"Soldados" finlandeses. A sua condição real era mais equiparável à de legionários ou milicianos, dado o seu fraco armamento e um treino militar muito básico e, por isso deficitário.
Quando a 2ª Grande Guerra despoletou, em 1939, muitos referem como o único acontecimento bélico determinante dessa fase, a invasão da Polónia pela Alemanha nazi em 1 de Setembro desse mesmo ano. Na realidade, a partilha da Polónia no pacto Germano-Soviético que precipitou o desencadear de mais este conflito, seria também o primeiro passo para a formação de uma outra zona de conflito: a Finlândia.
Este pequeno país, o mais oriental da zona a que se dá o nome de Escandinávia, havia estado, entre 1809 e 1917, sob o domínio do vasto império russo, após ter estado nas mãos da Suécia. Só obteria a sua verdadeira independência no ano de 1917, após a revolução de Outubro, que levaria à desagregação do império dos Czares.
Para a constituição desta nova nação, muito terá contribuído a conjuntura favorável da desagregação dos grandes impérios derrotados no conflito bélico de 1914-18 que então terminava. Na sequência da criação de novos países, a Finlândia viu reconhecida a sua independência e, após um breve período monárquico entre Outubro e Dezembro de 1918, veria instaurado o regime republicano daí em diante, tendo o seu primeiro presidente sido eleito logo no começo de 1919.
Ainda no ano de 1918, a Finlândia seria palco de uma breve mas dura guerra civil, entre os “Brancos”, essencialmente constituídos pela classe burguesa e apoiados pela Alemanha Imperial, e os “Vermelhos”, vasta e heterogénea facção constituída por operários e trabalhadores rurais sem propriedade, grandemente apoiada pela então nova Rússia bolchevique. Os “Brancos” acabariam por vencer os “Vermelhos” num breve espaço de tempo, mas as sequelas políticas e sociais desta guerra civil perdurariam por décadas. Por outro lado, manter-se-ia um clima de relações muito tensas entre a Finlândia e a União Soviética pelos anos que se seguiriam.
Outro factor que aumentaria este clima de hostilidade mútua seria o facto de os governos eleitos desde a sua independência serem dominados por uma corrente ideológica anti-comunista.
Esta situação manter-se-ia mais ou menos inalterada até o desencadear da 2ª Guerra Mundial. A partir de então, tendo a União Soviética, na sequência do acordo Germano-Soviético, invadido a metade Leste da Polónia, aquela começa a tentar entrar em negociações com a Finlândia. Sob o pretexto da necessidade de garantir a defesa das suas fronteiras ocidentais, devido a um então ainda não assumido receio relativamente ao expansionismo germânico, a União Soviética pretendia instalar bases militares em diversos locais estratégicos mais a Norte.
O governo finlandês não concordaria com as exigências territoriais da União Soviética.
Encontro entre as tropas finlandesas e elementos da imprensa estrangeira, a 29 de Novembro de 1939, na sequência de um incidente em Mainila, uma aldeia soviética localizada junto à fronteira com a Finlândia, ocorrido três dias antes, e que seria o "pretexto" para o desencadear das hostilidades por parte das forças soviéticas. Na verdade, o que tinha acontecido foi que as forças soviéticas, num eventual exercício com fogo de artilharia (e por um erro de cálculo? Ou seria afinal já algo previamente orquestrado?), acabaram por atingir esta povoação russa. Sem hesitação, o lado soviético tratou de atribuir este "ato de agressão puramente deliberado" ao lado finlandês o qual, assim, passaria por "agressor", tendo este, obviamente, negado veementemente tal ação. Como era de esperar, todo o esforço diplomático empreendido pelo lado finlandês não teve sucesso, pois a União Soviética, logo de seguida, renunciaria unilateralmente ao "Pacto De Não-Agressão" com a Finlândia, que havia sido assinado em 1932. Desta forma, o encontro com a imprensa estrangeira não evitaria o desencadear da subsequente "Guerra de Inverno" (1939-1940), mas revelar-se-ia oportuno para confirmar que a Finlândia, um dia depois (30 de Novembro de 1939), é que acabaria por ser vítima de um "ato de agressão puramente deliberado".
Explosão de um projétil soviético num aquartelamento finlandês.
Na sequência disto, desenvolveu-se um clima de desconfiança mútua, que havia de culminar no desencadear de uma nova frente de batalha, a que se deu o nome de “Guerra de Inverno”, no dia 30 de Novembro de 1939. A partir desse dia, a União Soviética começa a invadir as zonas finlandesas que então requeria. Do outro lado, a nação finlandesa, militarmente pouco poderosa, mas profundamente conhecedora do seu terreno, decide iniciar uma defesa encarniçada das suas zonas fronteiriças de então.
Tropas finlandesas.
Tanque soviético T- 26.
O que havia ocorrido na região russo-finlandesa durante o chamado "Drole de Guerre" ou "Guerra Falsa" (supostamente um período em que os combates haviam, temporariamente, cessado) (1939-1940), na verdade, era uma pequena mas muito expressiva amostra do que ocorreria, mais tarde, em quase todos os cenários de guerra até 1945. Isto é a prova de que o "Drole de Guerre", afinal, não passou de um mito.
Reportagem animada acerca da referida "Guerra de Inverno" (1939-1940), entre a Finlândia e a União Soviética.
Este breve, mas muito violento, conflito local estender-se-ia apenas até Março de 1940, quando o exausto e desorganizado exército finlandês, se vê forçado a aceitar um armistício com a União Soviética.
A bandeira nacional finlandesa a "meia-haste" na sequência do armistício com a União Soviética, em 1940, o qual implicaria importantes perdas territoriais (11% do território original) por parte da Finlândia.
Na sequência deste acordo de paz, a Finlândia perderá diversas partes da sua zona mais oriental, desencadeando-se um dos primeiros movimentos de refugiados de todo o conflito mundial.
Despojos dos refugiados finlandeses, provenientes das zonas orientais cedidas à União Soviética, na sequência do referido acordo de paz, em 1940.
Mais tarde, na sequência da invasão da União Soviética pelo 3º Reich, tendo-se iniciado a denominada "Guerra da Continuação" (1941-1944), a Finlândia recuperará, por breves anos, estas zonas estratégicas, mas depois seria forçada a abdicar delas, quando, em 1944, o Exército Vermelho avançou para Ocidente.
Uma coluna militar soviética após uma emboscada por parte das forças finlandesas.
Soldados soviéticos prisioneiros, muitos deles feridos.
Soldados finlandeses em 1944, numa posição defensiva, envergando uniformes fornecidos pelo exército germânico.
Cartaz relativo aos bombardeamentos da aviação soviética, que haviam começado a 30 de Novembro de 1939. A cidade de Helsínquia seria, após o início da 2ª Guerra Mundial, a segunda cidade a sofrer sérios ataques aéreos, a seguir a Varsóvia. Esta situação causaria um imenso escândalo por entre as nações aliadas e seria a principal razão para a expulsão da União Soviética da Sociedade das Nações.
Reportagem relativa à expulsão da União Soviética da Sociedade das Nações, na sequência dos ataques aéreos sobre a Finlândia, em 1939.
Igreja bombardeada, localizada longe de Helsínquia.
Inspeção aos destroços de um avião soviético.
Tropas finlandesas observando os incêndios provocados pelos bombardeamentos da aviação soviética, em 1939.
Logo na tarde de 30 de Novembro de 1939, Helsínquia é alvo de um violento bombardeamento, por parte da União Soviética. Na imprensa da época, foi comparado ao que a Alemanha nazi havia feito a Varsóvia, poucos meses antes.
Mais uma vez, era a população civil quem mais sofria com os bombardeamentos...
Após 1940, a Finlândia atravessaria um período em que os bombardeamentos pela aviação soviética eram muito esporádicos. Mesmo assim, a ameaça mantinha-se no ar...
Após um período de relativa acalmia, os bombardeamentos sobre Helsínquia regressaram em força, em 1944.
O edifício principal da Universidade de Helsínquia em chamas, em 1944.
Os bombardeamentos aéreos foram mais destruidores em Fevereiro de 1944.
Mobiliário e outros objetos resgatados dos edifícios da Universidade de Helsínquia.
De referir que, quer durante a "Guerra de Inverno" de 1939-1940, quer na fase de 1944, quando a União Soviética já assumia uma nova posição atacante, a Finlândia sofreria alguns bombardeamentos aéreos, nomeadamente na sua capital Helsínquia. A intenção era, obviamente, forçar este país a uma rendição mais imediata. O que acabaria por acontecer em 1944.
Avião bombardeiro da Força Aérea Soviética "Mitchel" de fabrico norte-americano.
Holofote pertencente à defesa antiaérea da zona metropolitana de Helsínquia.
Canhões antiaéreos em ação durante um bombardeamento noturno. Este modelo de canhões era da marca "Bofors", semelhantes a muitos usados pela Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. Aliás, o seu muito obsoleto armamento defensivo havia sido reforçado, desde 1939, graças a um movimento de solidariedade por parte de diversas nações europeias, que estavam conscientes da grande desvantagem, em termos de capacidade bélica, da Finlândia relativamente ao "gigante" soviético.
No entanto, devido ao facto de a força de bombardeiros soviética estar a "anos-luz" da capacidade e organização da anglo-americana, bem como das parcas defesas anti-aéreas finlandesas serem suficientes, os danos causados foram mínimos, quando comparados com o que aconteceria com outras cidades europeias durante a Segunda Guerra Mundial. De referir ainda, que os símbolos visíveis nos caças defensivos finlandeses, apesar das fortes semelhanças, não tinham nada que ver com o nazismo. Tratava-se apenas de um símbolo da Força Aérea Finlandesa, sem nenhum significado ideológico.Aviões de guerra finlandeses com o símbolo original da Força Aérea Finlandesa, igual ao da cruz suástica ou gamada germânica.
Apesar de tudo, quando terminou a 2ª Guerra Mundial, devido a estas grandes semelhanças e ao forte repúdio pela simbologia nazi que se lhe seguiu, a Finlândia teve de eliminar definitivamente este símbolo dos seus aviões.
O conde Carl Gustaf Mannerheim (1867-1951), comandante supremo das forças finlandesas. Seria, posteriormente (1944-1946), Presidente da Finlândia.
Não se pode afirmar que a Finlândia estivesse, de facto, em confronto com os Aliados. Aliás, este país nunca participaria nos grandes teatros de guerra, onde a Alemanha nazi e os seus aliados, incluindo a Itália e a Roménia fascistas, marcaram presença. A sua atuação foi mais localizada na sua região fronteiriça oriental. Acontece que, antes de 1944 e enquanto o Exército Vermelho se mantinha numa posição defensiva, antes de este, a partir de 1943, avançar imparável para Ocidente, este país havia mantido relações de proximidade com a Alemanha nazi.
O conde Mannerheim e Adolf Hitler, aquando da visita deste à Finlândia.
Só em 1944 a Finlândia cessaria as relações de proximidade e aliança com o Eixo e se declararia apoiante do lado dos Aliados. Desta forma, quando se teve de render às forças soviéticas e como estas faziam parte do lado aliado, a Finlândia acabaria por ficar do lado dos derrotados. Apesar de não ter sofrido sanções como aconteceria com as forças do Eixo, a Finlândia perderia vastas zonas territoriais da sua parte oriental para a União Soviética, desta vez definitivamente, embora, em alguns círculos, esta questão nunca tenha ficado definitivamente encerrada. Há ainda quem defenda a "restituição" total destas terras à Finlândia. Entre estas estava a maior parte uma das suas zonas mais históricas, conhecida pelo nome de Karelia, que teria sido uma fonte de inspiração para o compositor finlandês Jan Sibelius.
Jean Sibelius - "Karelia Suite - Intermezzo".
The Nice - "Intermezzo From The Karelia Suite (Jean Sibelius)" (1968). Interpretação genial da peça de Sibelius feita por esta banda britânica de rock "progressive", onde liderava o famoso e virtuoso teclista Keith Emerson (1944-2016), o qual, em 1970, fundaria o memorável grupo "Emerson, Lake & Palmer", com o vocalista, guitarrista e baixista Greg Lake (que antes, em 1969-1970, havia sido o vocalista principal da banda "King Crimson" esta liderada pelo génio Robert Fripp (1948-) e o baterista e percursionista Carl Palmer.
Esta banda é daquelas de que se pode dizer: "dela não se fala, ouve-se!".
No tempo dos "Sidekicks".
Em 1965, mudaram o nome para "The Key".
Logo em Janeiro de 1967, entram em contacto com uma nova editora e mudam o nome para "Kaleidoscope".
Com esta mudança, em princípios de 1967, os Kaleidoscope apanham o "comboio" dos, então, nascentes psicadelismo e "flower power" no momento certo e iniciam as gravações daquele que seria o seu primeiro LP "Tangerine Dream". As gravações, seguindo as novas "correntes", duram de Fevereiro a Setembro de 1967. Durante este tempo, conseguem absorver todas as influências desse período tão crucial da história da cultura.
Kaleidoscope -Tangerine Dream (1967).
Kaleidoscope - Kaleidoscope (1967).
Kaleidoscope.
Da esquerda para a direita: Steve Clark (1946-1999), Danny Bridgman (1947), Eddie Pumer (1947-2020) e Peter Daltrey (1946).
Kaleidoscope - Please Excuse My Face (1967).
Kaleidoscope.
Kaleidoscope - Mr Small, The Watch Repairer Man (1967).
Kaleidoscope.
Kaleidoscope - Dear Nellie Goodrich (1967).
Kaleidoscope.
Kaleidoscope - Jenny Artichoke (1968).
Kaleidoscope - A Dream For Julie (1967).
Kaleidoscope.
Kaleidoscope - Faintly Blowing (1969).
Kaleidoscope.
Kaleidoscope.
Kaleidoscope - Poem (1969).
Kaleidoscope
Kaleidoscope - If You So Wish (1969).
Kaleidoscope.
Kaleidoscope - Balloon (1969).
Kaleidoscope.
Fairfield Parlour - From Home To Home (1970).
Fairfield Parlour.
Fairfield Parlour - Emily (1970).
Fairfield Parlour.
Fairfield Parlour.
Fairfield Parlour.
Eddie Pumer .
Eddie Pumer
Paul McCartney e Eddie Pumer.
Eddie Pumer e Danny Brigdman.
Danny Brigdman e Eddie Pumer.
Peter Daltrey .
Peter Daltrey.
Peter Daltrey .
Peter Daltrey .
Peter Daltrey.
Peter Daltrey e a capa do primeiro LP dos Kaleidoscope "Tangerine Dream" (1967).
The Verve - Bitter Sweet Symphony (1997). Richard Ashcroft em modo "Juggernaut". Desconcertante!!!... E também algo cómico, de certa forma... Nesse ano (1997) o vocalista e líder dos The Verve chegou a ser comparado a Mick Jagger. Não é de espantar, pois este tema deriva de uma versão instrumental do clássico dos Rolling Stones de 1965 "The Last Time", o qual, cronologicamente, antecedeu imediatamente o seu memorável "(I Can't Get No) Satisfaction" (1965).
The Andrew Oldham Orchestra - "The Last Time" (1966). Eis a tal versão instrumental do clássico dos Rolling Stones, a que os The Verve foram recorrer para formar a "base" do seu "Bittersweet Symphony" de 1997. Na altura, chegou a causar polémica... O que também contribuiu para aumentar o seu sucesso e, ironicamente, incentivar a reedição (finalmente!) deste "The Rolling Stones Songbook", até então completamente esquecido nas vagas implacáveis do tempo. A polémica acabou por durar muito menos tempo do que, então, se esperava... O "Bittersweet Symphony" é agora um clássico incontestável do chamado "som dos anos 90", que bem merece. E, desde então, o pior que os detentores dos direitos de autor e conexos (sobreviventes) deste tema dizem relativamente ao suposto "roubo" dos The Verve é: "bollocks!!!".
Fat Les - Vindaloo (1998). Este tema acabou por ser um dos hinos da Inglaterra durante o Mundial de 1998.
De maneira nenhuma sou fã do cantor Roberto Carlos, ainda que admire a sua (muito difícil) história de vida. Esta é que é a melhor e irrepetível versão deste tema clássico ("Quero Que Vá Tudo Para O Inferno"). Foi gravada em 1966 num programa da RTP, (acho que era) o "Som & Ritmo", apresentado pelo saudoso Henrique Mendes ("Ponto de Encontro" e outros), quando Roberto Carlos veio a Portugal. Um arranjo simples e direto. Apenas guitarra, baixo e bateria. O som gasto pelo tempo dá-lhe um sabor muito especial...
Para mim, uma versão que seria espetacular seria piano, baixo ou contrabaixo e bateria. Deita por terra qualquer outra que dela se tenha feito e venha a fazer! Inclusive a que ficou no seu primeiro LP de 1965, e com mais instrumentos (cuja parte instrumental introduz este vídeo), e mesmo a que uns muito nossos conhecidos GNR (de cujo repertório eu gosto) lançaram em no Verão de 2006. Esqueçam os primeiros 32 segundos deste vídeo e passem-nos à frente...
Roberto Carlos - Quero Que Vá Tudo Para O Inferno (versão ao vivo em Portugal de 1966).
Falei numa possível versão deste tema de Roberto Carlos, utilizando apenas piano, baixo ou contrabaixo e bateria. Ficaria algo como este outro emblemático tema de um outro grupo brasileiro histórico, os Tamba Trio, aqui com a participação especial de outro nome importante da música brasileira: Edu Lobo. O tema é "Borandá" gravado e lançado em 1964.
Tamba Trio (com Edu Lobo) - Borandá (1964).
E, já agora, a talhe de foice, mais um pouco desse memorável "Som & Ritmo" de 1966:
Roberto Carlos - "Não Quero Ver Você Triste" (1966). Também esta é a minha versão preferida deste outro tema.
Tá bem, tá bem... Vá! Eu não me esqueci de pôr aqui o seu clássico "O Calhambeque"... Eis também a sua "versão Som & Ritmo" de 1966.
Roberto Carlos - "O Calhambeque (Road Hog)" (1966).
E, só mais isto...
Roberto Carlos - "História De Um Homem Mau" (1966).
Roberto Carlos - "Pega Ladrão" (1966).
Roberto Carlos - "Parei na Contramão" (1966).
John D. Loudermilk (1934 - 2016) - "Road Hog" (1962). Esta é a versão original de "O Calhambeque", popularizada por Roberto Carlos, por volta de 1965, entre os públicos de língua de expressão portuguesa. Para satisfazer a curiosidade de alguns...
Há não muito tempo, foi lançado em CD mais um desses álbuns que há muito estavam, literalmente, perdidos para sempre (e, afinal, a grandemaioria dos discos gravados e lançados ao longo dos tempos e internacionalmente, dos mais variados formatos, incluem-se neste vastíssimo grupo).
O nome do álbum é "Marble Phrogg...", foi editado em 1968 e o enigmático grupo que o executa respondia pelo nome de "Marble Phrogg".
Todo este álbum é enformado por covers de temas de cantores e grupos, então (1968), já consagrados, por exemplo: Cream (de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker) ("I'm So Glad" e "Strange Brew"); Steppenwolf ("Born To Be Wild"); Jimi Hendrix ("Fire"); Byrds ("I Feel A Whole Lot Better"); Donovan ("Season Of The Witch"); Rolling Stones ("Connection"); Iron Butterfly ("Fields Of Sun"); The Animals (então sob o nome de "Eric Burdon & The (New) Animals") ("Sky Pilot").
Estas versões têm uma qualidade variável mas, neste caso, a minha preferência vai para os originais. Não é que eu seja purista! Há por aí versões de temas conhecidos e mais obscuros que chegam a ser melhor do que os originais e têm, muitas vezes, o condão de tirar do anonimato os seus autores e intérpretes originais (por vezes, já tarde demais, quando estão mortos...). Por exemplo, Bob Dylan que, apesar de todo o seu valor enquanto compositor e intérprete genuíno, nos começos da sua carreira saiu do seu anonimato inicial graças às versões de outros cantores e grupos, então, seus contemporâneos. Muitos destes, são hoje menos lembrados do que o "mestre" e Prémio Nobel. Quantas vezes ainda hoje se fala em "The Association", "Manfred Mann", "Peter, Paul & Mary", "13th Floor Elevators", "The Kingston Trio", "The Hollies", "Steve Howe", "Grateful Dead", "Golden Earring", "Fairport Convention" ou mesmo os "The Band", com quem Bob Dylan gravou, num período difícil e de quase reclusão, as famosas "Basement Tapes"???
Obviamente, alguns dos que lêem estas palavras terão aqui ouvido falar nestes nomes pela primeira vez...
À partida, o que pode haver de interessante em obter esta reedição em CD? Puro colecionismo? O facto de ser, exatamente, mais uma banda quase ignorada, parecer um objeto único e raro, senão um "achado", porque a generalidade dos cantores e grupos que foram sendo ignorados, raramente tem o "privilégio" de ser reeditado em CD? O facto de ser um álbum antigo e lançado em 1968, ano que, ainda hoje, muitos consideram "mítico"?
É verdade que, segundo fiquei a saber, o LP original é um dos mais procurados por colecionadores e está cotado, nesse mercado selecto, em valores exorbitantes. Mas é também verdade que, à generalidade desses colecionadores, o que interessa é o objeto em si, pois muitos deles nem sequer se atrevem a pô-lo num gira-discos com receio de o estragar e deteriorar ainda mais e, assim evitar a sua eventual "desvalorização".
O que aqui falamos é na sua reedição em CD, no seu conteúdo musical! Também existe um crescente mercado de CDs raros, à venda a preços astronómicos, mas este ("Marble Phrogg...") ainda não atingiu esse estatuto. (Pode ser, daqui a umas décadas...)
Pessoalmente, eu não consideraria, à partida, um bom investimento comprar um álbum todo ele feito de versões de outros e de qualidade meramente aceitável ou, no máximo, banal.
Todo? Não!
Logo, em segundo no alinhamento original, surge um tema que deve ser, de facto, o único original desta banda e que nos faz concluir que, se esta banda tivesse apostado mais em temas originais, este álbum seria de muito maior qualidade e valor. O tema é "Love Me Again". Muitos, eventualmente, lembrar-se-ão de um grande êxito, mais recente (2013), do cantor John Newman. Acontece que este (de 1968) não tem nada a ver com o que muitos estarão a pensar...
É o tema que "salva" este álbum e acaba por, afinal, mais do que justificar a sua compra. Até passamos a ouvir (mais estas) versões de temas, já muito conhecidos, sob outra luz e com maior receptividade. Mas, aqui, é fundamental conhecer os originais que, na minha opinião, são bem melhores e imbatíveis e permitirão fazer um juízo mais fundamentado das capacidades destes Marble Phrogg. É claro, que não será fácil encontrar este CD à venda em Portugal...
Falei, em posts anteriores, na temática do "BLUES". Eis um tema onde surge expressa a profundidade deste género musical. Pode soar datado, pois foi composto e lançado nesse ano (ainda hoje algo enigmático...) que foi 1967. (Lembre-se tudo o que houve, nos mais variados campos, por essa altura.)
Este tema provém de um álbum com um título, então (1967), com muito significado: "WINDS OF CHANGE".
Mas é o último tema do lado B... Portanto, nunca vem nas coletâneas e é sempre ignorado pela generalidade dos ouvintes... Mas encerra e bem, o respetivo álbum!
É muito curto, pois dura pouco mais do que 2 minutos, mas É DIRETO E CERTEIRO!!!E SEM RODEIOS!!! Como deve ser!!!...
(O facto de durar pouco, ainda pode provocar, nalguns ouvintes, a vontade de carregarvárias vezes seguidas no botão que faz voltar os temas ao princípio...)
IT’S
ALL MEAT
The
sound of Muddy Waters and the voice of Jimmy Reed
When
Ray Charles moans
It's
all meat on that same bone
It's
all meat on just one bone
When
Miles Davis blows his horn,
When
Ravi Shankar plays
It's
all down home
But
it's all meat on the same bone
It's
all meat on just one bone
When
Erkel Darbies (???) walks,
When
Eric Clapton talks
There's
only one place it can come from
And
it's all meat on the same bone
All
meat, same bone,
Do
it!
Don't
you listen to none of them jive hip squares
Try
to tell you where the blues is from
'Cause
the blues is from the whole wide world
Deep
within the souls of men.
When
Muhammad Ali gets mad
When
an Irishman drinks
It's
all for a woman
It's
all for his home
It's
all meat on the same bone
It's
all meat, same bone
It's
all meat, same bone
Same
bone, same thing
It's
all soul, It's all meat!
Olhando para a letra, muitos de certo pensarão: "Deve ser longo e arrastado!". Muito pelo contrário!!! Eu acho que é demasiado curto!!!
E, agora, o mais importante:
Eric Burdon&The (New) Animals - "It's All Meat" (1967). A fantástica execução da guitarra é de Vic Briggs (o segundo à direita na imagem) ou de John Weider (o primeiro à direita). Eric Burdon, a voz principal e o líder, está no meio (muito bem acompanhado... Seria a sua namorada de então?).
Quando Eric Burdon decidiu, em 1966, formar os (New) Animals e foi para os Estados Unidos, reuniu-se de um grupo de músicos de eleição. Estes são, na imagem, da esquerda para a direita: Danny McCulloch (baixo e 2ª voz), Barry Jenkins (bateria e percussão) - o único elemento de uma versão anterior dos Animals, ainda em Inglaterra, Vic Briggs (guitarra), vindo também de Inglaterra, e John Weider (guitarra, violino e outros instrumentos).
Eric Burdon & The (New) Animals. Era este o aspeto do grupo por alturas do lançamento do LP "Winds of Change" (1967).
Eric Burdon& The (New) Animals - "Just The Thought" (1967-1968). Tema proveniente do segundo LP "The Twain Shall Meet", gravado no final de 1967 e lançado em Maio de 1968. Neste disco, os arranjos instrumentais são reveladores de uma crescente complexidade, e as letras tornam-se mais esotéricas, revelador de um mergulho mais fundo no psicadelismo, então, corrente. É um disco de adesão um pouco mais difícil do que o anterior, mas não menos interessante e contém alguns dos temas mais estranhos do repertório desta banda, inclusive este "Just The Thought". A voz principal não é a de Eric Burdon, mas sim do baixista Danny McCulloch. Eric Burdon é a outra voz que recita os versos. De referir que este Danny McCulloch, mais tarde, num livro lançado poucos anos antes do seu falecimento, em 2015, afirmará que ter sido membro dos Animals, foi o maior erro da sua vida...
No ano seguinte (1968), a formação original sofreria importantes transformações. De início, o número de elementos aumentaria com a chegada de um certo Zoot Money (que também respondia pelo nome de George Bruno), que iria ocupar os teclados. De seguida, saem Danny McCulloch e Vic Briggs e chega, mesmo a tempo de participar nas gravações do disco final "Love Is" (finais de 1968), um certo guitarrista, também britânico, chamado Andy Summers...Este último, anos mais tarde, integraria, com Sting e Stuart Copeland, a sempre relembrada banda Police... Vale a pena ainda referir que esta banda, só durante o ano de 1968, lançou 3 álbuns! Coisa reservada a poucos... Apesar de tudo, quando o último foi lançado, em Dezembro de 1968, a banda tinha-se já desfeito abruptamente e o resto é História...
Paul Butterfield igual a si mesmo... Mesmo antes de revelarem quem é o verdadeiro "Paul Butterfield", a gente já percebe quem é...
Paul Butterfield (1942 - 1987) e Mike Bloomfield (1943 - 1981): dois bluesmen da cabeça aos pés, um na harmónica, o outro na guitarra. Quando este Mike Bloomfield decidiu sair da banda de Paul Butterfield, para não mais voltar, a "Butterfield Blues Band" nunca mais foi a mesma. Aliás, a morte prematura destes dois músicos de alto nível, mas não reconhecido, constitui duas das maiores tragédias ignoradas da história da música ocidentaldo século XX. Direta ou indiretamente, sobretudo no caso de Mike Bloomfield, eles foram vítimas do esquecimento a que foram votados, em consequência de o blues ter perdido muito da sua importância, sobretudo a partir da década de 1970. Pode-se dizer que o "nicho" que este tipo de música ocupava, foi sendo gradualmente ocupado pelo chamado "heavy metal", nos seus mais diversos tipos. Tal como tem acontecido com o "heavy metal", também o blues-rock é um género de música que, mesmo nos seus tempos áureos, raramente beliscava os lugares mais inferiores dos "hit-parades". Ambos são dois géneros musicais intrinsecamente anti-mainstream e, sobretudo, anti-comerciais. Todavia, tal como o referido "heavy metal", o blues tem sempre mantido um núcleo de fans, adeptos e seguidores dos mais solidamente fiéis, quase como acontece nos clubes de futebol.
Documentário essencial onde ouvimos o veterano bluesmanSon House e o, então, jovem Mike Bloomfield exprimirem as suas perspetivas acerca do que é, realmente, interpretar e, sobretudo, sentir o "verdadeiro" Blues. Mike Bloomfield, não se considera idêntico ao veterano Son House, apesar de o venerar. A distingui-lo dos, então na sua grande maioria, bluesmen negros, ele salienta, pelo menos, dois fatores: "Eu sou judeu!" e "Eu nasci numa família abastada". Mesmo assim, ele reconhece que o Blues, tem qualquer coisa de "místico". Ao ser "apanhado" por esta "mística", Mike Bloomfield "viveu" também o Blues à sua maneira: "Acabei por também levar muita "porrada"! Neste vídeo, a determinada altura, Mike Bloomfield fala dessa "figura" chamada Paul Butterfield, onde faz uma referência elogiosa ao seu, então, colega de banda. Algo como: "Ele é único! Ele é inimitável! Ele nasceu para o blues! Ele é um bluesman na sua mais profunda essência!". A encerrar, ouvimos Paul Butterfield e a sua "Blues Band", com Mike Bloomfield na guitarra principal, no Festival de Newport, em 1965. Foi nesta mesma edição do Festival, que Bob Dylan provocou "escândalo" ao tocar guitarra elétrica, acompanhado, precisamente, por esta "Blues Band". De referir ainda que Bob Dylan, no seu álbum "Highway 61 Revisited" (1965), contou com a participação de Mike Bloomfield e, por diversas vezes, a guitarra deste "brilhou". Tomemos como exemplo o tema que eu considero o melhor do "Highway 61 Revisited": "Tombstone Blues".
Bob Dylan - "Tombstone Blues" (1965). A letra é um perfeito exemplo de exercício de inspiração no máximo. É quase um romance surrealista transformado em canção. Destaque para a guitarra de Mike Bloomfield.
The Paul Butterfield Blues Band - Born In Chicago (1965). O tema de apresentação de Paul Butterfield. Há quem diga que, de facto e naquele tempo, ele andava armado, não só com a sua harmónica... Mike Bloomfield, mais tarde, afirmará que, quando conheceu Paul Butterfield, este lhe causava medo... Este último, pelo menos, manteria uma admiração por aquele, até à sua morte prematura...
The Paul Butterfield Blues Band - Shake Your Moneymaker (1965). Neste tema, Mike Bloomfield é o rei, aos comandos da sua inconfundível guitarra. Sugestão: escutar com o som bem alto!
The Butterfield Blues Band - Walkin' Blues (1966). De novo, Paul Butterfield e Mike Bloomfield na linha da frente, ainda que com novos elementos na banda.
The Butterfield Blues Band - Mary, Mary (1966). A versão original. A harmónica e a voz de Paul Butterfield e as guitarras de Mike Bloomfield e Elvin Bishop (também conhecido por "Pigboy Crabshaw") são únicas. A seguir ao álbum "East-West", Mike Bloomfield saiu repentinamente do grupo e Elvin Bishop passou a ser o guitarrista principal.
The Monkees - Mary, Mary (1966-1967). A versão que teve mais êxito e ficou mais famosa. Conta-se que, quando esta versão foi lançada, houve protestos aqui e ali de fans de Paul Butterfield e não só. Estes achavam que a, então, recém criada banda The Monkees tinha "roubado" o tema e o adulterado. A versão "pop" desta canção pode ser criticável mas, na verdade, o tema não foi "roubado". O seu autor era, precisamente, Mike Nesmith, um dos elementos dos The Monkees (é, no video, o guitarrista). Acontece que este, uns meses antes, quando ainda a sua banda ainda não era famosa, ele ofereceu o tema ao grupo de Paul Butterfield, que fez uma interpretação genuína, como era de esperar... A única coisa, digna de registo, da versão dos Monkees é a parte rítmica, que ficou a cargo dos bateristas Hal Blaine e Jim Gordon, já então músicos de estúdio veteranos e muito requisitados. Hal Blaine tocaria bateria, por exemplo, em diversos temas dos TheMamas & The Papas. Jim Gordon, para além de ter sido "session musician", chegaria a integrar o super-grupo Derek & The Dominoes, liderado pelos guitarristas Eric Clapton e Duane Allman (1946-1971) (este último membro-fundador dos Allman Brothers Band) e que teria como seu maior êxito o tema "Layla" em 1970.
Summer Snow (feat. The Peppermint Trolley Company) - Flying On The Ground (1967).
Moorpark Intersection - Yesterday Holds On (1967).
Sidewalk Skipper Band - Seventeenth Summer (1968).
Book A Trip - Volume 2
Raw Edge - October Country (1967).
Ellie Janov - Portobello Road (1967). Ellen Janov, que na sua adolescência foi também atriz de séries juvenis, estreava-se como cantora, interpretando aqui uma cover de um tema original de Cat Stevens que, no ano anterior (1966), também se havia estreado como cantor e compositor com temas como "I Love My Dog" e "Matthew And Son". Uma frase muito repetida ao longo da canção é "Growing old is my only danger". Ironia ou não, Ellie Janov, quando já tinha abandonado a sua carreira artística e iniciado a sua atividade profissional na área da psicoterapia, seguindo as pisadas do seu famoso pai, encontrou a morte com apenas 22 anos num incêndio... De referir que o autor da canção, Cat Stevens, também acabaria por ter a sua vida em risco, em 1969, quando descobriu que tinha uma tuberculose (!!!) e que, segundo os prognósticos dos médicos, poderia não sobreviver... Esta doença acabaria por implicar uma suspensão na sua carreira artística ainda que por menos tempo do que ele temia... Logo em 1970, regressaria aos escaparates um "novo" Cat Stevens, claramente "renascido". Este momento muito crítico na sua vida havia-o levado a ponderar, muito a sério, a sua carreira de então e explica, entre outras coisas, a mudança evidente de estilo musical para um registo mais acústico e introspetivo, claramente afastado das suas "grandes produções", muito orquestradas e, por vezes, "pomposas", de 1966-1968.
Michael Blodgett - Fire Engine Sky (1967).
Robbi Curtice - When Diana Paints The Picture (1968). Esta canção é pura poesia! Na ficha técnica deste tema surge dito que este tema não ficaria mal no emblemático álbum dos Zombies "Odessey And Oracle" (gravado em 1967/lançado em 1968). Eu também acrescentaria o "Pet Sounds" dos Beach Boys (gravado desde 1965 e lançado em 1966). Este vídeo constitui também uma homenagem aos principais elementos intervenientes neste tema. De facto, eles surgem, em ordem aleatória, em épocas diferentes da sua vida. Este último detalhe ainda lhe atribui um sentimento adicional... O tempo passa... As pessoas envelhecem... Vão desaparecendo...
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The Pink Cloud (feat. David Lucas) - Midnight Sun (1967).