A partir do Outono de 1942, as tropas aliadas acantonadas em África haviam entrado numa dinâmica de vitória sobre as antes poderosas forças militares do Eixo, representadas, maioritariamente, pelo “Afrika Korps”, este sob o comando de Erwin Rommel, a “Raposa do Deserto”. 


Graças a um longo esforço táctico do Marechal Bernard Montgomery e os seus "Desert Rats" a Leste, depois auxiliado pelas forças americanas de Dwight Eisenhower, a Oeste, foi possível derrotar o exército alemão na costa Norte de África, depois de o encurralar na zona da Tunísia. A partir daqui, os altos comandos aliados puderam desviar o centro das suas atenções para a vasta Europa, então sob o domínio (decrescente) do 3º Reich.



Os Aliados tinham ainda muito bem viva na memória o trágico desastre de Dieppe, ocorrido no ano anterior, que serviu de aviso para se evitar incursões demasiado prematuras e sem uma prévia preparação de retaguarda e estudo do terreno e das forças a combater. Deveria haver uma maior relação de proximidade com os serviços secretos e de espionagem. Por outro lado, qualquer adiamento na concretização dos objectivos que se seguiriam, convergentes no sentido de se abrir uma nova frente de batalha na Europa, tornaria as coisas gradualmente mais complicadas.
Uma táctica que poderia ser muito útil seria conseguir convencer as forças do Eixo que estaria planeado um ataque aliado para um ou mais alvos diferentes, do realmente escolhido. Com isto, conseguir-se-ia um desvio de importantes contingentes de tropas e material bélico e, mais importante ainda, a sua dispersão, retirando-lhes qualquer possibilidade de se reunirem de novo atempadamente.
Como conseguir isto? Como conseguir enganar a vasta e poderosa rede de espiões alemães e seus colaboradores espalhada pela Europa, mesmo incluindo os países neutros? A ideia seria fazer chegar ao conhecimento desta rede, conhecida por “Abwher”, uma série de documentos com informações falsas e convincentes os quais, por sua vez, chegariam ao conhecimento do Alto Comando alemão e de Hitler. A própria forma de os fazer chegar, não poderia deixar qualquer rasto de dúvida.
Foi na sequência destas circunstâncias que se decidiu criar a pessoa fictícia de “Major William Martin”. Este suposto “William Martin”, era galês, natural de Cardiff e tinha nascido em Março de 1907. Pertencia à Royal Navy, tinha conhecimentos profundos e de longa data em aeronáutica e também uma formação especializada, essencial para o desempenho de missões secretas e de alto-risco.

Para conservar o corpo, recorreu-se a um recipiente contendo gelo seco. O objectivo agora era conseguir lançar “William Martin” no mar, de forma a que este chegasse a um local onde pudesse ser interceptado por pessoas estreitamente ligadas aos serviços de inteligência do Reich. Como se sabia da existência de alguns agentes secretos alemães no Sul de Espanha particularmente activos, decidiu-se que o corpo seria lançado com a documentação no Mediterrâneo, a várias milhas da costa espanhola de Huelva. Teoricamente, a Espanha estava na condição de país neutral, mas eram sobejamente conhecidas as suas simpatias com o 3º Reich.
Como acontecia com a generalidade das operações executadas durante este conflito bélico, foi dado a esta o nome de "Operation Mincemeat" ou seja, "Operação Carne Picada". Para o início desta operação, foi escolhida a data de 27 de Abril de 1943. Para transportar o recipiente contendo "William Martin", foi escolhido o submarido britânico P219. Quase ninguém da sua tripulação sabia verdadeiramente qual o objectivo desta estranha missão. Pensavam que, dentro do recipiente vinha "um aparelho para fins meteorológicos". Após alguns dias, chegariam ao local, sem serem detectados. À noite, a 30 de Abril de 1943, "William Martin" partiu para a sua primeira e última missão.

Quase de imediato, o cônsul inglês na Espanha tomou conhecimento da descoberta do cadáver do “Major William Martin” e logo a deu a conhecer às autoridades britânicas. Não tardou que o Comandante Montagu ficasse ao corrente de que, por enquanto, a operação “Mincemeat” estaria a resultar. Entre as suas primeiras medidas, enviou uma mensagem secreta quase codificada a Winston Churchill, de que a “Carne Picada foi engolida”. Para reforçar a ideia de que “William Martin” estaria na posse de documentos de elevada importância, logo foi exigida a restituição, o mais urgente possível da pasta que se encontrava amarrada à cintura de “William Martin”.
Agora, havia que garantir a credibilidade quanto ao falecimento “em missão” do “Major William Martin” e que este havia sido particularmente inesperado e lesivo para as forças aliadas. Desta forma, no dia 4 de Maio de 1943, “William Martin” foi enterrado no cemitério de Huelva com honras militares. Durante alguns dias a campa do falecido “Major”, foi alvo de frequentes visitas tanto por parte de militares aliados, como por elementos dos respectivos consulados, como forma de dissuadir eventuais tentativas de profanação por parte gente ligada ou simplesmente simpatizante com as forças do Eixo.

Por outro lado, nas semanas subsequentes à descoberta do cadáver do “Major William Martin”, chegaram às autoridades militares aliadas, informações de um monumental movimento de tropas e armamento de todo o tipo da Wehrmacht e da Luftwaffe em direcção a regiões como a Grécia, a Sardenha e a Córsega, tendo sido muitas destas valiosas forças militares desviadas da Sicília. De facto, Hitler havia ordenado um reforço importante das defesas terrestres das zonas referidas nos documentos forjados na posse do “Major William Martin”. Desguarneceria a Sicília da maior parte das forças antes aí acantonadas, na convicção de que qualquer ataque que aí se registasse não seria mais do que um engodo. Chegou mesmo a desviar uma parte do armamento que se destinava a guarnecer a frente Leste, nomeadamente, diversos tanques e blindados, inicialmente destinados à preparação de uma outra operação denominada “Citadela”, que resultaria na famosa “Batalha de Kursk”, que ocorreria daí a mais ou menos dois meses.


O impacto real desta operação “Mincemeat”, acabaria por se fazer sentir ainda muito para além da bem sucedida “Missão Husky”. Isto verificar-se-ia, por exemplo, no próprio sucesso da “Missão Overlord” que culminaria no histórico desembarque na Normandia, o “Dia D”, em 1944. As forças germânicas haviam sido, com sucesso, convencidas de que o desembarque seria em Pas-de-Calais, mais a Nordeste da França, o que, mais uma vez, originou um novo desvio e dispersão de homens e material bélico para longe de onde era necessário. Numa ou noutra ocasião, cometeu-se o erro, quase fatal, de deixar documentação onde surgia, inequivocamente e com algum detalhe, que o desembarque real seria na Normandia. Os responsáveis tanto da inteligência como do exército germânicos, tomaram-nos como sendo antes mais uma tentativa de desinformação, na mesma linha da “Operação Carne Picada”. Acabariam por ficar ainda mais convictos de que o real desembarque seria em Pas-de-Calais, que foi fundamental para o sucesso no desembarque nas praias da Normandia. 
Antes do aparecimento dos antibióticos, a realidade do tratamento da tuberculose era feita, muitas vezes, de esperanças goradas. Na prática, esta doença não tinha cura ou, pelo menos, não se dispunha de um medicamento que atacasse directamente o micróbio que a provocava. É verdade que já existia, desde a década de 20, a denominada vacina de B.C.G., mas esta era de carácter meramente preventivo, de eficácia nem sempre total. Por outras palavras, havia contribuído para um decréscimo no aparecimento de novos casos, mas de nada servia numa situação de doença efectiva diagnosticada.
Nesses tempos, em que a tuberculose era um grave problema de saúde pública, pelo menos no que se refere aos países dos chamados "1º e 2º mundos", devido à contagiosidade desta enfermidade, adoptava-se, como regra fundamental, a separação dos afectados dos sãos, de forma a não agravar a sua já grande disseminação. Começou-se por recorrer às zonas de isolamento dos hospitais. Para além disto, como se sabia que, em certas zonas geográficas, sobretudo junto ao mar e a grande altitude, a qualidade do ar, associada à exposição solar, tinha efeitos particularmente benéficos na evolução da doença, essas zonas foram excolhidas como as ideais para a construção de hospitais de isolamento especializados, a que se deu o nome de "sanatórios". 
Desta forma, um pouco por todo o mundo, surgiriam, desde os últimos anos do século XIX até meados do século XX, tanto sanatórios de altitude, como marítimos. Estes últimos tinham a particularidade adicional de serem os ideais para o tratamento de uma variedade de tuberculose, a que era dado o nome de "mal de Pott". Era a tuberculose óssea, que deixava sequelas incapacitantes e afectava muitas crianças e jovens. Fotografias antigas ainda mostram pessoas convalescentes com partes do corpo envoltas em ligaduras. Dois dos exemplos em terras portuguesas, foram o Sanatório Marítimo do Outão e o da Parede. 

Aqueles que tinham o grande azar de contraír essa doença iniciavam um longo calvário feito de incertezas, mas com determinação mantida a todo o custo. Tudo começava com um internamento hospitalar destinado, entre outras coisas, a fazer um diagnóstico mais preciso da situação e a preparar o encaminhamento para o tratamento sanatorial. Muitos só apareciam perante os médicos já numa fase em que a enfermidade caminhava em pleno, apesar de tantas vezes ser aconselhada uma detecção precoce, aos primeiros sintomas. Alguns ficavam mais algum tempo internados no hospital público, a fazer uma breve tentativa de fortalecimento para depois transitarem em definitivo para a sanatorização.
A partir daqui, iniciava-se uma verdadeira odisseia virtual em busca da cura, que podia durar vários anos e não surtir os resultados pretendidos. Não raras vezes, iam vários membros de uma mesma família. Do outro lado, ficavam os familiares e amigos numa permanente angústia, sempre aguardando notícias mais positivas.
O tratamento era muito longo e, não raras vezes, dispendioso. Os enfermos eram obrigados a respeitar todo um esquema de tratamento rígido, não só em termos de horários, onde o grosso do tempo era ocupado na posição de deitado, quer nos respectivos quartos, quer nas galerias arejadas a contemplar a paisagem pretensamente relaxante. Apesar de tudo, era quase sempre um dia-a-dia algo duro de suportar, sobretudo por gente antes habituada a uma vida activa.
Os tratamentos não eram também pêra doce. A medicação disponível não era muitas vezes nada agradável, em especial quando uma parte substancial desta era administrada através de injecções dolorosas. Para encimar todo este quotidiano algo monótono havia a parte da alimentação. Esta deveria ser substancial, o que, em muitos casos, podia ser sinónimo de lautas refeições várias vezes por dia. Este detalhe era especialmente penoso para os enfermos atacados pelo muito frequente fastio, habitual numa doença consumptiva como era a tuberculose, também conhecida por tísica. Para tornar as coisas mais duras, havia os diversos desarranjos orgânicos, quer provocados pelas oscilações da doença, quer pelos efeitos secundários das terapêuticas, sem falar na componente psíquica que, quase sempre, estava negativamente afectada.
As “armas” de que se dispunha para lidar com esta enfermidade consistiam essencialmente em medicamentos sintomáticos, isto é, destinados a atenuar as manifestações físicas da doença e minorar os seus efeitos nefastos na qualidade de vida dos doentes. De qualquer forma, grosso dos medicamentos e elixires a que se recorria durante esses lentos e morosos meses ou anos de tratamento, eram destinados a fortalecer o organismo, tentando aumentar-lhe as resistências imunológicas, de forma a que este, por si, pudesse debelar gradualmente a doença. Entre estes suplementos, existiam as injecções vitamínicas e os "licores de carne", estes últimos fortemente ricos em proteínas e ferro, que eram os antepassados dos actuais suplementos proteicos de vários sabores. Havia ainda um tipo de injecções complementares, à parte, de preparados à base de cálcio, com o intuito, tanto de suprimir as frequentes perdas deste mineral essencial, como de acelerar a calcificação ou cicatrização das lesões tuberculosas.
Quando o repouso, a alimentação e os “bons ares”, complementados pela terapêutica medicamentosa disponível, não estivessem a dar o resultado pretendido, havia que recorrer a outros métodos mais drásticos. Estes recursos adicionais eram bastante complicados, dolorosos e não isentos de perigo. Alguns deles eram mesmo mutiladores e deixavam marcas físicas para toda a vida. E claro, para quem tinha de lidar com estas situações de perto, quer do lado dos médicos, quer do lado dos pacientes, também eram assustadores. O menos impressionante destes métodos físicos, era uma prodigiosa descoberta médico-tecnológica, descoberta na segunda metade do século XIX: o pneumotorax artificial ou terapêutico.
Desta forma, o pneumotorax terapêutico consistia em injectar um gás entre a pleura e o pulmão própriamente dito, de forma a colapsá-lo, ficando este mais encolhido e estático. Ficaria, de facto, provado que este método auxiliava as lesões cavitárias a fecharem e a cicatrizar por elas mesmas, reduzindo-se as áreas afectadas e propiciando-se o tão desejado processo de cura. No entanto, mesmo facilitado, este podia ainda chegar a durar alguns anos. 


O aparelho destinado a administrar este tratamento, fora o resultado de uma prodigiosa criação do médico italiano Carlo Forlanini (1847-1918), nome pelo qual os primeiros protótipos deste aparelho ficaram conhecidos. O ano da sua invenção foi exactamente o mesmo em que Robert Koch descobriu o bacilo da tuberculose: 1882. Os exemplos acima visíveis resultaram dos diversos aperfeiçoamentos que este invento foi tendo ao longo dos anos com o intuito de se tornarem mais portáteis, resistentes e fáceis de manusear. 
O seu funcionamento básico manteve-se mais ou menos inalterado. As insuflações eram controladas por um manómetro, por sua vez regulado por água. Estas eram induzidas por uma pêra de borracha e introduzidas no tórax do paciente, através de uma grande agulha devidamente esterilizada.
Tratava-se de uma operação algo delicada e que necessitava de ser executada por médicos com larga experiência e perfeito conhecimento da morfologia do aparelho respiratório. Era também essencial o acompanhamento de uma rádiografia do paciente. Mesmo assim, não era totalmente isento de riscos e tinha os seus detractores. Mas era, de todos os métodos de colapsoterapia, o menos invasivo.
Uma das principais razões que comprometia a eficácia do pneumotorax, residia num dos efeitos secundários da própria tuberculose: a pleurisia. Esta provocava derrames na pleura, que originavam a formação de aderências ao pulmão, que anulavam qualquer tentativa de o comprimir. Desta forma, haveria a hipótese de se recorrer ao corte de aderências. Caso não fosse possível eliminar as aderências ou quando estas eram muito disseminadas, só existiria uma solução absolutamente radical: a toracoplastia. Consistia esta na remoção cirurgica de costelas, para obrigar o lado afectado a ficar comprimido definitivamente. Em suma, retiravam-se algumas partes, para salvar a vida de todo um organismo. De qualquer forma, deixava marcas físicas (e mesmo psíquicas) para toda a vida futura do paciente.
Contudo, para que estes dois exemplos de operações fossem possíveis, havia que tomar em conta a resistência e o estado físico do doente. Senão seria pior a emenda que o soneto... No entanto, mesmo quando se pensava que os pacientes estariam preparados para tais operações de alto risco, não eram raros os casos em que estes faleciam tanto durante as longas horas de cirurgia contínua, como no pós-operatório. Também a própria doença se podia agravar e nada mais a deteria no seu caminhar para o temido desfecho final...

Foi também o iniciar de uma lenta decadência do domínio dos sanatórios, que começaria a ganhar força com o seu progressivo encerramento a partir dos anos 50. Portugal também não escaparia a esta onda muito positiva. Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, praticamente todos os sanatórios que ainda existiam, muitos deles quase sem nenhum doente internado, acabariam por encerrar. Alguns seriam reconvertidos em novas unidades hospitalares, como o Hospital da Guarda e o Hospital dos Covões, em Coimbra. A maioria, sobretudo os que estavam longe dos grandes centros, seríam votados a um completo abandono, que ainda hoje se arrasta. 




O essencial dos temas aqui incluidos, provém de uma outra colectânea de baixo custo, lançada por volta de 1976, "A Shot Of Rythm And Blues", quando Rod Stewart já era uma figura consagrada mundialmente e, contra a qual, na altura, ele se terá insurgido. Estes temas haviam resultado de algumas sessões de gravação, decorridas no Verão de 1964, após Stewart ter assinado um contrato com a Decca Records e com o intuito de gravar o seu primeiro single a solo - "Good Morning Little Schoolgirl"/"I'm Gonna Move To The Outskirts Of Town". De referir que a colectânea acima visível, não inclui este seu primeiro single.
Com a óbvia excepção dos dois temas incluídos no single, todos os outros ficariam inéditos até 1976, quando surgiu a referida colectânea nos Estados Unidos. Os temas seriam sujeitos a um verdadeiro tratamento de choque, denominado "reforço instrumental", de forma a dar-lhes um som mais "moderno" e adquirir uma sonoridade estereofónica, visto que na sua versão de 1964, só existiam em “mono” e continham apenas um “naipe” básico de músicos. Desta forma, à revelia de quem os havia concebido e interpretado, entre outros aspectos, são gravados “por cima” novos instrumentos adicionais, reforçado o som da bateria e, inexplicavelmente, truncado o início instrumental de alguns dos temas. Esta “revisitação” de um material que se poderia considerar sem utilidade para todo o sempre, poder-lhe-á ter dado uma nova vida e actualidade, mas, segundo muitos críticos, desvirtuou-os completamente.
Para além dos remisturados temas inéditos de 1964, esta colectânia inclui na integra os temas dos dois outros singles gravados a solo: o primeiro, "The Day Will Come"/"Why Does It Go On", editado em Novembro de 1965 e o segundo, "Shake/I Just Got Some", editado em Abril de 1966. Nenhum deles teve êxito na época da sua edição original. Na colectânea acima referida, surgem sujeitos ao mesmo tratamento criticável de "reforço instrumental" e "estéreofonização", de forma a iludir a sua "idade" verdadeira. Durante este período de 1965/1966, Rod Stewart integrou também, ao lado de Long John Baldry, Julie Driscoll, Brian Auger e outros, um grupo de blues denominado "The Steampacket". Desta breve aventura, são seleccionados dois temas, ambos covers, de dois clássicos "Can I Get A Witness" e "Baby Take Me". Estes também foram sujeitos ao já referido "tratamento de choque" da remistura.

Este breve conflito local estender-se-ia apenas até Março de 1940, quando o exausto e desorganizado exército finlandês, se vê forçado a aceitar um armistício com a União Soviética. Na sequência deste acordo, a Finlândia perderá diversas partes da sua zona mais ocidental, desencadeando-se um dos primeiros movimentos de refugiados de todo o conflito mundial. Mais tarde, na sequência da invasão da União Soviética pelo 3º Reich, recuperará, por breves anos, estas zonas estratégicas, mas depois seria forçada a abdicar delas, quando, em 1944, o Exército Vermelho avançou para Ocidente. De referir que, quer durante a "Guerra de Inverno" de 1939-1940, quer na fase de 1944, quando a União Soviética já assumia uma nova posição atacante, a Finlândia sofreria alguns bombardeamentos aéreos, nomeadamente na sua capital Helsínquia. A intenção era, obviamente, forçar este país a uma rendição mais imediata. No entanto, devido ao facto de a força de bombardeiros soviética estar a "anos-luz" da capacidade e organização da anglo-americana, bem como das parcas defesas anti-aéreas finlandesas serem suficientes, os danos causados foram mínimos. De referir ainda, que os símbolos visíveis nos caças defensivos finlandeses, apesar das fortes semelhanças, não tinham nada que ver com o nazismo. Tratava-se apenas de um símbolo da Força Aérea Finlandesa, sem nenhum significado ideológico.
Apesar de tudo, quando terminou a 2ª Guerra Mundial, devido a estas grandes semelhanças e ao forte repúdio pela simbologia nazi que se lhe seguiu, a Finlândia teve de eliminar definitivamente este simbolo dos seus aviões. 

O equidna também se destaca pelo seu aspecto algo peculiar, embora seja por vezes confundido com o ouriço-cacheiro, devido aos longos espinhos que cobrem o seu dorso e ao facto de também se enrolar sobre si mesmo quando ameaçado. O seu focinho termina num longo bico, que lhe dá igualmente uma fisionomia algo semelhante a um pequeno tamanduá.

Apesar da sua importância enquanto cantor e compositor ir muito para além disso, a figura e a obra de Arthur Lee está directamente associada a uma das obras-primas musicais de sempre: o álbum “Forever Changes”. Muitos defendem que, só com este álbum, o seu nome ficaria escrito nos anais da música e mesmo da cultura dos últimos cem anos. É actualmente, e quase unanimemente, considerado um dos melhores álbuns de sempre, tendo sido, mais do que uma vez, considerado por revistas da especialidade “o melhor álbum de rock de sempre”.
Claro que a história não foi sempre assim. “Forever Changes” era o terceiro disco oficial dos “Love”, uma banda (que se poderia caracterizar como sendo) de rock, constituída e liderada pela figura de Arthur Lee em 1965.
Esta banda era a continuação de uma outra, “The Grass Roots”, constituída mais ou menos um ano antes, mas cujo nome teve de ser alterado para “Love”, devido ao facto de, entretanto, ter surgido uma outra com o mesmo nome, mas com a diferença de ter tido sucesso imediato.
É claro que a qualidade e a peculiaridade, sem falar no ecletismo, da banda de Arthur Lee, não se devia só a este artista, pois ele teve o apoio de um conjunto de músicos talentosos que o ajudaram a levar avante o seu projecto. O núcleo da banda, para além de Arthur Lee, girava igualmente à volta de Bryan MacLean (em baixo), o outro compositor principal, que havia chegado aos "Grass Roots" logo antes de se passarem a chamar de "Love".
Nesse tempo, para além de Bryan MacLean e Arthur Lee, a banda contava ainda com Johnny Echols (em baixo) na guitarra e Don Conka na bateria, dois grandes amigos de juventude de Lee, para além de John Fleckenstein no baixo.
Pouco depois da sua mudança de nome e quando começavam a se dar a conhecer, Don Conka, já a braços com uma dependência grave de heroína que o tornava cada vez mais errático nas suas aparições ao vivo e em estúdio, é convidado a saír do grupo. Para o seu lugar, é contratado Alban "Snoopy" Pfisterer (em baixo), irónicamente um pianista com formação clássica.
Entretanto, começam-se a fazer planos para se iniciarem as gravações do primeiro álbum, simplesmente intitulado "Love". Devido a razões não especificadas, John Fleckenstein é levado a também saír desta banda logo antes de se iniciarem as gravações desse primeiro álbum. Arthur Lee passaria a também se ocupar do baixo eléctrico, enquanto não fosse encontrado um substituto convincente para este instrumento.
Por fim, este é encontrado no experiente baixista Ken Forssi (em cima), que chega mesmo a tempo de participar nas gravações do primeiro disco. É esta a formação que aparece tanto na capa do primeiro disco, como nas primeiras fotografias promocionais da banda.
Logo a seguir ao lançamento do primeiro disco, o grupo decide incluir entre os seus membros o baterista Michael Stuart (em baixo), até então membro de uma entre outras bandas que actuavam, com frequência, nos mesmos lugares que os "Love".
Desta forma, Alban "Snoopy" Pfisterer, transita para os teclados, onde ele era verdadeiramente exímio. A decisão de aumentar a importância dos teclados na sua música, levaria os "Love" a não pôr de parte a ideia de incluir também instrumentos de sopro. Na sequência disto, decidem convidar também um outro músico, Tjay Cantrelli (em baixo, à direita), este um saxofonista e flautista com formação jazzística e já deles conhecido há vários anos.

Assim a banda "Love" vê os seus elementos integrantes aumentados para sete, operando-se igualmente uma mudança quase radical no seu som, chegando-se a aproximar daquilo que, mais tarde, seria caracterizado como "Fusão" ("Fusion"), ou seja, uma fusão de música rock e jazz. Esta (curta) fase aparece eternizada no álbum "Da Capo", gravado na segunda metade de 1966 e lançado bem no começo de 1967. 

Foi também um período marcado por constantes digressões que, para além de darem a conhecer os "Love" a uma audiência cada vez maior, contribuíram para um aumentar das tensões no interior do grupo, agravadas pelo uso crescente de drogas cada vez mais pesadas e uma vida pouco regrada. Isto contribuiria, decerto, para a saída de Alban "Snoopy" Pfisterer e Tjay Cantrelli. 

Arthur Lee, foi detido em 1996, por uso e porte de arma ilegal, tendo acabado por ser condenado a cinco anos de prisão efectiva, consequência também de recorrentes problemas legais no passado. Durante a sua detenção, recusaria quaisquer entrevistas. É preciso também referir que, durante este período, faleceriam dois dos elementos fundadores dos "Love", neste caso, Ken Forssi e Bryan MacLean, ambos em 1998, o primeiro em Janeiro, vítima de um tumor cerebral, e o segundo no dia 25 de Dezembro, ficando assim definitivamente impossibilitada uma futura reunião da banda original. 
Após a sua libertação, em 2001, Arthur Lee entrou num novo período de verdadeiro renascimento musical. Voltou a reconstituir de novo o seu grupo "Arthur Lee and Love", entrando numa nova fase de digressões mundiais, tendo mesmo passado por Portugal no ano de 2004. 
O antigo baterista Michael Stuart (em baixo), decide sair do seu longo anonimato e publicar um livro autobiográfico sobre a sua experiência nos "Love", colocando um grande destaque no periodo abrangido pela concepção, gravação, edição e posterior recepção do álbum "Forever Changes", o qual, naquele tempo, não lhe parecia muito perfeito. Acabaria por mudar de opinião posteriormente, pois "se a maioria esmagadora das pessoas achava "Forever Changes" uma obra-prima, ele provavelmente estaria errado".







