
sábado, fevereiro 12, 2011
Património e patrimónios

domingo, setembro 14, 2008
Um olhar sobre o "Largo" do Martim Moniz
A zona designada por Martim Moniz, consiste numa vasta área situada bem no centro de Lisboa e junto a uma das suas mais emblemáticas zonas históricas, que é a Mouraria. Não se trata de um "Largo" no sentido correcto do termo, pois não fora assim planeado originalmente. É antes mais um dos diversos e infelizes resultados de uma política urbanística tipica do Estado Novo. Com a ideia de "colorir" de modernidade e progresso um país mergulhado num atraso geral quando comparado com outros países da Europa, destruía-se o que era antigo sem qualquer respeito pelo património histórico.
Seria um pouco inexacto não referir aqui que, já desde o início do século XX, a Baixa Mouraria vinha sendo, gradualmente, alvo de demolições. Só que estas eram quase esporádicas, pontuais e centradas em locais muito bem definidos e inseridas num vulgar plano de melhoramento de certos recantos urbanos, onde podiam haver razões de ordem higiénica. Acontece que foi só a partir dos anos quarenta, mais concretamente por volta de 1945, que se pôs em prática o plano urbanístico que levaria a uma gradual mas vasta demolição, que terminaria no "largo" que hoje se pode observar no centro de Lisboa. Muito correctamente, têm havido muitas vozes a descrever este local como o "Buraco do Martim Moniz".

As principais demolições, que deram a dimensão final a este espaço, estavam concluídas por volta de 1962. No lugar onde antes existia muito da zona baixa da Mouraria, onde casas e edifícios modestos conviviam com alguns outros assinaláveis, existia então um vasto terreiro, com zonas de terra batida que enlameavam facilmente com a com a chuva, muito utilizado como parque de estacionamento livre. Uma "terra-de-ninguém", onde surgia isolada a Capela de Nossa Senhora da Saúde, que foi o único edifício poupado ao devastador plano de demolição.
Entre as "vítimas" mais lembradas deste verdadeiro "bota-abaixo" estavam o Palácio dos Marqueses de Alegrete em 1946, a imponente Igreja do Socorro em 1949 (em cima), o Teatro Apolo em 1957 (em baixo) e, por fim, o Arco do Marquês de Alegrete em 1961, que era também a última porta sobrevivente da antiga muralha. 

segunda-feira, fevereiro 04, 2008
O património volátil
Existe um outro tipo de património, não visível, mas que pela sua importância, tem condicionado muito da ação e produção do Homem. É a cultura imaterial.

Deriva da necessidade de interação do Homem com o meio que o rodeia, cujos fenómenos, muitas vezes, ele não consegue explicar racionalmente. Tem uma componente de empirismo e uma de imaginação. Para muitos povos foi, ao longo dos tempos, um verdadeiro auxiliar de sobrevivência quando as condições eram adversas, bem como um elemento de identificação do indivíduo no grupo dos que geográfica ou pessoalmente, com ele se relacionassem. Durante séculos, estes costumes mantiveram-se como a cultura dominante em diversas regiões, sobretudo as mais afastadas dos grandes centros urbanos. Estas chegavam a ter um calendário próprio para as mais diversas atividades, ligadas ao trabalho, maioritariamente agrícola, ao comércio, onde predominavam os vendedores ambulantes, à religião e mesmo ao simples divertimento. Muitas das feiras que ainda hoje se realizam, quer na cidade quer no campo, provinham dessa época.

segunda-feira, janeiro 28, 2008
A cultura material como património
Uma escultura grega, um vaso romano, uma roda de oleiro, um capote alentejano, uma rede de pesca, uma foice, uma sanfona. São estes alguns exemplos daquilo que constitui a cultura material. Constituem também património histórico e cultural, pois a eles está associado todo um conjunto de atividades artísticas e económicas, que tiveram a sua época de expressão num dado momento da história da Humanidade. São o que fica da memória de outros tempos.Para além de todos os valores que representam, cada um destes objetos traz consigo também uma outra memória, imperceptível à primeira vista. São um testemunho da inspiração e da capacidade criativa daqueles que os fabricaram. Cidadãos anónimos, que o tempo de uma vida não bastou para serem devidamente famosos, para que o seu rosto ficasse impresso nos anais da história.

A necessidade de terem de ganhar o seu sustento, compeliu-os a enveredar por uma atividade económica onde a dureza das condições não tolheu a força das suas mãos. Daí que, para além de quem os criou, estas peças representam igualmente todos aqueles, que, de uma forma ou de outra as terão usado.

