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sexta-feira, agosto 15, 2008

A origem dos Zombies

Os Zombies originais eram um grupo britânico proveniente de St. Albans (localidade situada próximo de Londres). Os seus elementos foram-se reunindo ainda no tempo do Liceu, altura em que começaram a actuar nos circuitos liceais da área de St. Albans, onde conquistariam desde logo os seus primeiros núcleos de fans, tornando-se num dos grupos mais requisitados da sua região. Tendo participado em 1964, num concurso de novas bandas, ganharam o primeiro prémio, que consistia num contrato com uma editora discográfica. Entre a assistência encontravam-se igualmente diversos produtores. A actuação dos Zombies chama a atenção em particular de um certo Ken Jones, produtor já com grande experiência e suficientemente dinâmico, para conseguir que as bandas sob a sua responsabilidade conquistassem, nem que fosse por uma única vez, o seu espaço no vasto e já então muito competitivo mercado discográfico. Um fator que destacava os Zombies dos outros grupos então existentes, era a voz peculiar de Colin Blunstone. Ken Jones ficou particularmente maravilhado com uma composição de Rod Argent, “She’s not there”, que acabará por ser ainda lançado nesse ano de 1964, tornando-se no seu 1º grande êxito. O sucesso das vendas deste single, bem como a excelente receptividade por parte dos críticos musicais, entre os quais estava George Harrison dos Beatles, leva a sua editora a pensar nas vantagens em lançar um LP, que se virá a designar de “Begin Here”. Os temas deste disco serão gravados ainda nos últimos meses de 1964, e o LP será lançado logo no começo de 1965.
Em paralelo, os Zombies, incentivados pelo seu produtor de então, Ken Jones, irão ter à sua frente uma agenda de espectáculos e digressões muito exigente e, não raras vezes, muito esgotantes, onde são muito elogiados pelo público e pela crítica. Havia quem considerasse as suas actuações muito superiores em qualidade ao que os discos deixavam revelar. Aliás, foi ao vivo que o seu êxito se manteve bastante elevado. Contrariamente, o índice de vendas dos seus discos, vinha decaindo a olhos vistos, apesar da sua qualidade se manter inalterada e do seu amadurecimento musical. Uma das suas tentativas de conseguir mais um grande êxito foi o tema “Whenever you’re ready” em 1965. Tinha tudo para ser um grande êxito, mas ficou-se muito abaixo das expectativas, o que contribuiu para um aumento da frustração no seio do grupo. No entanto, o ano de 1965, foi talvez o período em que tiveram maior actividade, tendo gravado uma grande quantidade de temas que ficariam inéditos durante vários anos, para além da sua participação num filme e respectiva banda sonora. No ano seguinte, 1966, apesar das boas actuações ao vivo, o as vendas discográficas não lhes correspondiam de forma alguma. O desânimo crescia ao mesmo tempo que a respectiva editora, Decca, começava a desinteressar-se desta banda, que parecia estar a dar sinais de decadência e a passar de moda. De facto, as “visitas” ao estúdio neste ano foram particularmente escassas. Em contrapartida, os Zombies continuavam a privilegiar as suas actuações ao vivo, de onde lhes vinha agora o grosso das suas receitas monetárias. 

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

A primeira reunião dos Zombies

Os Zombies foram um dos grupos mais importantes da “invasão britânica” que se seguiu ao aparecimento e êxito dos Beatles, a partir de 1963. No entanto, não oficialmente, o grupo já se havia formado em 1961, a partir da reunião de alguns estudantes da zona de St. Albans, com gostos musicais próximos. O grupo, na sua formação definitiva, era constituído por Colin Blunstone na voz principal, Rod Argent nos teclados e coros, Chris White no baixo, viola acústica e coros, Paul Atkinson nas guitarras e Hugh Grundy na bateria e percussão.

Só se afirmariam discograficamente a partir de 1964, quando lançam o tema “She’s not there”, que é êxito em vários países. Tiveram, nos anos seguintes alguns outros êxitos, ainda que gradualmente menores, mas foi sobretudo devido àquela canção que eles são relembrados por muitos. De qualquer forma, os “Zombies” arriscar-se-iam a não ser mais do que um entre muitos outros seus contemporâneos, que não tiveram mais do que um ou outro êxito assinalável, se não fosse um álbum que eles gravaram quando a sua separação já era mais do que certa. O nome desse álbum era “Odessey And Oracle”, saído em Março de 1968. Era o segundo álbum deste grupo e fora gravado durante os últimos meses de 1967. Apesar de, no momento do seu lançamento, não ter vendido muito, este disco acabaria por inscrever, posteriormente o nome dos “Zombies” entre os grandes grupos da década de 60. O álbum “Odessey And Oracle” não causou grande impacto nessa Primavera de 1968, em grande parte porque o grupo já se havia dissolvido, não havendo a promoção necessária. Só os anos que se seguiriam acabariam por trazer o devido reconhecimento a esta obra discográfica. Pode-se afirmar que todo o interesse à volta dos “Zombies”, só cresceu verdadeiramente quando estes já tinham acabado. De facto, a partir de 1968, os elementos do grupo dispersaram-se por projetos de vida muito diferentes. Colin Blunstone iniciou uma carreira a solo, com êxito muito moderado, mantendo-se um cantor de primeiro nível, apesar de não devidamente reconhecido. Rod Argent, apoiado por Chris White, formou o seu próprio grupo, “Argent”, que teria algum sucesso durante os anos 70. Chris White, tornar-se-ia produtor de diversas bandas e cantores, participando, muito casualmente, em gravações de estúdio de alguns deles. Paul Atkinson trabalharia com computadores, antes de, tal como Chris White, enveredar pela produção de cantores e grupos, entre os quais os “ABBA”, participando, ocasionalmente, como músico de estúdio. Hugh Grundy também exerceria, durante algum tempo, atividades inseridas em estúdios de gravação e editoras discográficas passaria a viver para a sua família, participando em diversos negócios, nomeadamente a gestão de um bar local, só muito ocasionalmente retomando a bateria.

Como aconteceu com muitos dos grupos extintos ao longo das últimas décadas, a comunicação social e o público, com destaque para os fãs, têm vindo a alimentar o sonho, muitas vezes utópico, de ver os “Zombies” reunificados, nem que seja por uma breve ocasião, sempre longamente recordada. Devido às diversas atividades absorventes, fora ou dentro da indústria musical, dos seus antigos membros, sem esquecer as eventuais mudanças de país de residência, tal situação esteve, durante muitos anos, longe de estar sequer prometida. Outro argumento para a recusa em se voltarem a reunir, corroborado por outros, residia no facto de poderem ser considerados anacrónicos e, desta forma, poder não contribuir muito positivamente para a respectiva imagem mediática. No entanto, uma reunião em estúdio já poderia ser mais consensual. Foi o que aconteceu em 1990 quando, por iniciativa de Chris White, decidiram voltar a gravar canções em mais de vinte anos de separação. Uma das razões para esta súbita tentativa de reavivar da chama dos “Zombies”, residia, segundo Chris White, no facto de, desde a sua separação, em 1968, terem surgido diversas bandas com o mesmo nome.

Não é uma situação muito usual, mas no caso dos “Zombies”, houve, em terras britânicas e norte-americanas, bandas que tentaram capitalizar o seu sucesso, assumindo-se como os “verdadeiros Zombies”. Eram situações de usurpação de nome, que foram sendo mais ou menos resolvidas judicialmente. O problema era o facto de serem algo recorrentes. Movido por este momentâneo desejo de legitimação, Chris White entra em contacto com outros produtores seus conhecidos, numa forma de obter apoio financeiro para pôr em marcha o seu projeto de gravar um novo trabalho discográfico.

Logo de seguida, entrou em contacto com os outros seus antigos colegas de grupo. Obteve imediata aceitação por parte do baterista Hugh Grundy (em cima), logo seguida da total disponibilidade do antigo vocalista Colin Blunstone. Já não foi tão bem sucedido com os outros dois elementos. Paul Atkinson estava a viver e a trabalhar em full-time numa editora discográfica nos Estados Unidos e Rod Argent estava submerso em diversas atividades de estúdio, para além de, mais uma vez, ter argumentado não fazer sentido reviver um grupo musical muito datado.

Uma vez que os teclados de Rod Argent eram uma peça fundamental no som dos “Zombies”, Chris White teve de procurar um músico específico que reunisse as qualidades necessárias para ocupar um lugar quase insubstituível. Esse músico foi encontrado na pessoa de Sebastian Santa Maria (em cima), músico chileno nascido em 1959, e um verdadeiro mago dos teclados. Na realidade, os teclados eram apenas um dos diversos tipos de instrumentos musicais em que ele era exímio.

A partir daqui, estavam reunidas todas as condições para se iniciarem as gravações dos temas que iriam constituir o primeiro álbum dos verdadeiros “Zombies”, gravado, com mais de duas décadas de distância, desde a obra-prima “Odessey And Oracle”. O seu título inicial era "The Return Of The Zombies", mas acabou por ser escolhido o título de uma das suas canções: "New World". Ao contrário do que, inicialmente se pretendia, o álbum não foi editado nos Estados Unidos. Tendo sido, primeiro, lançado na Alemanha.

Contrariamente ao que muitos poderão pensar, não se trata de um disco revivalista, pelo menos no que respeita à música em si. O seu som é muito actual (para a época em que foi lançado), apontando, por isso, para novas direções. Muito deste som "mais contemporâneo", deve-se, sem dúvida, à proeminência dos teclados de Sebastian Santa Maria, o que faz deste disco uma demonstração muito expressiva do talento deste músico e, talvez, uma iniciação no seu vasto e muito peculiar mundo musical. Para além de "novo Zombie", Sebastian revelou também um pouco do seu talento de compositor em alguns dos temas deste álbum, com especial destaque para "I Can't Be Wrong" e "Moonday Morning Dance"

Neste dois temas, somos levados a reconhecer o à-vontade de Sebastian tanto nas baladas como em temas mais uptempo e a destapar um pouco do véu sobre o seu ecletismo e versatilidade. Com a sua morte prematura em 1996, vítima de uma rara doença genética, este disco acabou, de certa forma, por ser um muito expressivo tributo a Sebastian Santa Maria, músico, cantor e compositor.

O vocalista Colin Blunstone (em baixo) surge, mais uma vez, no seu melhor, revelando-se perfeitamente adaptado a novas correntes musicais, não desiludindo quem se habituou a considerá-lo uma das melhores vozes da música contemporânea.

Uma feliz surpresa para muitos fãs de longa data dos "Zombies", foram as duas participações, como músicos convidados, dos antigos membros-fundadores originais Rod Argent e Paul Atkinson. Cada um deles participou num tema diferente.

Rod Argent (em cima) havia, pouco antes, regravado uma série de êxitos do seu antigo grupo. Um desses temas era "Time Of The Season", que ele aceitou ver incluído no alinhamento de "New World". De facto, Rod Argent não havia participado, diretamente, nas gravações deste novo disco dos "Zombies", mas teve a oportunidade de assistir a algumas delas, tendo ficado bem impressionado com a qualidade das canções interpretadas.

Paul Atkinson (em cima), pelo contrário, teve a rápida oportunidade de participar no tema principal do disco "New World", enquanto um dos guitarristas, apesar de não ser possível distinguir qual o som da sua guitarra no meio dos outros. Decerto, acabaria esta por ser uma das suas últimas raras participações como músico em gravações de estúdio, antes da sua morte prematura em 1 de Abril de 2004, aos 58 anos, na sequência de complicações derivadas do cancro.