a transportar a bandeira branca, na ocasião em que se oficializou a rendição da Holanda ao invasor germânico.

Outra imagem do momento em que as forças holandesas se renderam (oficialmente) ao invasor germânico. Um oficial alemão (o coronel Von Choltitz) em primeiro plano.

O soldado com a bandeira branca, tenta confraternizar com os seus, ainda há pouco, inimigos, de forma a que estes não o tratem, nem aos seus camaradas, com "demasiada severidade". O exército germânico tenta passar uma imagem de cordialidade para com o povo holandês, agora seu aliado à força, parecendo querer sanar "divergências passadas". O futuro seria bem diferente...

Soldados germânicos festejam a sua "vitória", transportando como troféus as bandeiras brancas retiradas ao exército holandês.
As tropas da Alemanha nazi entram em Roterdão.


Este bombardeamento também marcou uma nova atitude da parte das forças aliadas no que respeita aos bombardeamentos a lançar sobre a Alemanha. Até então, tentava-se seguir, escrupulosamente, uma política de tentar, a todo o custo, evitar atingir alvos civis, procurando ser o mais preciso possível no ataque a alvos de importância estratégica e militar. Ao tomarem conhecimento da forma desplicente e indescriminada como foi bombardeada a zona portuária de Roterdão, com as consequências já atrás referidas, as forças aéreas aliadas resolveram passar a responder pela mesma moeda, bombardeando os alvos escolhidos sem importar que as zonas civis fossem atingidas. Aliás, as zonas civis inimigas passariam a constituir também um alvo a seleccionar, como se comprovaria até à rendição incondicional da Alemanha, em 1945. Igualmente, este destruidor bombardeamento sobre Roterdão, levaria a um inicial pavor da parte dos aliados relativamente à força aérea germânica. Temia-se que os seus bombardeamentos fossem arrasadores e que iriam causar um número incalculável de mortos.

O futuro acabaria por comprovar que muito desses receios eram mais do que exagerados, visto que, na prática, a Luftwaffe não estava devidamente preparada quer para actuar como uma força autónoma, quer para obter os resultados pretendidos quando confrontada com sistemas de intercepção e defesa aérea devidamente estruturados. O que aconteceria durante a guerra a muitas povoações germânicas, foi uma perfeita ironia do destino...

Os invasores germânicos, na sequência de toda uma política no sentido de tentar converter os holandeses em “aliados à força”, entre outras medidas imediatas, ordenaram uma limpeza total da zona de Roterdão que havia sido bombardeada nesse dia trágico de 14 de Maio de 1940. A sua intenção mais profunda, seria, a médio e a longo prazo, fazer os seus “irmãos de sangue” holandeses esquecer essa sua medida “drástica mas necessária” e assim, conseguir, dentro do possível, tentar eliminar qualquer vestígio de ressentimento que houvesse da parte destes.



As obras, que se prolongariam por algum tempo, deixaram muito do centro de Roterdão transformado numa vasta “terra de ninguém”, isto porque se procedeu ainda à demolição adicional de uma cintura de edifícios que, apesar de não directamente atingidos, se encontravam em risco de derrocada.



Remoção dos escombros nos dias subsequentes ao bombardeamento. À direita e ao fundo, observa-se a torre da igreja "Laurenskerk", muito arruinada.
Da memória do que antes existia nesse desaparecido centro histórico, apenas sobrou, uma imponente igreja, "Laurenskerk"(algo como "Igreja de S. Lourenço"), que havia ardido completamente, mas que oferecia grandes hipóteses de recuperação futura. Houve quem sugerisse a sua demolição, hipótese logo sensatamente posta de parte. Outros também defendiam a sua conservação em estado de ruína, à maneira de "memorial de guerra". Optou-se antes pela sua recuperação, logo que fosse possível.


O interior das ruínas da igreja Laurenskerk, visto de cima.
Presentemente, o centro de Roterdão é totalmente constituído por edifícios posteriores à 2ª Grande Guerra Mundial, salvo a referida igreja Laurenskerk que, ao longo de muitos anos, foi sujeita a um minucioso e lento processo de reconstrução e restauro ao pormenor, exterior e interiormente, que lhe devolveria, por fim, o seu esplendor e beleza de outros tempos. É estranho observar como um dos maiores ex-líbris desta cidade, acabaria por ficar totalmente desenquadrado do tecido urbano circundante.

A igreja "Laurenskerk" na actualidade.


Anos depois da guerra ter terminado, o artista plástico Zadkine (1890-1967), elaboraria uma impressionante escultura em homenagem à cidade de Roterdão, precisamente com o nome de "Cidade Destruída".