No vasto mundo da música contemporânea dos últimos 50 anos, diversos foram os talentos que a voragem do tempo se encarregou de votar ao esquecimento. Um desses nomes era o de Curt Boettcher. Nascido em Janeiro de 1944, originário de Wisconsin, foi ao longo da sua carreira de mais ou menos 25 anos, compositor, cantor, músico e produtor de discos. Apesar de o seu nome não constar como entrada de muitas enciclopédias de música publicadas até à atualidade, muitos artistas importantes lhe ficaram a dever, entre estes os Beach Boys.
Muito do seu trabalho consistiu essencialmente em colaborar com cantores,grupos e produtores, tendo o seu nome, quase sempre, surgido algo discretamente mencionado em fichas técnicas e nos créditos de diversas canções, sem referir com precisão a extensão do seu real contributo no resultado final.
The Association - "And Then... Along Comes The Association" (1966). Neste primeiro LP deste grupo, a produção e colaboração de Curt Boettcher, nos mais variados aspetos, inclusive instrumental, foi essencial. Aliás, ele era um dos compositores do tema mais importante deste disco, "Along Comes Mary", apesar de uma "vigarice" do outro co-autor, TandynAlmer, que se registou como o seu único autor, para receber a totalidade das royalties.
The Association - "Along Comes Mary" (1966).
Curt Boettcher - "Along Comes Mary" (Demo de 1965). Eis aqui a prova da "vigarice" de Tandyn Almer, ao se registar como o único autor de "Along Comes Mary"... Decerto terá sido, afinal, Curt Boettcher o principal autor desta canção... Há erros que ficam para a eternidade...
The Association - "Message Of Our Love" (1966). O único tema deste 1º disco onde a parceria entre Curt Boettcher e Tandyn Almer foi "respeitada" e se manteve "intocada".
The Association - "One Too Many Mornings". (1965). Foi esta cover de um tema original de Bob Dylan que chamou a atenção de Curt Boettcher para os The Association e o fez decidir-se a produzir o seu 1º LP.
Esta versão regravada de "Enter The Young" começa, todavia, com a gravação original do tema "The Machine". Este tema constituía uma espécie de "apresentação virtual" dos The Association. Feito durante as gravações do seu 1º LP de 1966, ficaria inédito até 2002. Nesta curiosa introdução, o baixista Brian Cole (1942-1972) é o "mestre de cerimónias". Este breve tema estava, originalmente, destinado a ser o primeiro tema do lado A do LP e resultava da ideia, depois descartada, de fazer um álbum de características conceptuais, coisa pioneira para a época. A ideia terá partido de Curt Boettcher mas, em resultado de pressões da parte dos outros elementos envolvidos na produção deste LP, optou-se por lançar um álbum de natureza mais convencional, abandonando-se a proposta inicial, considerada um tanto "arriscada". Sendo assim, cada canção surge como era de esperar, ou seja, autonomizada. Terão sido pressões deste género que terão feito Curt Boettcher pôr completamente de parte a ideia de se tornar no principal produtor dos The Association, tal como era George Martin com os Beatles, e a desligar-se da banda findas as gravações do 1º LP.
The Association - "Enter The Young" (1966). A versão original, tal como aparecia no primeiro LP de 1966. Neste vídeo, em particular, ter-se-á feito uma "edição" que aumenta a duração do tema para quase o dobro do original, ao se incluir apenas a parte instrumental no início.
The Association - "Round Again" (1966). "Samples" deste tema, composto pelo guitarrista Gary Jules Alexander (1943), foram incluídos na gravação final do tema "Hoops", pertencente ao álbum "Come With Us" dos Chemical Brothers, lançado em começos de 2002.
The Association - "I'll Be Your Man" (1966). A voz principal deste tema esteve a cargo do guitarrista, baixista e percursionista Russ Giguere (1943) (o 1º à direita na imagem). Os outros elementos são, da esquerda para a direita, Terry Kirkman (1939) voz, instrumentos de sopro, teclados e percussão; Brian Cole (1942-1972) voz, baixo elétrico, baixo acústico e contrabaixo; Larry Ramos (1942- 2014) (chegou ao grupo em Abril de 1967, quando Gary Jules Alexander (1943) saiu) voz e guitarras; Jim Yester (1939) voz, guitarras e teclados; Ted Bluechel (1942) voz, bateria e percussão.
The Association - "Remember" (1966). A voz principal deste tema esteve a cargo do guitarrista Jim Yester (1939).
The Association - "Cherish" (1966). Este tema foi composto pelo membro da banda Terry Kirkman (1939) (no centro) e foi o maior êxito do LP "And Then... Along Comes The Association" (1966).
Este temas dos The Association, tiveram por trás a produção e, nalguns casos, a participação instrumental, de Curt Boettcher. Na sua variedade, constituíam um paradigma perfeito daquilo a que se chamou "Sunshine Pop", cuja época de maior expressão foi entre 1965 e 1969.
The Association - "Along Comes Mary" (1966). Versão ao vivo de 1967 no, então, muito popular programa televisivo "Smothers Brothers", onde atuaram muitos nomes da música moderna daquele tempo, inclusive de fora dos Estados Unidos, como os britânicos "The Who". Destaque para a "apresentação" do grupo feita pelo baixista Brian Cole (1942-1972).
Curt Boettcher afastar-se-ia dos Association na sequência do seu primeiro álbum "And Then... Along Comes The Association" (1966). Nos anos seguintes, os Association continuariam a somar êxitos e, sobretudo, a compor e a interpretar temas de grande qualidade musical. Apesar de já não estar presente, é indiscutível o papel primordial de Curt Boettcher na descoberta e, ainda que indiretamente, na posterior afirmação desta banda que, ainda hoje, suscita agradáveis recordações.
The Association - "Pandora's Golden Heebie Jeebies" (1966). Tema composto pelo guitarrista Gary Jules Alexander (1943), que também fazia a voz principal. Meses depois, Gary Alexander afastar-se-ia temporariamente dos Association, tendo permitido a chegada do novo e talentoso cantor, guitarrista e compositor Larry Ramos (1942-2014), que se manteria por quase meio século como um dos seus elementos mais em destaque.
The Association - "On A Quiet Night" (1967). Destaque para a voz de Jim Yester (1939).
The Association - "When Love Comes To Me" (1967).
The Association - "Never My Love" (1967).
The Association - "Windy" (1967).
The Association - "Reputation" (1967). Tema onde a voz principal é a do baixista Brian Cole (1942-1972).
The Association - "Reputation" (1967). Versão ao vivo.
The Association - "We Love Us" (1967). Uma das poucas composições do baterista Ted Bluechel.
The Association - "Requiem For The Masses" (1967). Composição e voz principal de Terry Kirkman.
The Association - "Birthday Morning" (1968). Mais uma vez, a voz de Jim Yester em destaque.
The Association - "Six Man Band" (1968). Eram assim, de facto, os Association originais...
The Association - "Like Always" (1968). Tema onde Larry Ramos (1942-2014) surge como a voz principal, para além de ser um dos seus compositores.
The Association - "Along The Way" (1971). Tema onde se destaca a voz de Jim Yester (1939) no seu melhor.
The Association - "P.F. Sloan" (1971). Parte falada pelo baixista Brian Cole (1942-1972) que, em 1972, seria encontrado morto em sua casa, vítima de overdose de heroína.
The Association - "Across The Persian Gulf" (1981). Um breve relançamento dos Association já na década de 1980.
The Simple Image - "Spinning, Spinning, Spinning" (1968). Um tema com a co-autoria de Curt Boettcher. Este grupo era originário da Nova Zelândia.
Entre os diversos grupos com os quais Curt Boettcher colaborou, direta ou indiretamente, estavam os já referidos Beach Boys, e também The Association, The Byrds, Paul Revere & The Raiders, Chad & Jeremy, Tommy Roe, Elton John, Bruce Johnston, Lee Mallory e Gary Usher. Foi igualmente um dos elementos fundadores de diversos grupos musicais, ainda que essencialmente de estúdio, nomeadamente Ballroom, Sagittarius e The Millennium. Estes, apesar de tudo, foram de muito curta duração. A nível individual, Curt Boettcher só lançou em vida um álbum There's an Innocent Face, que foi um fracasso comercial, apesar do seu ecletismo em termos de género musical.
Gary Usher (1938-1990), um dos grandes amigos e colaboradores de Curt Boettcher, entre muitos outros projetos, participará como a "outra metade" do grupo Sagittarius, tal como é visível na capa do primeiro álbum ("Present Tense") de 1968, em baixo. Ele surge à esquerda, Curt Boettcher(1944-1987) à direita. Na prática, não era um grupo que tivesse uma formação definida. Era apenas um "projeto de estúdio" onde entraram e saíram diversos artistas e músicos de estúdio e incluía, sobretudo na edição póstuma em CD, diversos temas gravados entre 1966 e 1968, alguns destinados a outros projetos abortados e muitos deles inéditos até 1997. Um disco essencial e, na minha opinião, obrigatório para quem (realmente) gosta de (boa) música.
Sagittarius - "Another Time". Gravação inédita de 1967, depois lançada em 1968. Tema de abertura do LP "Present Tense".
Sagittarius - "The Keeper Of The Games" (1968).
Sagittarius - "My World Fell Down". Gravado e lançado numa versão ligeiramente diferente em 1967, da que foi incluída no LP "Present Tense", em 1968. Foi o único êxito dos Sagittarius, em 1967. Os seus autores eram a dupla, muito prolífica, Carter-Lewis (os ingleses John Carter e Ken Lewis), os quais já a haviam lançado, enquanto membros dos Ivy League em finais de 1966.
Sagittarius - "I'm Not Living Here" (1968).
Sagittarius - "Musty Dusty". Gravação inédita de 1966 de um grupo anterior, Ballroom, depois incluída em, 1968, no álbum "Present Tense". A sua autoria era a mesma do tema "Along Comes Mary", o já referido êxito dos Association, ou seja, Curt Boettcher e Tandyn Almer. Era um tema sobretudo deste último, tal como o outro era sobretudo de Curt Boettcher. Como Almer havia cometido a "vigarice" de registar o "Along Comes Mary" só sob a sua autoria, ao perceber que estava para ser um êxito seguro e para receber a totalidade das royalties, em resposta, Curt Boettcher registou "Musty Dusty" só sob a sua autoria individual. "Tit for Tat". Mas, como se veio a comprovar, quem acabou por ficar a ganhar, para sempre, foi Tandyn Almer, pois "Along Comes Mary", não só através dos Association, é um hit ainda hoje repetidamente lembrado e editado num sem número de circunstâncias. "Musty Dusty" é apenas mais uma pequena pérola esquecida no tempo e que muito poucos conhecem...
Sagittarius - "Get The Message" (1967). Um dos diversos temas inéditos recuperados na edição de "Present Tense" em CD de 1997. O seu intérprete era um dos vários "ilustres desconhecidos" cantores de estúdio, que entraram e saíram dos Sagittarius (antes do grupo, efetivamente, existir), sem serem sequer creditados.No CD fala-se no nome "Michael". Há quem tenha sugerido que seria Michael Z. Gordon, um dos autores da canção e que, em parceria ou individualmente, compôs diversas canções, algumas delas êxitos, para outros artistas mais conhecidos. Houve uma versão deste tema que foi um êxito menor, nesse mesmo ano de 1967, de um certo Brian Hyland, cantor famoso pela sua interpretação do êxito mundial "Sealed With A Kiss", em 1962.
Sagittarius - "Sister Mary". Parte instrumental de um tema, gravado por Gary Usher, a pensar no grupo Sagittarius, mas que ele acabaria por destinar à, mais famosa, dupla de cantores de rock/folk Chad & Jeremy. Estes gravariam a sua versão, já com letra, por alturas seu melhor disco "Of Cabbages & Kings" de 1967. É o tema, até então inédito (1997), com que a edição em CD de "Present Tense" encerra.
A carreira musical de Curt Boettcher começou em 1962 com a fundação de um grupo musical de folk The Goldebriars, onde ele tocava viola acústica e era o principal vocalista. Este grupo lançaria dois álbuns em 1964, "The Goldebriars" e "Straight Ahead", cujo estilo musical, em especial no primeiro, se assemelhava ao de outros grupos de folk (ou folk-rock)seus contemporâneos, tais como: Peter, Paul & Mary, The Seekers e Simon & Garfunkel (primeiro disco).
The Goldebriars. A formação original. Curt Boettcher está ao centro. Os outros elementos são: Ron Neilson (em cima) e as irmãs Sheri e Dottie Holmberg (à esquerda e à direita, respetivamente).
Goldebriars - "Railroad Boy" (1964).
Goldebriars - "Come Walk Me Out" (1964).
Goldebriars - "Pretty Girls And Rolling Stones" (1964).
Goldebriars - "A Mumblin' Word (He Never Said)" (1964).
Goldebriars - "Shenandoah" (1964).
Goldebriars - "Sing Out Terry O' Day" (1964).
Goldebriars - "I've Got To Love Somebody" (1964). O tema que aqui interessa, só começa no tempo 2:37. Um erro do uploader que acrescentou outro, a que se dará a devida atenção mais adiante.
Goldebriars - "Haiku" (1964).
Goldebriars - "No More Bomb" (1964).
Goldebriars - "Queen Of Sheeba" (1964).
Goldebriars - "Castle On The Corner" (1964). Para mim, esta é a melhor canção dos Goldebriars.
Goldebriars - "Honey Bunny" (ca.1964).
Goldebriars - "Slow Me Down, Lord" (ca.1964).
Fora ainda gravado um terceiro álbum, com novos membros, entre estes Ron Edgar, no final de 1964, mas cujo lançamento, previsto para o começo de 1965, foi cancelado.
Goldebriars - "Nothing Wrong With You That My Love Can't Cure" (1964-1965).
Nestes primeiros discos, começava-se a vislumbrar um pouco do estilo musical que Curt Boettcher aperfeiçoaria mais adiante e que ficou conhecido como "Sunshine Pop". Este género musical constituiria muito do pano de fundo onde se constituiriam muitas das bandas, que ficariam associadas à cena musical da "West Coast", mais concretamente na zona de San Francisco, ou que por ela foram influenciadas.
The Ballroom - "You Turn Me Around". Gravação dos "The Ballroom", um grupo queCurt Boettcher fundou e integrou, feita em1966e que ficou inédita até2001. Ele surge à esquerda na foto e, no extremo direito,surge tambémSandy Salisburyque, dois anos depois, integraria os "Millennium", também como compositor. Outro tema fundamental desta fase é "Magic Time".
"The Ballroom - "Magic Time" (1966).
Curt Boettcher - "Astral Cowboy" (ca. 1968/1969).
Pode-se afirmar que Curt Boettcher foi um dos principais artistas que contribuíram para o aparecimento da moda do psicadelismo, do "Flower Power" e do movimento Hippie a eles associado. Foi a partir do Sunshine Pop, que terão surgido diversos artistas e grupos marcantes da segunda metade da década de 60, tais como Scott Mackenzie, The Jefferson Airplane, The Loving Spoonful, The Mammas and Pappas e The Flower Pot Men, estes últimos em Inglaterra.
Curt Boettcher - "Misty Mirage" (ca. 1968/1969).
Com o começo dos anos 70, a carreira de Curt Boettcher começou a decair gradualmente, dado que, da sua autoria ou colaboração, não houve mais nenhum êxito de assinalar. Por outro lado, o panorama musical estava algo inóspito para a sua linha criativa. Apesar da diversidade de géneros musicais que agora enformavam a música pop contemporânea, eram essencialmente duas as opções dominantes nesse começo dos anos 70: a progressive music e o rock pesado. Dois géneros algo estranhos para o gosto pessoal de Curt Boettcher. Para além disso, dos diversos grupos musicais que haviam surgido e sobrevivido durante os anos áureos do Sunshine Pop, muitos já se haviam dissolvido, outros mudaram de nome e de estilo tornando-se em algo completamente irreconhecível e os poucos que se mantinham nessa onda, soavam a anacrónicos.
Sob a insistência do produtor Jac Holzman, que retinha na memória a grande qualidade do disco Begin dos Millennium de 1968, Curt Boettcher grava para a editora Elektra o seu único álbum em vida There's an Innocent Face, em 1971.
Curt Boettcher - "The Choice Is Yours" (1971-1973).
Curt Boettcher - "Malachi Star" (1971-1973).
Curt Boettcher - "Lay Down" (1971-1973).
Este álbum sairia apenas quase dois anos depois, em 1973, tendo sido recebido com quase completa indiferença quer pelo público, quer pela crítica, apesar da variedade de géneros musicais nele contida. Ainda houve uma breve tentativa para gravar um segundo disco a solo intitulado Chicken Little Was Right, mas que acabaria por ficar incompleto e só seria editado postumamente 30 anos depois, em 2004.
Curt Boettcher - "If You Only Knew" (1973-2004).
Posteriormente, o seu trabalho, quer como músico, quer como produtor, dispersou-se por cada vez menos projetos, sem grande relevância nem impacto comercial. Um dos seus últimos trabalhos, consistiu na produção de um álbum a solo de Mike Love, vocalista dos Beach Boys. Tinha como título Looking Back With Love e foi lançado em 1981. Foi um completo fiasco, quer do ponto de vista comercial, quer crítico, tendo mesmo os fãs dos Beach Boys, considerado este álbum o pior de sempre alguma vez gravado, quer pelo grupo, quer por um dos seus membros.
Nos anos 80, com uma realidade musical muito diferente daquela em que ele havia sido marcante nas mais diversas vertentes, sobretudo no que respeita ao tipo de música então em voga, a sua importância decresceu ao ponto do quase esquecimento. O "sunshine pop" era uma relíquia do passado e já não cativava as novas gerações de ouvintes.
O movimento "punk" havia voltado a valorizar os temas duros e polémicos, para não falar na revolta com ou sem causa, associados ao rock, menosprezando os grandes arranjos melódicos e as vozes algo delicadas.
A música feita à volta de instrumentos eletrónicos, nomeadamente a nível das caixas-de-ritmo,com o auxílio crescente do computador, de batida sonora e ritmo empolgante, com o elemento dançável nunca longe de vista, era agora a moda.
Mesmo a nível das baladas, o modelo que mais fazia vender e ocupava os média, era o das "power-ballads", onde a presença da guitarra-eléctrica tocada em estilo apoteótico e dos sintetizadores de som tonitruante, raramente era dispensada. Havia como que uma idolatração relativamente a tudo o que evocasse os cenários futuros, fossem optimistas ou pessimistas, associada a uma atitude de amor-temor relativamente à tecnologia digital e à sua derivada "Inteligência Artificial", que pareciam estar prestes a dominar a própria humanidade que as havia criado.
Só as velhas glórias do passado, por vezes ressuscitadas oportunamente em colectâneas de êxitos e em reuniões mais ou menos aguardadas, é que conseguiam aqui e ali conquistar uma breve e pontual atenção dos média e, consequentemente, um ocasional nicho de mercado. Curt Boettcher nunca fizera história no campo dos espetáculos ao vivo, agora uma condição quase sine qua non para se ficar conhecido ou não cair simplesmente no esquecimento. O seu nome, individualmente, nunca tivera divulgação internacional nas décadas de 60 e 70 e, durante o seu tempo de vida, ele era sobretudo conhecido por entre o mundo artístico americano, em especial na região da "West Coast". Por outro lado, sendo ele sobretudo um homem de (grande) importância a nível de bastidores, a maior parte do seu público contemporâneo nunca lhe dispensou a atenção devida, ou seja, o nome de Curt Boettcher nunca foi verdadeiramente vendável.
Só mais atualmente, com as profusas reedições em CD de álbuns já fora do mercado há muito e da obra de diversos grupos e cantores, embora em edições de apenas alguns milhares de exemplares, feitas quase sempre a pensar nos colecionadores, nostálgicos e "connaisseurs", facilmente esgotáveis portanto, é que o seu nome voltou a ser verdadeiramente lembrado e a ocupar o seu devido lugar na história da música, pelo menos, ocidental.
Curt Boetcher - "Another Time" (ca.1968/1969). Versão a solo posterior à dos Sagittarius e com, pelo menos, um novo verso acrescentado.
Curt Boettcher já não teve, infelizmente, oportunidade para assistir a esta, ainda que algo tímida, revitalização do seu nome, pois faleceu a 14 de Junho de 1987, na sequência de uma operação pulmonar. Gary Usher, um dos seus mais diletos amigos e acérrimos defensores, seguir-se-lhe-ia em 1990.
Uma das diversas coletâneas existentes relativas a Curt Boettcher, tendo sido esta lançada em 2019.
Ao rever esta cena do filme "Dirty Dancing" ("Dança Comigo"), cuja estreia ocorreu em 1987, é Curt Boettcher quem me vem à memória. Terá sido uma "homenagem" discreta que lhe fizeram (e quase ninguém deu conta)? O cantor principal, em especial a sua voz, parece fazer lembrar Curt Boettcher, falecido nesse mesmo ano (1987)...
"Kellerman's Anthem" (from the movie soundtrack "Dirty Dancing") (1987). A versão completa deste tema.
Este instrumento musical é um dos principais antepassados dos sintetizadores polifónicos, que tanto entusiasmo têm causado a gerações diferentes ao longo do último meio século. Mesmo a moda dos samplers fica a dever a estas autênticas maravilhas tecnológicas. Apesar do seu aspeto exterior o inserir na vasta e muito antiga família dos teclados, o mellotron era o começo de uma nova linhagem de instrumentos musicais.
Tal como o órgão eletrónico, o mellotron é uma das muitas criações da era da eletricidade iniciada na segunda metade do século XIX. No entanto, as premissas deste diferiam muito das do primeiro.
A centenária família dos órgãos eletrónicos, permitiu criar uma opção mais portátil relativamente aos gigantescos e inamovíveis órgãos de tubos metálicos, muitas vezes confinados a um edifício exclusivo.
Apesar de tudo o seu som possuía um timbre muito peculiar que o distinguia dos seus companheiros clássicos, o que, por si só, constituiu uma inovação no campo dos sons musicais e da própria música, tanto popular como clássica.
Pelo contrário, o mellotron fora concebido para reproduzir, com a maior fidelidade possível, o som de instrumentos musicais convencionais, quer individualmente, quer agrupados. Com um simples mellotron, desde que se soubesse manusear com destreza, poder-se-ia reproduzir o som de uma banda a tocar música instrumental. Mesmo assim, qualquer ouvido experimentado conseguiria detetar múltiplas diferenças.
Este instrumento, visto de longe, assemelhava-se a um cruzamento entre um órgão eletrónico e um piano vertical. No entanto, observando-se mais de perto, as suas peculiaridades saltavam à vista. Os primeiros modelos de mellotron, lançados no começo da década de 1960, possuíam um teclado dividido em duas partes. A da esquerda era essencialmente destinada aos acompanhamentos, ritmos e sequências musicais pré-gravadas. A parte à direita, estava reservada para a reprodução do som de um instrumento isolado, de entre mais de uma dezena à escolha.
Era acima de tudo um instrumento ao mesmo tempo prodigioso e muito pouco usual para a época em que começou a se popularizar. Combinava as características dos órgãos eletrónicos com a dos leitores/gravadores de fita magnética.
Isto porque cada tecla tinha oculta por baixo uma cabeça de leitura, por onde deslizava uma larga fita magnética contendo sons pré-gravados em pistas diferentes, cada vez que era pressionada.
Era quase como se existisse uma bobine independente para cada tecla. Possuía também uma consola de botões que, de certa forma, preconizava as existentes nos futuros sintetizadores.
O botão mais inovador era o do pitch control, o qual permitia alterar a velocidade com que as fitas deslizavam pelas cabeças de leitura, produzindo um efeito comparável ao "glissando" já muito conhecido dos instrumentos de corda, como as guitarras "slide" e os violinos.
A sua característica de instrumento inovador e a capacidade de reproduzir o som de outros, mesmo com alguma distorção, tornaram o mellotron alvo da atenção de muitos músicos, em especial provenientes das bandas que então surgiam. Numa gravação de estúdio, era possível conseguir-se reproduzir um acompanhamento musical, sem ser preciso recorrer aos serviços de músicos e orquestras convidados.
De qualquer forma, este instrumento trazia consigo algumas desvantagens de assinalar, em especial no que se refere às suas primeiras versões.
O mellotron era um instrumento tanto difícil de transportar como de complicada manutenção. Por um lado, o seu peso não andava muito longe do de um piano das mesmas dimensões. Isto devia-se tanto à sua estrutura externa de madeira maciça, como à complexa maquinaria existente no seu interior. Por outro, a sua fragilidade interna contradizia a sua aparente solidez.
Mesmo quando era deslocado de um sítio para o outro, o mellotron corria sérios riscos de ter os seus componentes desalinhados, nomeadamente no que respeita ao seu sistema de fitas magnéticas. Para além disto, a complexidade do “organismo” do mellotron e a minúcia e precisão exigidas no seu fabrico, o facto de ser muito propenso a avarias, associadas ao elemento da novidade, tornavam este instrumento muito caro.
Foi na sequência disto que, na segunda metade dosanos 60, se começaram a lançar versões mais portáteis e, desta forma, menos complexas. Os exemplares mais conhecidos, apesar de manterem os elementos básicos, tinham apenas uma sequência de teclas e uma escolha mais limitada de opções instrumentais. No entanto, graças a uma maior possibilidade de desmontagem dos seus componentes com menos riscos, era possível trocar as redes de fitas para assim se reproduzir diferentes instrumentos.
Diversos grupos de rock e pop utilizaram o mellotron em diversos temas do seu repertório, por vezes tornando-o no elemento central de uma canção.
Em paralelo com esta nova linhagem de mellotrons, houve um progressivo aperfeiçoamento dos novos elementos da família dos teclados eletrónicos, onde surgiriam os novos sintetizadores. No entanto, o som destes era, então, puramente eletrónico e auto-associado, o que foi mantendo mais ou menos intacto o nicho de interesse do mellotron, apesar de o som algo “futurista” daqueles estar a conquistar um número crescente de adeptos.
O reinado do mellotron começaria a decair no final dos anos 70, quando surgiram novas séries de sintetizadores polifónicos, associados a meios informáticos e digitais, que conseguiam reproduzir, com cada vez maior fidelidade sonoridades próximas de diversos instrumentos convencionais. Estes sintetizadores ocupavam muito menor espaço físico, tinham maior portabilidade, eram mais fáceis de consertar e, igualmente mais baratos. Por outro lado, eram facilmente reprogramáveis e armazenavam nas suas memórias virtuais um número cada vez maior de sons de diversa natureza, que podiam ser reproduzidos em simultâneo ou mudados em poucos segundos.
Desde então, o mellotron começou a tornar-se num instrumento musical arcaico, alvo do interesse dos colecionadores e, de quando em quando, reabilitado por músicos mais puristas.
A seguir, alguns exemplos de canções onde o mellotron ocupava um lugar de destaque...
The Kinks - "Phenomenal Cat" (1968). O som de "flautas".
The Ministry of Sound - "In The Sky..." (1968). Em modo de "banda de fanfarra".
The Moody Blues - "Watching And Waiting" (1969). O som de "orquestra".
Manfred Mann - "Ha Ha Said The Clown" (1967). O som de "flautas" e de "banda de fanfarra". Neste vídeo, vemos o vocalista de então, Mike D'Abo, ladeado (à esquerda) pelo baixista Klaus Voormann(o tal desenhador de capas de disco e amigo dos Beatles, que eles conheceram em Hamburgo) e (à direita) pelo guitarrista Tom McGuinness. Em cima, estão o baterista Mike Hugg e o teclista Manfred Mann.
Tintern Abbey - "Beeside"(1967). O mellotron como instrumento de base da melodia dominante.
Traffic (Stevie Winwood, Dave Mason, Chris Wood e Jim Capaldi) - Hole In My Shoe (1967).
Traffic (Stevie Winwood, Dave Mason, Chris Wood e Jim Capaldi) - House For Everyone (1967).
The Zombies - "Care Of Cell 44" (1967-1968). Tema de abertura do seu essencial e obrigatório álbum "Odessey And Oracle". Colin Blunstone é o vocalista principal. Rod Argent (teclados, incl. mellotron com "som de orquestra") e Chris White (baixo elétrico e viola acústica) fazem as 2ªs vozes.
The Zombies - "Hung Up On A Dream" (1967-1968). Tema central do seu essencial e obrigatório álbum "Odessey And Oracle". Foi também o seu último, gravado em finais de 1967 e lançado, na Primavera de 1968, quando os seus elementos, com destaque para Colin Blunstone (voz principal) e Rod Argent (teclados e 2ª voz), julgavam que estavam "acabados" enquanto grupo de sucesso. Colocaram neste disco tudo o que lhes restava... E quando o disco foi lançado, e foi, gradualmente, bem recebido pela crítica musical, já o processo de dissolução estava em curso. Era tarde demais para deter o que, então, parecia inevitável...
Foi deste álbum que se retirou um último êxito em 1969, "Time Of The Season", quando os Zombies já estavam, definitivamente, "mortos e enterrados"... Nem assim eles se voltaram a reunir, pois já estavam em pleno embrenhados nos seus projetos de vida de então.
The Zombies - "Changes" (1967-1968). Tema incluído no seu essencial e obrigatório álbum "Odessey And Oracle". Neste tema, excecionalmente, todos os elementos da banda participam nos coros: Colin Blunstone (voz principal e percussão), Rod Argent (teclados e 2ª voz), Chris White (baixo elétrico, 2ª voz e viola acústica), Paul Atkinson (guitarras) e Hugh Grundy (bateria e percussão). (Hugh Grundy:) "Foi o único tema em que eu e o Paul (Atkinson) demos largas às nossas, eventuais, capacidades vocais!...". O tema começa com um "efeito vocal", que cria no ouvinte a ilusão de que se estavam a tocar flautas reais com um "som etéreo" e "de grande dimensão". Na verdade, o referido "som de flautas" provém completamente do mellotron...
Sagittarius (Curt Boettcher na voz principal e outros) - "Musty Dusty". (gravação inédita de 1966 do grupo anterior, Ballroom, depois lançada em 1968, no álbum "Present Tense").
Manfred Mann - "The Mighty Quinn" (1968). A voz principal estava a cargo de Mike D'Abo. O som de apenas uma flauta, combinado com o "som de flautas" proveniente de mellotron, produz a ilusão de ser um grande conjunto de flautas a sério a tocar em uníssono. O tema da canção, aliás, é puro surrealismo e nonsense... Havia muitas outras canções do mesmo género, por aquela altura. É um estilo a que também era dado o nome de "good time music". Não existia nenhuma mensagem, apenas mais um momento boa disposição!
Eric Burdon & The (New) Animals - "Just The Thought" (1967-1968). Tema proveniente do 2º álbum deste grupo "The Twain Shall Meet" (1967-1968), gravado no final de 1967 e lançado em Maio de 1968. Nesta canção não é Eric Burdon quem faz a voz principal, mas sim Danny McCulloch, o baixista dos (New) Animals de então. Eric Burdon, na voz secundária, vai recitando versos. Um dos temas mais estranhos e esotéricos lançados naquele tempo.
The Fruit Machine - "The Wall" (1968).
The Moody Blues - "The Morning - Another Morning" (1967). Tema incluído no fantástico e essencial álbum "Days Of Future Passed" (1967).
The Moody Blues - "Lunch Break - Peak Hour" (1967). Tema incluído no fantástico e essencial álbum "Days Of Future Passed" (1967).
The Moody Blues - "Tuesday Afternoon" ou "Forever Afternoon (Tuesday?)"+ "Evening (Time To Get Away)" (1967). Sequência musical incluída no fantástico e essencial álbum "Days Of Future Passed" (1967).
The Moody Blues - "Evening - The Sunset/Twilight Time" (1967). Sequência musical incluída no fantástico e essencial álbum "Days Of Future Passed" (1967).
The Moody Blues - "Nights In White Satin" (1967).Tema incluído no fantástico e essencial álbum "Days Of Future Passed" (1967).
Manfred Mann feat. Mike D'Abo- "Brown & Porter's" (tema inédito gravado entre 1966 e 1968).
The Move - "Blackberry Way" (1968). Este tema foi o único nº1 deste grupo.
The Nice - "Diamond Hard Blue Apples Of The Moon" (1968) (incl. Keith Emerson(Emerson, Lake & Palmer) nos teclados, Lee Jackson na voz principal e no baixo elétrico, David O'List na 2ª voz e nas guitarras e Brian Davidson na bateria e percussões).
The Moody Blues - "Legend Of A Mind" (1968).
Episode Six - Wide Smiles (1968). Esta banda integrava elementos que, mais tarde, foram ingressar nos Deep Purple: Ian Gillan na voz principal e Roger Glover na 2ª voz e no baixo elétrico. Com eles, os Deep Purple entraram na sua fase mais conhecida e de maior sucesso. De referir que foi precisamente com estes novos elementos que os Deep Purple gravariam o seu álbum mais importante, "Deep Purple In Rock", em 1970. Seriam também com Ian Gillan na voz e Roger Glover no baixo, que os Deep Purple lançariam alguns dos mais importantes clássicos do Rock, tais como "Black Night", "Highway Star", "Fireball", "Strange Kind Of Woman", "Smoke On The Water", "Space Truckin", "Lazy" e "Woman From Tokyo".
Jason Crest - "A Place In The Sun" (1969).
The Cuff Links - "Tracy" (1969). As partes vocais deste tema estavam todas a cargo de um único cantor, que respondia pelo nome de Ron Dante que, provavelmente, também participava neste vídeo de promoção desta (suposta) banda, onde aparecia também, no papel de "jogador de golfe" um ator de comédia e entertainer inglês, que teve alguma fama naquele tempo. De referir que este mesmo Ron Dante, fazia quase todas as vozes de um outro "supergrupo virtual" denominado "The Archies", representado por bonecos de desenho animado, claramente inspirado em diversas formações musicais reais daquele tempo (três rapazes, duas raparigas, uma loura esguia, a outra morena e roliça, e um cão felpudo de estimação) e que fazia grande sucesso internacional naquele tempo, com êxitos muito fáceis de compor como "Sugar Sugar", "Jingle Jangle", "Bang Shang-A-Lang", "Sunshine", "Boys And Girls", "Hide And Seek", "Ride, Ride, Ride", "Don't Touch My Guitar", "Inside Out - Upside Down", "Hot Dog", "Señorita Rita", "Whoopee Tie Ai A", "Bicycles, Rollerskates and You", "La Dee Doo Down Down" e "Waldo P. Emerson Jones" (e etc.!!!). Um dos (muitos) descendentes daqueles Archies era, decerto, aquela banda holandesa chamada Cartoons e que teve um rápido, mas muito breve, sucesso internacional, na segunda metade dos anos 90, com cançonetas muito no estilo daquelas, mas mais "atualizadas", a começar pelos títulos!...
King Crimson - "21st Century Schizoid Man" (including "Mirrors") (1969) (incl. Robert Fripp nas guitarras ("frippertronics") e nos teclados e Greg Lake(Emerson, Lake & Palmer) na voz principal e no baixo elétrico). Os "King Crimson" foram um dos grupos que mais contribuíram para a "consagração" do mellotron. Foram também representantes de um género musical a que é atribuído o nome de "Progressive Music". Este estilo de música pretendia conseguir "uma aliança perfeita entre o rock e a música clássica". Uns conseguiriam esta "osmose" melhor do que outros... Mas foi tal a proliferação de grupos a tentar "navegar" nestas águas algo arriscadas, sobretudo entre 1968 e 1976, que o género "progressive" acabaria por cansar o público ouvinte e se "esgotar" quase por completo... E vieram então os grupos "punk", com o seu estilo simples e direto, "escavacar" por completo as madeiras ocas e apodrecidas que acabaram por sobrar dessa aparentemente grande estrutura...
King Crimson - "Epitaph" (including "March For No Reason" and "Tomorrow And Tomorrow") (1969). (incl. Robert Fripp nas guitarras ("frippertronics") e Greg Lake(Emerson, Lake & Palmer) na voz principal e no baixo elétrico.
David Bowie - "Space Oddity" (1969). A gravação deste vídeo era, contudo, posterior e David Bowie já apresentava um aspeto completamente diferente, quase irreconhecível, do tempo em que havia gravado o tema original.
King Crimson - "The Court Of The Crimson King" (including "The Return Of The Fire Witch" and "The Dance Of The Puppets") (1969) (incl. Robert Fripp nas guitarras ("frippertronics") e nos teclados e Greg Lake(Emerson, Lake & Palmer) na voz principal e no baixo elétrico).
Sir Ching I - "Hello Everyone" (1970). O nome deve ler-se "searching eye". Quem fazia a voz principal e se ocupava dos teclados era Ken Lewis (Ken Hawker), compositor e músico de estúdio que, juntamente com um certo John Carter (John Shakespeare), formou a dupla Carter-Lewis, a qual havia composto uma quase infinidade de canções (algumas ainda hoje inéditas) para diversos grupos, alguns dos quais eles mesmo integraram, como "Carter-Lewis & The Southerners" (por onde também passaram o famoso guitarrista Jimmy Page e o baterista Viv Prince), "Ivy League" e "Flower Pot Men" (estes mais conhecidos pelo êxito "Let's Go To San Francisco"). A sua "sede" eram os estúdios "Southern Music" e situava-se na mítica rua londrina "Denmark Street". Dois dos muitos grupos e projetos musicais que se formaram nestes estúdios, foram os já atrás mencionados "Ministry Of Sound" e os "TheFruit Machine".
King Crimson - "Cat Food" (1970) (incl. Robert Frippnasguitarras("frippertronics")e nostecladoseGreg Lake(Emerson, Lake & Palmer)na voz principal e no baixo elétrico).
Wendy Carlos - "Title Music From A Clockwork Orange" (1971). Este tema fez parte do imaginário de muita gente, nos anos 1970...
King Crimson - "Cirkus" (including "Entry Of The Chameleons") (1970) (incl. Robert Frippnas guitarras ("frippertronics") e nos tecladose Gordon Haskell(ex-Les/The Fleur De Lys)na voz principal e no baixo elétrico).
King Crimson - "Lizard" (Prince Rupert Awakes/Bolero - The Peacock's Tale/Battle Of Glass Tears - Dawn Song; Last Skirmish; Prince Rupert's Lament/Big Top) (1970) (incl. Robert Fripp nas guitarras ("frippertronics") e nos teclados e Jon Anderson(Yes) na voz principal).
Francesca Solleville - "L'Ami D'Un Soir" (1974).
King Crimson - "Starless" (1974) (incl. Robert Fripp nos teclados e nas guitarras ("frippertronics"), John Wetton (ex-Family) na voz principal e no baixo elétrico e Bill Bruford (ex-Yes)na bateria e percussão).
José Cid - "Quadras Populares" (1975).
José Cid - "Mellotron, O Planeta Fantástico" (1978).
Tears For Fears - "Sowing The Seeds Of Love" (1989).